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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Questões fiscais atrapalham avanço do investimento-anjo

O número de investidores-anjo no Brasil ainda é pequeno, mas está em crescimento. São 6.450 pessoas físicas, segundo o último levantamento feito pela rede Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que busca fomentar o segmento no país. Esse número cresceu 2,3% de junho de 2012 a julho do ano passado. Em 2011, o total de investidores era de 5.300, 18% menor.

Contudo, enquanto a fatia de pessoas aumentou pouco percentualmente, o volume desse tipo de investimento teve uma elevação de 25% no mesmo período, totalizando R$ 619 milhões investidos em startups, ante R$ 495 milhões em 2012. "O cenário é bastante positivo, mas o Brasil está muito aquém de mercados maduros, como países da Europa", analisa Cássio Spina, sócio-fundador da Anjos do Brasil.

Na visão de Junior Bornelli, vice-presidente de negócios e relacionamento do Angels Club, o setor de educação está entre os cinco que mais crescem no país para startups. "Uma dessas áreas é o agronegócio. Muitos apostam em tecnologia para aplicar na agricultura", diz. Outras que ganham destaque para investimento de capital semente são biotecnologia e saúde, com a criação de aplicativos para smartphones e softwares.

Um dos entraves que prejudica o avanço do investimento-anjo no país é a questão fiscal. "Estão acontecendo conversas com o governo sobre o assunto. A gente está tentando mostrar a importância do estímulo ao investimento-anjo", afirma. "Nos Estados Unidos, dá para compensar o prejuízo com lucros em exercícios posteriores", exemplifica Augusto Ferraz, presidente da Polaris Investimentos. A ideia é sensibilizar o governo brasileiro em relação a essa proteção tributária ao aplicador. "Os tribunais passam por cima disso. O investidor não é CEO da empresa em que investe e não pode ser cobrado por dívidas", afirma Spina.

A chamada "despersonalização" da pessoa jurídica é outro aspecto colocado em pauta em conversas com o governo. "Mesmo se eu faço investimento como pessoa física, o juiz tende a buscar [em situações adversas] o patrimônio do anjo, mesmo ele não tendo participado como gestor", diz Ferraz.

Magnus Arantes, presidente do HBS Alumni Angels of Brazil, acredita que o problema não seja a questão fiscal. "A minha visão é um pouco diferente da dos outros anjos. Nós precisávamos ter um ambiente que facilitasse o desenvolvimento de empresas. Quando isso acontece, o que fazemos acaba sendo facilitado também", explica. Esse avanço, diz, passa por simplificação tributária e normas trabalhistas mais atualizadas, não 'centenárias'. "Isso porque nós apostamos em empresas que trabalham na economia real", reforça.

Os anjos podem atuar juntos, em um clube ou uma associação sem fins lucrativos, individualmente ou por meio de fundos de investimento em participações (FIPs). Os investidores recebem o capital quando ocorre o desinvestimento (venda) da empresa. Segundo a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), isso pode acontecer de cinco a dez anos após o início do fundo. Para investidores mais abastados, alguns gestores de patrimônio também incluem esse tipo de aplicação como sugestão de diversificação de portfólio. "No nosso caso, temos capital próprio e não fazemos captação de terceiros. São quatro analistas para avaliar projetos que hoje chegam a quase 500", conta Augusto Ferraz, presidente da Polaris Investimentos.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - (Com informações do Valor Econômico)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Como ganhar R$1 milhão na internet?

São Paulo - Passava das três horas da tarde de uma segunda-feira, 15 de agosto, em São Paulo. Perto da sempre movimentada Avenida Paulista, no subsolo de um grande hotel, 44 empreendedores foram organizados em quatro turmas. O destino deles, sozinhos ou com seus grupos, era uma das quatro mesas comandadas por um dos executivos de um grande fundo americano de investimentos, o Redpoint Ventures, que investiu em quatro empresas brasileiras nos últimos 12 meses.

Ao entrar na sala, com um misto de ansiedade e empolgação, os empreendedores eram destinados às quatro mesas para o início de uma sabatina de 15 minutos, em inglês, sempre encerrada pelo som de uma campainha e a entrada de outro grupo. Em seis rodadas, 22 equipes apresentaram suas ideias. Com uma dinâmica tão rápida, a mesa de comidinhas no canto da sala permaneceu intocada. De lá só saíram algumas garrafas de água mineral e uma latinha de guaraná, consumida com prazer por um dos americanos.

