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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasil vai à China tomar lições de inovação tecnológica!

A história é contada com orgulho pelos técnicos da Haier, fabricante chinesa de eletrodomésticos com sede em Qingdao, província de Shandong, que se transformou em uma das líderes mundiais na produção de linha branca. Certo dia, o serviço de pós-venda da empresa recebeu reclamação de um cliente da área rural sobre uma máquina de lavar que quebrara. Ao efetuar o conserto, a empresa descobriu que o defeito era provocado por resíduos de uma espécie de lama, que ficava acumulada nas roupas durante o processo de lavagem de batata-doce.

A insatisfação do camponês foi o ponto de partida para que a empresa decidisse redesenhar a lavadora. A máquina foi então projetada para ter múltiplos usos e passou a ser vendida como equipamento não só para lavar roupa, mas também batata doce e amendoim. Com o tempo, a máquina ganhou novas versões.

O caso inusitado do camponês e da máquina de lavar, narrado a um grupo de acadêmicos brasileiros, é representativo de uma das principais facetas da inovação tecnológica das empresas chinesas: o processo cumulativo de desenvolvimento tecnológico.

A estratégia consiste em absorver tecnologia, assimilar o conhecimento adquirido via contratos de transferência tecnológica com empresas do mundo desenvolvido e aprimorá-lo. Nas universidades e centros de pesquisa, esse processo é chamado de inovação secundária, trabalho pelo qual uma empresa inova a partir de uma rota tecnológica conhecida.

Empresas chinesas não estão preocupadas só com o mercado interno, elas nascem pensando em operar no mundo "Essa é uma característica das empresas chinesas nas últimas três décadas. Pegam tecnologias maduras e inovam no fim da curva, mas avançam. São pequenos passos que, somados à massa do mercado interno e ao baixo custo de mão de obra, representam vantagens. Mas as empresas chinesas não estão preocupadas só com o mercado interno, elas nascem pensando em operar no mundo como um todo, globalmente", diz Adriano Proença, professor do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Haier aprendeu a fazer eletrodomésticos com a alemã Liebherr, que lhe transferiu tecnologia, diz Proença. Encerrado o contrato com a Liebherr, a Haier buscou melhorar produtos, ganhou escala e, em meados dos anos 90, passou a olhar para o mercado externo. Começou a exportar, inclusive para os EUA, onde atacou nichos de mercado, como o de refrigeradores para quartos de estudantes. Depois investiu em linha ampla de produtos. No caso dos refrigeradores, a Haier valeu-se do conhecimento de uma tecnologia madura para entrar no segmento de adegas climatizadas para vinhos.

Proença acredita que a China vai continuar a acumular desenvolvimento tecnológico para chegar aos mercados em segmentos nos quais possa combinar aprendizado tecnológico e propostas de valor de menor custo. Na alta tecnologia, os chineses tendem a continuar a investir maciçamente para ganhar posições, prevê Proença, que coordenou estudo que procurou demonstrar a dimensão tecnológica da pujança chinesa.

Intitulado "Tecnologia e Competitividade em Setores Básicos da Indústria Chinesa: Estudos de Caso", o trabalho foi realizado sob encomenda da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Proença e outros três professores da Coppe passaram dois meses e meio na China, entre o fim de 2010 e o começo de 2011. Visitaram 20 empresas, incluindo algumas companhias de alta tecnologia, de três setores selecionados pela SAE: eletroeletrônico, metal-mecânico e químico. Um lema comum a várias dessas empresas é: "Primeiro imitamos, depois aprendemos e, por fim, fazemos sozinhos", conta Proença.

O acesso às empresas consultadas foi facilitado pelo apoio da Universidade de Tsinghua, com a qual a Coppe mantém, desde 2009, o Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia.

"Precisamos saber mais sobre a China, se conhece muito pouco no Brasil sobre esse país, como também não sabemos de maneira clara o que queremos da China", diz o ministro Wellington Moreira Franco, da SAE. Ele afirma que, além da análise feita pela Coppe, a secretaria encomendou outro estudo sobre China à Universidade de São Paulo (USP), ainda não divulgado. A ideia é que os dois estudos sejam submetidos a um grupo de trabalho ligado à comissão binacional de alto nível liderada pelos vice-presidentes da China e do Brasil, diz Moreira Franco. "Queremos fazer uma grande discussão sobre os trabalhos."

O ministro entende que a experiência chinesa em inovação tecnológica pode servir de inspiração para políticas públicas no Brasil. Na visão de Moreira Franco, a inovação tecnológica precisa, para se desenvolver, de um ambiente institucional que crie facilidades.

Um ponto importante é o envolvimento do governo federal, Estados e municípios, além de empresas, universidades e centros de pesquisa, em um jogo coletivo, à semelhança do que os chineses vêm fazendo. Nesse jogo, surge o papel coordenador do Estado. Um exemplo na China é o da energia eólica.

