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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Demanda por crédito para inovação atinge R$ 68 bilhões

A demanda por financiamentos para tecnologia e inovação é muito maior do que a Finep esperava para este ano: foram R$ 68 bilhões em demanda, contra uma oferta de R$ 32,9 bilhões anunciada em março.

Uma das razões para o aumento da demanda, no caso da própria Finep, é que o tempo necessário para a contratação do crédito para os projetos foi drasticamente encurtado. Em 2010, diz Glauco Arbix, presidente da Financiadora, chegava a 452 dias, e atualmente é de no máximo 30 - isso ajudou a elevar também o número de empresas que se cadastraram na Finep: foram 1.114 nesse período, mais do que o total cadastrado nos 46 anos de existência do órgão.

Arbix diz que não há uma resposta imediata para a demanda: “O Brasil não tem um sistema que ofereça investimentos em médio e longo prazos para pesquisa e desenvolvimento, e infelizmente é assim no mundo inteiro”. Bancos privados, por exemplo, não financiam iniciativas desse gênero, porque o risco é muito alto, diz ele.

Conseguir financiamento nem sempre é o principal problema em pesquisa, desenvolvimento e inovação, observa o professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, Ruy Quadros, que coordena o curso de “Especialização em Gestão Estratégica da Inovação Tecnológica”, cujo objetivo é capacitar profissionais já experientes a mobilizarem conhecimento e competências tecnológicas para criar novos produtos, processos, serviços e negócios. Os grandes problemas são justamente aqueles tratados no curso: “Os alunos precisam de uma visão integrada desde a gestão do projeto em nível micro, passando pela visão estratégica, planejamento de tecnologia, indo até a visão do sistema de P&D no Brasil”, explica o Quadros.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - (Com informações do Valor Econômico)

domingo, 28 de julho de 2013

UE dobra verba para parcerias público-privadas em pesquisa e inovação

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, pretende dobrar a verba pública disponível para as chamadas Iniciativas Conjuntas de Tecnologia (JTIs, na sigla em inglês), parcerias de pesquisa e desenvolvimento firmadas com a iniciativa privada. Estabelecidas em 2007, as JTIs receberam € 3,12 bilhões (R$ 9,2 bilhões). Para o período 2014-2020, a previsão é de € 6,44 bilhões (R$ 19 bilhões).

Das cinco iniciativas criadas em 2007, três serão mantidas, e duas, fundidas num projeto único. Além disso, uma nova quinta iniciativa – para criar substitutos, sem origem fóssil, para os produtos petroquímicos usados na indústria – será estabelecida.

Os programas mantidos até 2020 são o Células de Combustível e Hidrogênio, para a pesquisa, desenvolvimento e demonstração da eficácia dessas tecnologias, que podem ser utilizadas para acumular energia e também para substituir os combustíveis fósseis em veículos, na Europa; o Céu Limpo, para a criação de tecnologias que tornem os aviões mais amigáveis para o meio ambiente, por meio da redução de ruído e das emissões de carbono; e a Iniciativa de Inovação Médica, com verba de € 2 bilhões.

Essa Iniciativa tem o objetivo de apoiar o processo de desenvolvimento de novas drogas, com a criação de redes de especialistas na academia e na indústria. A segunda fase desse programa terá metas específicas para a criação de novos medicamentos, como antibióticos.

Serão fundidos os programas Artemis e Eniac. Ambos lidavam com tecnologia eletrônica – o Eniac, especificamente, com nanoeletrônica – numa iniciativa única, a de Sistemas e Componentes Eletrônicos. O novo programa criado, para reduzir o uso de derivados de petróleo em processos industriais, será chamado de Indústrias Biobaseadas.

“As JTIs terão objetivos mais claros e ambiciosos, contribuindo diretamente para a competitividade e os objetivos de política pública da UE”, diz o relatório que apresenta as propostas para o período 2014-2020. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros da União.