Quando a sabatina acabou, duas horas depois, Pueo Keffer, investidor que comandava o evento, correu para outra reunião. Era a pressa de não perder bons negócios no Brasil. Definitivamente, entramos no radar do Vale do Silício. Até pouco tempo atrás, cenas como essa seriam impensáveis no país, mas agora devem se tornar mais frequentes. No último ano, investidores estrangeiros, sobretudo americanos, têm visto nas startups brasileiras — e nas nem tão iniciantes assim — um grande potencial. O bom momento econômico do país ajuda a diminuir o risco do aporte estrangeiro de capital. E as startups começam uma corrida em busca de seu primeiro R$ 1 milhão.

“Nunca vi uma onda de interesse no Brasil como a atual”, afirma Bedy Yang, brasileira de origem chinesa que mora no Vale do Silício há três anos e fundou a Brazil Innovators, entidade que faz a ponte entre empreendedores nacionais e investidores estrangeiros. Foi Bedy quem coordenou a vinda de cerca de 50 investidores ao país em abril, no projeto Geeks on a Plane (Geeks no avião), que faz excursões a vários continentes em busca de oportunidades. O grupo passou por São Paulo e Rio de Janeiro e teve a chance de conversar com muitos empreendedores.

Mais do que uma bolha

As startups com modelos de negócios baseados em produtos e serviços comercializados pela internet são as que têm conseguido maior volume de investimentos internacionais. Segundo levantamento da consultoria Ernst & Young, empresas brasileiras receberam, no ano passado, 4,6 bilhões de dólares em investimentos dos tipos private equity e venture capital. Isso representa 70% do valor destinado à América Latina e o grupo da tecnologia só perdeu para o setor financeiro.

As razões para o otimismo em relação ao Brasil estão na ascensão da nova classe média, popularização da banda larga doméstica, crescimento do comércio eletrônico e ampliação do número de smartphones em uso. A expansão lenta da internet nos últimos anos atrasou o boom de negócios que dependem da rede, hoje os líderes absolutos em investimentos.

A crise econômica vivida por Estados Unidos e Europa também ajuda a despertar o interesse dos investidores por outras regiões. Se há três anos os holofotes estavam voltados para a China, agora eles foram direcionados para nós. E não são só os fundos americanos que apostam nas companhias brasileiras. “A Espanha passa por um momento difícil e isso faz o retorno do investimento no Brasil ser muito superior”, diz Carlos Martín, do IG Expansión, um fundo de venture capital e private equity espanhol que investiu no portal de viagens Viajanet, voltado às classes C e D, e no clube de compras BrandsClub. Outros dois projetos ainda não lançados também receberam dinheiro do fundo.

O risco desse interesse crescente e dos investimentos estrangeiros é o surgimento de uma bolha nacional na internet, com startups supervalorizadas artificialmente. Mas o momento agora é diferente daquele visto no início dos anos 2000, quando a bolha da web estourou. “Hoje os empreendedores têm mais acesso a capital. No tempo da bolha não havia investimento de risco”, diz Paulo Humberg, CEO do BrandsClub, e um dos pioneiros nos negócios pela internet no país. “As empresas que hoje recebem uma avaliação alta de seu potencial são negócios reais que geram faturamento e lucro significativos. Há uma diferença real entre o presente e os anos 2000”, diz Pueo Keffer, do fundo Redpoint Ventures.

Uma boa parte do dinheiro captado está sendo destinada à segunda geração de empreendedores da web, principalmente aos jovens de até 30 anos que não viveram a bolha das empresas pontocom. Na sua maioria, os investidores buscam projetos de internet, software e aplicações móveis, sobretudo apoiados em modelos que já fizeram sucesso em outros países.

Um exemplo são os sites de compras coletivas, como Peixe Urbano e ClickOn, réplicas tropicalizadas do americano Groupon, o pioneiro. Chamados com ironia de copycats (imitador, em português), esses projetos, quando bem gerenciados, têm modelos de negócios viáveis, com retorno no curto e médio prazos. “Com uma ideia que funcionou nos Estados Unidos e um talento razoável é fácil captar dinheiro”, afirma Martín, do IG Expansión.