Os professores da Coppe visitaram duas empresas (Guodian e Tianwei, perto de Pequim), que desenvolveram projetos próprios de produção de turbinas eólicas a partir da sinalização do Estado, no ano 2000. Elas fizeram pesquisas sobre turbinas com o apoio de universidades - estimuladas a enviar doutorandos para o exterior - e acertaram processos de licenciamento de tecnologia. Hoje, as duas empresas têm em curso processos de inovação secundária associados à compra e assimilação de tecnologias em transição.

Sérgio Camargo, um dos professores da Coppe que participaram do trabalho, diz que na China há um comprometimento da sociedade com a inovação tecnológica. "Desenvolvimento tecnológico está na história da China há milênios", diz o professor. O engajamento de diferentes agentes sociais com o desenvolvimento tecnológico se relaciona com o processo de planejamento do governo. Camargo destaca o papel da Academia Chinesa de Ciências, que tem mais de cem centros de pesquisa focados em diferentes temas, como energia ou nanotecnologia. Na academia, há mais de 100 mil alunos de pós-graduação.

A qualificação de mão de obra também tem feito a diferença em favor da China. O trabalho da Coppe mostra que o número de profissionais formados em nível superior saltou de 800 mil, em 1997, para mais de 5 milhões em 2009, sendo que cerca de 2 milhões se graduaram em ciências exatas e em engenharia. Os professores dizem que os salários na China estão evoluindo e que, em determinados cargos, as empresas pagam de acordo com o mercado global.

Na avaliação de Camargo, as empresas chinesas se preocupam mais em dominar o mercado do que com o lucro. "A preocupação com o lucro existe, mas não vem em primeiro lugar. A trajetória que as empresas chinesas que visitamos perseguem é o domínio do mercado dentro de uma visão de mais longo prazo."

Além de inovar a partir de rotas tecnológicas existentes, as empresas chinesas analisadas também passaram a procurar, a partir da década passada, setores emergentes em que o jogo tecnológico está começando. Trata-se de investimento em alta tecnologia, área que também conta com apoio do governo chinês. Camargo cita o caso da tecnologia de iluminação LED. Entre o fim de 2008 e o começo de 2009, o governo chinês lançou um programa de incentivo à compra de máquinas de produção de LED.

"O governo decidiu custear a fundo perdido 50% do valor de cada máquina que fosse instalada na China", diz Camargo. Segundo ele, em 2008 a produção de LEDs na China foi inferior a 1% da produção mundial. Em 2011, a China produziu 14% dos LEDs do mundo e, em 2012, o país será o maior produtor mundial dessa tecnologia de iluminação, com 32% da produção mundial, prevê Camargo.

Para Proença, o coordenador do estudo, existe a possibilidade de aprender com o que deu certo da experiência chinesa: "Eles têm um processo de inovação guiado pelo mercado em que sempre procuram ocupar um espaço não descoberto. "O trabalho de reconceber, repensar e reinovar para ocupar um segmento não atendido é um processo de inovação. No Brasil, não sei quantas pessoas já atentaram para isso."

Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dilma: investimento em tecnologia e inovação fortalecem para enfrentar crise.

A presidenta Dilma Rousseff defendeu no dia 25/11/2011 mais investimento em conhecimento, tecnologia e inovação como forma de fortalecer o país para enfrentar os desdobramentos da crise econômica que atualmente atinge a Europa e pode se estender pelos próximos anos. Segundo Dilma, com a crise, o Brasil está diante de oportunidades que devem ser aproveitadas.

“Estamos num momento muito delicado internacionalmente", disse a presidenta. Ela ressaltou que a Europa pode passar "um tempo expressivo" enfrentando essa crise, que não acaba em um ano, nem em dois. "Temos de ter consciência disso e também de que os Estados Unidos não estão numa situação muito favorável". Ao mesmo tempo, é preciso saber a crise é oportunidade, e o Brasil está hoje diante de várias oportunidades, destacou Dilma ao participar da inauguração das novas instalações do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into).

O país não pode se atemorizar, nem parar de produzir ou de consumir, afirmou a presidenta. “Temos que avançar e isso significa melhorar a qualidade do serviço público no Brasil, garantir que o setor privado continue investindo, que a população continue consumindo, mas, sobretudo, temos de avançar nos passos que modificarão o Brasil. Um deles é, sem sombra de dúvida, apostar na inovação. Acredito que um dos saltos para o Brasil é inovação, ciência e tecnologia.”

No discurso, Dilma falou também sobre demandas da Petrobras. Segundo ela, o que o governo pretende é que sejam fabricados no Brasil todo os produtos que a empresa vai demandar nos próximos anos. “A Petrobras vai comprar 67 sondas, cada uma ao custo aproximado de R$ 1 bilhão. Temos uma demanda muito forte, que explica por que hoje, mesmo com a crise internacional, temos uma das menores taxas de desemprego, de 5,8%, quando, por exemplo, a Espanha tem taxa de 45% entre seus jovens e média de 22%”, ressaltou.