Na documentação preparada para explicar o lançamento das Iniciativas, a Comissão Europeia diz esperar que as parcerias “estimulem investimento europeu em pesquisa, construam massa crítica ao unir esforços fragmentados e garantam uma administração eficaz e eficiente” dos programas.

“A Europa precisa investir mais e melhor em pesquisa e inovação”, afirma relatório publicado no início de julho, intitulado Parcerias Público-Privadas no Horizonte 2020: uma poderosa ferramenta para produzir inovação e crescimento na Europa. “Horizonte 2020” é o nome do programa europeu de investimento público em pesquisa científica.

O relatório prossegue: “Mais pesquisa e mais inovação são críticas para criar um crescimento econômico sustentável e empregos, além de reforçar a competitividade internacional da Europa”.

O trecho do trabalho sobre as JTIs afirma que o investimento público de € 3,12 bilhões foi correspondido por um aporte privado de € 4,66 bilhões, e que houve “progresso” e que já aparecem “sinais de impacto”. Mas a implementação, nos primeiros sete anos, também não ficou livre de problemas.

“Os relatórios e avaliações também apontaram algumas fraquezas”, diz o texto. “Essas dizem respeito, principalmente, à necessidade de um comprometimento mais forte dos parceiros da indústria, com métricas mais claras para esse comprometimento”. O trabalho também aponta a necessidade de “mais clareza” no estabelecimento das parcerias e na definição de objetivos, além de cobrar uma “maior abertura a novos participantes”. Também são mencionadas sugestões para reduzir a burocracia, principalmente na questão do financiamento.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - Com informações do Inovação Unicamp

terça-feira, 11 de junho de 2013

A importância dos incentivos fiscais na ampliação do investimento em P&D

Até o fim de 2014, o objetivo é que investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), entre setor público e privado, atinja 1,8% do PIB nacional², o que é, sem dúvida, um grande desafio

Entre 2000 e 2010, o Brasil manteve os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) praticamente estáveis em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB). A taxa ficou próxima a 1% durante a década. Se compararmos esse dado ao de outros países, como os membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, em que a média é de 2,3%¹, vemos que se trata de uma taxa de investimento baixa para a sétima economia do mundo. Com isso, o governo Dilma tem tratado com prioridade o tema e traçado metas arrojadas para o país nos próximos anos. Até o fim de 2014, o objetivo é que investimentos em pesquisa, entre setor público e privado, atinja 1,8% do PIB nacional², o que é, sem dúvida, um grande desafio.

Diante desse cenário, o governo federal lançou importantes iniciativas para ampliação dos investimentos em P&D no país nos últimos anos. Dentre as várias frentes que poderíamos destacar, vamos nos concentrar na importância dos incentivos fiscais como ferramenta de ampliação dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Podemos ressaltar um dos principais, a Lei nº 11.196/05, conhecida como Lei do Bem, que incentiva o investimento em P&D nas empresas por meio de benefícios fiscais, ou seja, abatimentos no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

Desde 2006, primeiro ano de vigência da lei, até 2011, o montante dos recursos investidos pelas empresas em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação atingiu R$ 38,8 bilhões³. A expectativa é a de que, nos próximos anos, os investimentos aumentem ainda mais em comparação aos anos anteriores, muito em função da entrada de novas empresas para aproveitamento dos incentivos fiscais.

A Lei do Bem beneficia empresas enquadradas no regime de Lucro Real. No Brasil, como se sabe, aquelas que possuem faturamento superior a R$ 48 milhões por ano são obrigadas a estar nesse regime fiscal (esse valor deverá subir para R$ 72 milhões⁴ a partir do ano que vem). Outras empresas com faturamento menor não são obrigadas, mas podem optar pelo Lucro Real caso seja vantajoso; no entanto, isso por si só já representa uma grande exclusão de negócios potenciais a explorar o benefício. Além dessa limitação natural, sabe-se que muitas empresas simplesmente não possuem conhecimento deste importante instrumento de incentivo fiscal, que dá benefícios àquelas que correm riscos para inovar.