Os empreendedores brasileiros já perceberam o bom momento e não estão perdendo tempo. Muitos têm testado na internet versões beta de uma série de protótipos. Assim, além de avaliar a viabilidade imediata de seus projetos, ainda conseguem ter algo para mostrar a investidores com um mínimo de resultado. “A internet tem um cenário muito fértil e você precisa de menos investimento inicial para começar um negócio. É mais trabalho e menos capital”, diz Paulo Veras, criador do Guidu, um portal de recomendações de entretenimento, e ex-CEO da Endeavor, ONG que apoia o empreendedorismo.

Não é difícil encontrar projetos brasileiros que receberam investimentos e estão fazendo sucesso como réplicas de modelos americanos. Veja o caso do Hotel Urbano. O projeto começou com um site de compras coletivas, mas seus idealizadores logo perceberam que o modelo caminhava para a saturação. Hoje existem mais de 1 200 sites desse tipo no país. Os irmãos José Eduardo, 28 anos, e João Ricardo Mendes, 30, resolveram apostar no turismo. O Hotel Urbano começou a operar oficialmente em janeiro deste ano e apenas 21 dias depois despertou a atenção do fundo Insight Venture Partners, que participou, entre outras empresas, de uma das rodadas de investimento no microblog Twitter.

Dois meses de negociações e o acordo foi fechado. O fundo ficou com um terço da empresa. O Hotel Urbano é um portal que trabalha com reservas em hotéis do mundo todo e a venda de passagens aéreas e rodoviárias. O site resolveu agora apostar no Facebook. “Nossa loja dentro do Facebook já responde por 4,3% do faturamento”, diz José Eduardo. A projeção de receita do Hotel Urbano para os primeiros 12 meses depois do negócio com o Insight Venture Partners, consolidado em abril, é de 100 milhões de reais. Até o fim do ano, o negócio também estará em operação na Argentina e deve chegar ao Chile, Peru e México no ano que vem. Além do Hotel Urbano, os irmãos Mendes tocam, desde 2007, o ApetreXo, um site de comércio eletrônico que deve fechar 2011 com a oferta de 10 mil produtos e faturamento de 40 milhões de reais. Para ter sua loja no Facebook, o Hotel Urbano usou a tecnologia de uma outra startup, a LikeStore. Aberta oficialmente em agosto, a empresa consegue viabilizar compras totalmente dentro da rede social e aproveita a influência dos amigos para estimular o consumo. O publicitário Gabriel Borges e outros quatro investidores usaram capital próprio para levantar os 2 milhões de reais necessários para começar a operação

Dois meses de negociações e o acordo foi fechado. O fundo ficou com um terço da empresa. O Hotel Urbano é um portal que trabalha com reservas em hotéis do mundo todo e a venda de passagens aéreas e rodoviárias. O site resolveu agora apostar no Facebook. “Nossa loja dentro do Facebook já responde por 4,3% do faturamento”, diz José Eduardo. A projeção de receita do Hotel Urbano para os primeiros 12 meses depois do negócio com o Insight Venture Partners, consolidado em abril, é de 100 milhões de reais. Até o fim do ano, o negócio também estará em operação na Argentina e deve chegar ao Chile, Peru e México no ano que vem. Além do Hotel Urbano, os irmãos Mendes tocam, desde 2007, o ApetreXo, um site de comércio eletrônico que deve fechar 2011 com a oferta de 10 mil produtos e faturamento de 40 milhões de reais. Para ter sua loja no Facebook, o Hotel Urbano usou a tecnologia de uma outra startup, a LikeStore. Aberta oficialmente em agosto, a empresa consegue viabilizar compras totalmente dentro da rede social e aproveita a influência dos amigos para estimular o consumo. O publicitário Gabriel Borges e outros quatro investidores usaram capital próprio para levantar os 2 milhões de reais necessários para começar a operação

A startup segue a linha da americana Payvment e enfrenta a concorrência de outra empresa nacional, a E Like, mas tem tudo para crescer. A boa sacada foi oferecer uma plataforma em que qualquer pessoa pode criar sua loja no Facebook sem gastar um tostão. A receita da LikeStore vem com a comissão sobre cada venda, que está hoje em 2% do valor pago pelo consumidor. Além disso, outros 5,9% mais uma taxa fixa de 0,39 real são destinados ao MoIP, serviço de pagamentos.

“O ticket médio das compras é de 120 reais e esperamos atingir 18 milhões de reais no primeiro ano de operação”, diz Gabriel Borges. Nos dois meses da fase beta, antes do lançamento oficial, a LikeStore criou cerca de 960 lojas, incluindo a de grandes marcas, como a do joalheiro carioca Antonio Bernardo.