“A possibilidade de [o Brasil] chegar a ser a quinta potência [mundial] está cada dia mais claro que está logo ali, mas queremos ser um país sem pobreza, de classe média e com serviços de qualidade”, enfatizou.

Fonte: http://www.jb.com.br

domingo, 11 de setembro de 2011

Brasil é o 53º país mais competitivo.

O Brasil conseguiu subir cinco posições no ranking do Relatório Global de Competitividade 2011-2012, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial. Dessa forma, o País é considerado o 53º mais competitivo no mundo, do total de 142. Muitas nações pequenas acabam ficando de fora da classificação pela dificuldade em reunir dados e, neste ano, a Líbia não foi incluída por conta do cenário de guerra civil. No Brasil, a pesquisa é realizada pela Fundação Dom Cabral e pelo Movimento Brasil Competitivo.

O principal motivo que contribuiu à melhor avaliação do País foi o crescimento da economia, afirma o coordenador do núcleo de inovação e de competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda. "Esse foi o fator determinante, pois permitiu a inclusão da classe média e aumentou o poder de compra da população", diz. "Além disso, o que já era bom continuou, como o forte ambiente empresarial (existência da cadeia produtiva em diversos segmentos e a preocupação com a qualidade), potencial para se tornar um país inovador e setor financeiro sofisticado, destaque conquistado e mantido desde a crise de 1998."

Na avaliação do diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo, Erik Camarano, o País foi favorecido na galgada de posições pelo fato de outras nações não conseguirem manter seus postos - caso da Índia, que passou de 51º para 56º por conta de sua instabilidade econômica e alta inflação. "Todos os países recebem também nota de 1 a 7 e, nesse quesito, ficamos estacionados, permanecendo com 4,3."

DESAFIOS - Não fosse o cenário econômico de juros altos e inflação crescente, o Brasil poderia ter sido melhor avaliado. "O maior problema está com os juros do spread (diferença entre os juros pagos pelo banco e os cobrados para o cliente)", diz Arruda.

Dentre os fatores que ainda deixam a desejar no País, e questionam se o crescimento obtido é sustentável, está a infraestrutura que, exceto à de telecomunicações, peca pela falta, principalmente a do setor de transportes. Somado a isso, têm falhas na Educação, capacitação da mão de obra e mercado de trabalho que, embora tenha gerado muitos empregos, ainda têm muitos profissionais atuando na informalidade. Outro ponto é a alta carga tributária, que forma forte barreira burocrática à expansão de investimentos de empresários e, inclusive, à contratação com carteira assinada.

RANKING - A Suíça manteve-se como o país mais competitivo do mundo. "Lá a inflação é baixíssima, as indústrias são inovadoras e não há envolvimento com guerra", analisa Camarano. Na sequência, aparece Cingapura, que conquistou uma posição neste ano. "A economia do país é muito aberta e existe enorme facilidade em fazer negócios. A lei é cumprida rigorosamente, o sistema é transparente e o mercado financeiro é sólido. Cargos governamentais, para serem conquistados, passam por rígido processo de seleção, assim como nas grandes corporações."

China lidera entre emergentes por ter foco no futuro

A China ocupa, atualmente, a 26ª posição no ranking das nações mais competitivas do mundo. Do ano passado para cá subiu uma posição, calcada principalmente no fato de, além de obter resultados concretos no presente , possuir grande foco no futuro, com planos de investimento em educação e inovação até 2017.

"Essa é a grande diferença entre os chineses e nós. Nós não temos plano algum para o futuro. E, embora haja o potencial de investir em tecnologia e inovação, ainda estamos só na intenção", explica Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral.

O destaque brasileiro fica por conta de enquete realizada em 2009 pela entidade com 16 grandes economistas internacionais, em que o Brasil foi apontado como o país com maior potencial de recuperação da crise financeira de 2008. E foi exatamente o que aconteceu.

Quando comparado com outro emergente, a Índia, que perdeu cinco posições, para 56º, o Brasil apresenta características econômicas bastante semelhantes. "Eles se parecem tanto no que é bom como no que é ruim. A grande diferença é que a Índia, embora possua grandes polos de produção, não tem a diversificação da cadeia produtiva em vários segmentos, como no Brasil. Porém, muitas vezes os indianos conseguem obter mais resultados que os brasileiros."

Entre os países vizinhos, o Chile perdeu um posto, passando a 31º, e a Argentina ganhou dois, para 85º. "Os argentinos estão passando por processo de recuperação do PIB (Produto Interno Bruto), porém, as incertezas políticas atrapalham a avaliação."

O Relatório Global de Competitividade é realizado desde 1976. O Brasil, entretanto, entrou em 1996. À época eram cerca de 40 países e o Brasil era o pior entre latinos. "Se à época participassem 142 nações, os brasileiros estariam na posição 70º."

Para a edição deste ano, cerca de 14 mil líderes empresariais ao redor do mundo - um recorde

Fonte: http://www.dgabc.com.br