Há a necessidade de aproveitar o momento oportuno em que o governo reconhece a importância do investimento em P&D para avaliar mudanças em Leis de Incentivo Econômico, principalmente na Lei do Bem, diretamente ligada ao incentivo à inovação. Um esforço no sentido de incluir outras empresas em regimes como o Lucro Presumido ou até as empresas no Simples Nacional, Créditd'impôt recherche, principal instrumento de incentivo fiscal à inovação), independentemente de seu tamanho. Além disso, há outras vantagens, como poder retroagir os investimentos realizados em anos anteriores. Isso não é possível na Lei do Bem. Comparada ao incentivo francês, a Lei do Bem é relativamente nova, tem apenas sete anos (na França o incentivo surgiu em 1983, portanto, é algo bastante consolidado e maduro).

Sem dúvida, a criação da Lei do Bem é um importante marco na questão de incentivo à inovação no país, bem como todos os recentes programas criados, como o Plano Brasil Maior, o Inova Empresa, Inova Energia, dentre outros apoiados por órgãos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a FINEP – Agência Brasileira de Inovação. São iniciativas louváveis que merecem crédito. No entanto, é preciso aproveitar o bom momento brasileiro para evoluir nossos mecanismos de incentivo à inovação como uma forma de investir no futuro do país, seja com a maior competitividade, na geração de emprego e renda, e, em última análise, com a meta de ampliação dos investimentos em P&D no PIB brasileiro.

Fonte: http://www.administradores.com.br/ - By Daniel Dal’laqua dos Santos - Coordenador de Marketing na F. Iniciativas Brasil

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Como aumentar investimento público e privado em inovação?

O segundo painel do fórum Estadão/FINEP buscou responder como é possível aumentar os investimentos tanto do governo, quanto de empresários, em inovação. Daniel Randon – Presidente da Fras-Le e Membro do Comitê Executivo das Empresas Randon, Pedro Luiz Passos –Co-presidente do Conselho de Administração da Natura, Alexandre Birman – Presidente da Arezzo e Wolney Betiol – Presidente do Conselho de Administração da Bematech foram unânimes ao afirmar que, para estimular a inovação, é necessário aumentar a competitividade. “A taxa de inovação por aqui ainda é baixa porque a competição é baixa”, destacou Pedro Luiz Passos, ressaltando que as discussões de governo e empresários precisam atuar para uma modificação desse panorama.

Para eles, as leis trabalhistas são extremamente importantes, mas atrapalham a competitividade do mercado brasileiro em alguns aspectos. “É mais barato hoje montar um centro de P&D nos Estados Unidos do que aqui”, disse Wolney Betiol, destacando que a Bematech surgiu durante a abertura de mercado, promovida pelo Governo Collor, nos anos 90.

“Quando todas as empresas tradicionais estavam balançando com a entrada da concorrência estrangeira... Foi aí que decolamos. Já começamos num ambiente que, para se desenvolver, precisávamos inovar e driblar a concorrência”, afirmou o dirigente da empresa do ramo tecnológico.

Tudo começou com um investimento anjo. Foram US$ 150 mil num primeiro momento. Em 1999, o BNDES virou acionista. Em 2007, já abria seu capital. Hoje, tem um faturamento de 5 a 10% em P&D. “Como sociedade, o Brasil precisa entender que, para apesentar um ambiente de inovação, precisamos ter estabilidade econômica. O governo é o indutor, mas as empresas é que têm de construir. Investimento em inovação é investimento de risco, e foi o que fizemos desde o começo: arriscar”. Por fim, provocou: "que tal um processo nos moldes do que se fez com Lei Rouanet para empresas que inovam?".

Pedro Passos contou que a Natura já nasceu inovadora em 1969 – “um nome como este era bastante à frente do tempo naquela época, aqui entre nós” – e que o foco em biodiversidade foi a forma que encontraram para enfrentarem as gigantes multinacionais que existiam na época. O investimento hoje em inovação da empresa representa 3% da receita líquida e 65% do faturamento vem de produtos lançados nos dois últimos anos.