O comércio eletrônico com base em rede social ganha cada vez mais relevância. O modelo da LikeStore, conhecido como Facebook Commerce (ou F-commerce), é uma tendência, pois alia compras a indicações de amigos presentes na rede social e já é visto em operações de marcas como Disney, Starbucks e Levi´s. “O Facebook estimula a criação de um ecossistema que permite novos negócios. No F-commerce, a empresa usa a estrutura do Facebook como moldura para realizar vendas no site”, diz Alexandre Hohagen, vice-presidente do Facebook para a América Latina. “A Amazon, por exemplo, pode avisar a um usuário do Facebook que o aniversário de um amigo está próximo e indicar presentes relacionados ao gosto pessoal dele.” Outro modelo que faz sucesso nas redes é o dos jogos sociais, como os criados pela americana Zynga. A carioca Gazeus Games investiu numa fórmula consagrada: levou para o Facebook jogos de cartas como tranca, truco e buraco. Agora está lançando um novo game, o Music City, em que o jogador gerencia a carreira musical de um artista virtual. A Gazeus surgiu da união de duas empresas, a Gazzag, que já foi rede social e hoje dedica-se a games sociais, e a Odysseus, que também fazia jogos e mantinha o site Jogatina.

Obteve investimento do fundo Mosaico, em 2010, e este ano planeja faturar 20 milhões de reais. “Nosso modelo de negócios está baseado na assinatura dos jogos e na venda de bens virtuais”, diz Guilherme Pereira e Oliveira, 41 anos, presidente da Gazeus. Um dos fundadores do site de namoro Par Perfeito, Oliveira está em sua terceira startup.

O que é melhor hoje? Copiar ou partir para uma ideia totalmente nova? Fundos nacionais, especialmente os públicos, destinam mais verba para ideias novas. “Muito do capital disponível no Brasil está nas mãos de investidores avessos a apostar na inovação não comprovada. Isso sinaliza uma direção errada aos empreendedores, que se preocupam menos com a inovação e mais com o dinheiro”, diz Yuri Gitahy, da Aceleradora, empresa que ajuda a acelerar projetos de startups.

Gitahy afirma que é importante que os empreendedores busquem o capital na hora certa, seja para um modelo adaptado ou para um totalmente inovador, que pode ser muito mais rentável. O estímulo financeiro a cópias pode gerar um certo comodismo.

Mas ainda há espaço para boas ideias. “Se chega a mim um projeto com escala global, sem paralelo nos Estados Unidos, tenho interesse em olhar e investir. O problema geralmente é como levar para o segundo estágio, para conseguir investimentos de venture capital”, diz Cassio Spina, da Anjos do Brasil, associação privada que aproxima empreendedores e investidores-anjo.

Mesmo com uma fórmula pronta, para fazer sucesso com um copycat não basta estar no mercado. “A réplica não é o único caminho, mas ele é muito viável. Implementar daqui um modelo de fora requer, sim, muita inovação”, diz Michael Nicklas, diretor do fundo Ideiasnet. “Qualquer negócio é formado por 90% de execução e 10% de inovação. Você não pega um modelo e executa direto em outro país. É precisa adaptá-lo.”

Não há dúvidas de que o atual grupo de novos empreendedores está mais maduro, mas isso não é garantia de sucesso. “Das mais de 2 200 empresas que estão ou já passaram pelo BizSpark, cerca de 30% morreram. O importante é que a empresa morre, mas o empreendedor, não. Ele deve buscar outros negócios”, diz Silvia Valadares, gerente de desenvolvimento da economia local de software da Microsoft. O programa BizSpark, da Microsoft, completará três anos em novembro e acompanha novas empresas, investindo indiretamente, com licenças de software e consultoria.

Os investidores destacam que os brasileiros ainda precisam ter mais visão de longo prazo e ímpeto gerencial. “Às vezes precisamos buscar empreendedores de fora para gerenciar negócios no Brasil”, afirma Martín, do fundo espanhol IG Expansión. Isso acontece porque o brasileiro ainda não está acostumado a sair da universidade com a convicção de abrir uma empresa. As primeiras opções costumam ser encontrar sempre um emprego público ou numa multinacional. “Nos Estados Unidos, a primeira coisa que os estudantes pensam é ter uma startup de sucesso. É preciso conviver com essa possibilidade na universidade”, diz Bedy Yang, da Brazil Innovators. O paulista André Nazareth sempre quis abrir uma empresa, mas não sabia quando seria o momento certo. Depois de uma temporada de um ano no Japão, voltou com uma ideia e a apresentou aos amigos Danilo Campos, Bruno Branta e Luciano Frezzatto, do curso de engenharia da computação da Unicamp. “Mostrei e já começamos a modificá-la. Não existe uma ideia espetacular que vai mudar o mundo. O que existe é uma ideia bem trabalhada”, diz Nazareth. Das conversas nasceu o MeuCarrinho, um comparador de preços de produtos vendidos em supermercados com uma versão para web e outra para smartphones.

O consumidor usa a câmera do celular para ler o código de barras do produto e, assim, comparar o preço com o praticado em outros supermercados. Ainda em versão protótipo, o projeto foi um dos quatro vencedores do desafio Sua Ideia Vale 1 milhão, lançado pelo site BuscaPé, que comprou 30% do projeto, por 300 mil reais. “Para nós o BuscaPé é mais do que um investidor. Há uma sinergia muito grande entre as empresas e eles têm o conhecimento de mercado de que precisamos”, afirma Nazareth.

Não são só os investidores que se interessam pelo Brasil. Empreendedores estrangeiros também estão de olho no país. É o caso dos argentinos Frank Martin e Franco Silvetti, ambos de 26 anos, fundadores do serviço Restorando, que divide suas operações entre Buenos Aires e São Paulo. Sucesso portenho, o site faz reservas online em restaurantes e licencia um software para os estabelecimentos organizarem as mesas. “Mais de 70% dos nossos recursos serão investidos no Brasil”, diz Martin. O Restorando cresce 300% ao mês e espera somar 1 600 restaurantes até o fim deste ano, metade em cada país.

No final de 2010, a startup dos argentinos recebeu um aporte de capital do fundo de investimento Atomico, criado por Niklas Zennström, um dos fundadores do serviço de telefonia Skype.

O Atomico investiu também no CinemaKi, portal de cinema criado em Buenos Aires que usa dados das redes sociais para indicar filmes. Ainda sem escritório no Brasil, o site já fechou parceria com o canal de cinema do iG. O negócio inclui um aplicativo para celular que localiza os cinemas mais próximos de onde estão os consumidores. No futuro, incluirá recomendações de amigos, para facilitar a escolha dos filmes. “Temos 1,3 milhão de visitas mensais, mas nosso objetivo é chegar a 10 milhões até o final de 2012”, diz o argentino Matías Garcia, um dos fundadores.

Já o Baby.com.br, portal criado por dois americanos, deve começar a operar até o fim do ano, com a venda de produtos para bebês e crianças de até três anos. A ideia não é nova e surgiu quando um dos sócios, Kimball Thomas, teve dificuldades para encontrar fraldas para seu filho durante férias no Rio de Janeiro. Formado na Harvard Business School, Thomas associou-se ao primo Davis Smith para abrir o negócio no Brasil.

Eles não divulgam o valor do capital que receberam, mas dizem que está entre os maiores que uma startup já teve no país. “O site terá tudo o que uma mãe precisa comprar enquanto o bebê dorme”, afirma Smith, pai de duas meninas. Ele resume em uma frase o sentimento que parece coletivo: “Acreditamos no Brasil”. Os investidores estrangeiros também, para alegria dos 44 empreendedores ouvidos em São Paulo pelo Redpoint Ventures. Agora eles aguardam ansiosos por uma resposta positiva do fundo.

Fonte: http://info.abril.com.br

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Empresas nascentes se apresentam no 11º Seed Forum FINEP!

Empreendedores inovadores têm a chance de ficar frente a frente com os maiores investidores de capital semente do país - tanto instituições, como pessoas físicas (anjos). Durante o 11º Seed Forum Finep (fórum de capital semente), 16 empresas fluminenses de base tecnológica terão a oportunidade de apresentar negócios promissores e fechar parcerias para obtenção de capital. O evento acontece dia 21 de outubro de 2011, na Bolsa do Rio, e as informações sobre as inscrições podem ser obtidas no telefone (21) 2555-0847 ou por intermédio do e-mail forum@finep.gov.br.

Desde 2000, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), via Inovar, já realizou 34 fóruns, tendo capacitado e apresentado para os investidores cerca de 300 empresas. Aproximadamente 20% desses empreendimentos foram investidos após os fóruns.

No dia 27 de setembro, um workshop apresentou para cerca de 50 investidores anjos os benefícios do Seed Forum e do investimento em negócios nascentes. O objetivo era fornecer um conjunto mínimo de conhecimentos e ferramentas necessárias para a prospecção, valoração, negociação e legalização de investimentos em startups inovadoras.

Esta nova ação faz parte agora do processo de elaboração dos fóruns. O papel da Finep é o de atrair os investidores anjos, um capital ainda pouco mobilizado, para investimentos em empresas nascentes que se diferenciam pela inovação.

Temas como estratégia de negociação, acompanhamento e governança de empresas, aspectos jurídicos de operações de investimento, além de apresentações de casos de sucesso, estiveram na pauta. Foram ouvidos diversos especialistas do mercado de venture capital.

INVESTIMENTO ANJO

Até pouco tempo desconhecido no Brasil, o conceito de investimento anjo vem conquistando espaço nos negócios realizados por aqui. Geralmente, está relacionado a profissionais com ampla experiência de mercado ou empreendedores que já venderam suas empresas e estão em busca de novas oportunidades de investimento.

Atuando sozinhos ou unidos a outros anjos nas chamadas associações ou redes de anjos, buscam participação em projetos com alto potencial de valorização e retorno, mas que, devido ao estágio de desenvolvimento das empresas, também apresentam riscos consideráveis.

Nos Estados Unidos, este tipo de investimento é muito comum e representa uma das principais fontes de financiamento para firmas nascentes inovadoras. Em 2010, os anjos norte-americanos aplicaram US$ 20 bilhões em cerca de 62 mil empresas inovadoras. A gigante Google, por exemplo, teve sua gênese condicionada à "bênção" de alguns anjos.

SELEÇÃO DO SEED FORUM


Para o Seed Forum, são selecionados empreendimentos em estágio pré-operacional ou operacional com faturamento de até R$ 16 milhões/ano. Após o período de inscrição, acontece a pré-seleção dos projetos, realizada por uma equipe especializada da Finep.

A partir daí, os empreendimentos pré-qualificados são convidados a se apresentarem à banca de seleção do evento, composta por analistas da Financiadora, consultores de mercado e investidores. Este time de especialistas define quais empreendimentos efetivamente participarão do Seed Forum.

Os selecionados, então, seguem para um período de dois meses de treinamento promovido pela Finep e seus parceiros, no qual são abordadas questões tecnológicas, mercadológicas e financeiras, além do aperfeiçoamento das apresentações aos investidores.

O 11º Seed Forum Finep será realizado em parceria com o Instituto Educacional BM&FBovespa, a Rede de Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Redetec), a Rede de Incubadoras, Parques Tecnológicos e Pólos do Rio de Janeiro (ReINC) e a Gávea Angels, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) / Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin).

Fonte: www.finep.gov.br

domingo, 9 de outubro de 2011

FINEP realiza 2º Workshop técnico para investidores anjos

A FINEP realizou no dia 27/09, um Workshop em que apresentou para cerca de 50 investidores pessoas físicas, os chamados "anjos", os benefícios do Seed Forum e do investimento em negócios nascentes. O objetivo é fornecer um conjunto mínimo de conhecimentos e ferramentas necessárias para a prospecção, valoração, negociação e legalização de investimentos em empresas nascentes inovadoras. Esta nova ação do Inovar faz parte agora do processo de elaboração dos fóruns de capital semente (Seed Fórum). O papel da FINEP é atrair os investidores anjos, um capital que ainda não está mobilizado para investimentos em empresas que se diferenciam pela inovação.

O Seed Forum é um processo de seleção e capacitação empresarial que aproxima os empreendedores participantes a potenciais investidores. O próximo fórum vai ocorrer no dia 21/10, no Centro de Convenções da Bolsa do Rio. Desde 2000, a FINEP já realizou 34 fóruns, tendo capacitado e apresentado para os investidores cerca de 300 empresas. Aproximadamente 20% desses empreendimentos foram investidos após os fóruns.

"A ideia é que o Workshop sirva de estímulo e orientação para todos aqueles interessados em investir em empresas inovadoras emergentes, com alto potencial de crescimento e retorno", destacou Rochester Gomes, chefe do Departamento de Capital Semente da FINEP.

Durante o Workshop, especialistas debateram os principais aspectos e diferenciais relativos ao aporte financeiro e intelectual em negócios promissores. Temas como identificação de oportunidades e estratégias de negociação, avaliação econômica de empresas candidatas a recursos, acompanhamento e a governança de empreendimentos investidos, aspectos jurídicos envolvidos em operações de investimento e construção de portfólio estiveram em pauta.

Até pouco tempo desconhecido no Brasil, o conceito de investimento anjo vem conquistando espaço nos negócios realizados por aqui. Geralmente, está relacionado a profissionais com ampla experiência de mercado ou empreendedores que já venderam suas empresas e estão em busca de novas oportunidades de investimento.

Redes de anjos

Atuando sozinhos ou unidos a outros "anjos" nas chamadas associações ou redes de anjos, buscam participação em projetos com alto potencial de valorização e retorno, mas que devido ao estágio de desenvolvimento das empresas também apresentam riscos consideráveis.

Nos Estados Unidos, este tipo de investimento é muito comum e representa uma das principais fontes de financiamento para firmas nascentes inovadoras. De acordo com Cassio

Spina, da Anjos do Brasil, em 2010, os anjos norte-americanos aplicaram US$ 20 bilhões em cerca de 62 mil empresas inovadoras. A gigante Google, por exemplo, teve sua gênese condicionada à "bênção" de alguns anjos.

"O objetivo da Anjos do Brasil é incentivar a formação de grupos/redes regionais de anjos para alavancar este tipo de investimento no país. A ideia é que empreendedores de todos os estados tenham oportunidade de receber suporte", disse Spina em sua palestra.

Criada em 2002, o Gávea Angels é uma das organizações brasileiras já existentes formada pelos chamados angel investors. Para Antônio Botelho, um dos investidores do grupo, as vantagens da atuação coletiva residem na diversificação do portfólio de investimentos, diluição de riscos e também na troca de experiências entre os componentes. Hoje, são 23 associados.

"Quem quiser apenas dinheiro, melhor procurar um banco. Como dividimos lucros e perdas ao associarmos o nosso capital, a principal contribuição do grupo é a experiência que podemos trazer para o posicionamento estratégico e de negócio das empresas", afirmou Botelho.

Ele salientou que sobreviver ao funil para a obtenção de investimento do Gávea não é tarefa das mais simples. Os números comprovam: são cerca de 100 pedidos de investimento por semana, mas desde a criação do grupo foram realizados apenas seis aportes.

Internet: campo inesgotável

Com 10 anos de operação, a DGF Investimentos vai lançar o DGF Inova, Fundo Mútuo de Investimentos em Empresas Emergentes (Fmiee), que pretende levantar R$ 50 milhões. A bordo de oito anos de experência em gestão de fundos de venture capital no Vale do Silício (EUA), o executivo Patrick Arippol foi contratado para dirigir o novo fundo.

"O investidor precisa ter um foco específico. Não existe limitação em segmentos, mas é comum mirarmos em projetos nascentes ligados à área de TICs (tecnologias de informação e comunicação), Internet, mobile", contou ele em sua palestra sobre avaliação econômica das empresas.

Pierre Schurmann, da Bossa Nova Angels, fez coro com Arippol: "Nosso foco são startups tanto B2B (Business to Business , nome dado ao comércio associado a operações de compra e venda, de informações, de produtos e de serviços através da Internet) quanto consumer internet que tenham potencial de expandirem além do Brasil", explicou.

O carioca André Street conhece bem este leque de possibilidades da grande rede. Criou seu primeiro negócio, a PagaFácil, aos 15 anos, quando ainda estava no colégio. Aos 23, já tinha participações em quatro companhias, uma delas a Braspag, empresa de soluções de pagamento on-line vendida em maio pelo Grupo Silvio Santos para o Grupo Cielo.

Hoje, com 27, virou investidor reconhecido: é um dos sócios da Arpex Capital, grupo com forte histórico empreendedor que busca ajudar empresários a construir negócios de sucesso no Brasil e no exterior. "É fundamental entender do negócio em que vai investir e saber as intenções do empreendedor. Não existe construção de portfólio pautada por amizade", afirmou.

Consultor jurídico especializado em operações de investimento, o advogado Rodrigo Menezes, da DERRAIK SS, também ressaltou a importância de o investidor conhecer a fundo as intenções do empresário que busca capital. "Vocês devem se cercar de todas as documentações, mas o principal é investir apenas em quem se confia para evitar dor de cabeça mais à frente", finalizou.

O 2º Workshop Técnico para Anjos foi uma realização da FINEP, BM&FBOVESPA, Gávea Angels, Rede de Tecnologia e Inovação, Rede de Incubadoras, Pólos e Parques Tecnológicos do Rio de Janeiro (ReINC), com apoio do BID/FUMIN.

Fonte: http://www.venturecapital.gov.br

domingo, 3 de julho de 2011

Brasil - Uma fonte de atração para Investidores "Anjos".

Os investimentos de “anjos” começam a ganhar destaque no Brasil. A modalidade, já bastante difundida nos países desenvolvidos, atrai pessoas que apresentam desenvoltura em gestão e acumulam experiência como executivos em grandes empresas ou em negócios próprios.

Com um perfil arrojado, a maior parte destes aplicadores está na faixa de 45 e 55 anos e têm uma renda anual média de R$ 250 mil. Os anjos costumam colocar em torno de 40% do capital necessário para a realização do negócio. Os investimentos variam entre R$ 15 mil e R$ 300 mil e quase sempre exigem participação ativa na gestão. E desde o ano passado aumentou o número de “anjos” que investem R$ 1 milhão ou mais em negócios nascentes.

O investidor individual ativo é aquele que aporta capital próprio em empresas nascentes, apostando no potencial de crescimento de valor demercado. Embasados nas experiências profissionais anteriores, os anjos tendem a se envolver nos negócios em que investem. Eles dão suporte na identificação, prospecção e desenvolvimento de seleção dos negócios imperdíveis e na formação de equipes. Além disso, trazem uma rede de relacionamentos construída em anos de atuação no setor.

Os “anjos” tomam suas próprias decisões. Dessa forma, influenciam o negócio e têm impacto sobre o resultado. "Este tipo de investimento é de risco e quem aposta nesta modalidade é uma pessoa sofisticada, de perfil peculiar. O aplicador traz na bagagem a experiência adquirida ao longo da vida profissional, o que tende a auxiliar positivamente as novas empresas”, diz José Antônio Pimenta Bueno , coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Instituto Gênesis da PUC-Rio.

“O ‘anjo’ é um investidor ativo, ou seja, não é aquele que fica observado as oscilações do mercado pelo monitor do computador. Ele tem a chance e a competência para intervir”, completa Pimenta Bueno.

Na opinião do analista, este tipo de negócio é interessante porque integra a experiência dos “anjos” com o arrojo dos jovens empreendedores. “Muitas vezes, estas novas empresas surgem muito competentes em áreas específicas, mas vêm com deficiências em outros segmentos e é aí que o ‘anjo’ pode fazer a diferença”, afirma.

No Brasil ainda não existe instituição responsável por fiscalizar todos os investidores “anjos”, mas os analistas afirmam que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) contribui de forma eficaz para estimular o difundir esse conceito. De acordo com as estimativas dos especialistas, o Brasil tem 200 mil “anjos” investidores em potencial e que podem investir, anualmente, cerca de R$ 3 bilhões em empresas brasileiras.

Apostar na modalidade é apontado como boa alternativa para pessoas que
têm não apenas dinheiro, como também tempo disponível para cuidar do investimento. “O investidor não aplica apenas o dinheiro, ele aplica seus conhecimentos”, diz Ernesto Weber , diretor da Gávea Angels, que já contou com um “anjo” aplicando R$ 1 milhão em uma empresa nascente.

Nos Estados Unidos, onde a modalidade é bem difundida, investe-se, anualmente, cerca de US$ 50 bilhões. Lá eles são considerados como fonte criadora de novos negócios e são vistos como agentes da inovação, propulsores da economia e impulso para mover jovens. Vale lembrar que duas das empresas mais ricas do mundo nasceram com o auxílio de investidores “anjos”: Google e Microsoft.

Na Europa, os dados divulgados pelo Instituto Gênesis mostram o valor aplicado está estimado em 600 milhões de euros em 2006 e o porte médio do investimento gira em torno de 100 mil euros. De acordo o Instituto Empreender Endeavor, o Brasil é o oitavo país mais empreendedor do mundo, o que torna o País uma fonte de atração dos “anjos”.

Fonte: http://www.administradores.com.br