“Apesar dos bons resultados, enfrentamos problemas. E um deles é o do marco regulatório. Os assuntos regulatórios do Brasil dão muito mais problemas do que deveriam”, disse, destacando ainda que “o Brasil poderia ser um polo importante como agência de propriedade intelectual”.

Já Alexandre Birman, da Arezzo, lembrou que a empresa de calçados nasceu num fundo de garagem e que, para crescer, a inovação foi componente fundamental. E deu a receita: a partir dos anos 90, trabalhamos no trinômio branding (exposição da marca), desenvolvimento de novos produtos e franquias. “Lidamos com um público feminino que compra por impulso, ou seja, que é estimulado a comprar num passeio qualquer pela rua. Sabemos dessa característica romântica do nosso cliente e focamos nele”.

Para ele, o consórcio design e conforto é o grande chamariz da Arezzo, que já tem lojas espalhadas por diversos países do globo. O empresário elogiou a atuação da FINEP na promoção da inovação e pela sua recém-lançada iniciativa de dar resposta aos pedidos de financiamento em trinta dias: “este é papel do governo, pavimentar o caminho da inovação, que é protagonizado pelo setor produtivo”.

A Arezzo tem crescimento médio de 36% desde 2007. “Somos uma empresa verticalizada com amplo foco em P&D”, frisou. Birman não deixou de destacar os problemas que enfrenta no caminho para crescer inovando: “No tocante às leis trabalhistas, falta de clareza na relação comercial entre fornecedores e clientes. Recentemente, fomos processados por um motivo que tinha a ver com um fornecedor nosso que fechou as portas, e não com a gente”, lamentou.

Daniel Randon contou que sua empresa, do segmento de transporte de cargas, conta com 13 mil colaboradores e que 20% de sua receita é proveniente do mercado externo, que também é seu histórico principal competidor. “O meu preço de produto quase não teve inflação nos últimos 10 anos. Mas o custo de energia e mão-de-obra cresceu. Sem falar nos custos de matéria-prima. Desse jeito, só inovando. Há um jogo desigual com países que não têm leis trabalhistas. As empresas precisam se reinventar”.

Randon disse ainda que “quando o orçamento aperta, sangra primeiramente o departamento de P&D, o que é um erro”. “A concordata em 88 foi dureza, mas nos fez melhorar. Investindo em P&D o resultado é arriscado, mas positivo”, finalizou.

Fonte: http://www.finep.gov.br/

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Os segredos de empreendedorismo das startups de TI

Celebrada como a maior festa das comunidades digitais do País, a Campus Party assumiu neste um perfil negocial. Não deixou de lado seu estilo geek-nerd-gamer-futurista, mas deu novo grau de relevância a questões como empreendedorismo e inovação, aproximando ciência e criatividade do mundo empresarial e dando boas dicas de como startups e pequenos empreendedores podem aprender com as grandes empresas e com os investidores – e vice-versa.

Realizado no fim de janeiro, o evento completou este ano sua sexta edição no Brasil com atividades em torno dos pilares empreendedorismo, educação inovadora e criação colaborativa. Foram 7,6 mil participantes, dos quais 5,5 mil acamparam no Parque Anhembi, em São Paulo. Novidades como o Cross Space, ponto de encontro entre empreendedores, investidores e empresas, e a Maratona de Negócios, que premiou com apoio do Sebrae modelos de startups desenvolvidas pelos participantes, reforçaram a tendência de estimular oportunidades de negócios e, ao mesmo tempo, ajudaram a desenhar um cenário que também está estimulando a busca de novas possibilidades por companhias com foco em crescimento e diferenciação em seus mercados.

As iniciativas premiadas no evento dão dicas do que está sendo valorizado no momento. Na Maratona, onde cada uma das 36 equipes teve cinco minutos para se apresentar ao júri formado por representantes do Sebrae, da Campus Party e de quatro investidores que atuam na área de inovação, as ideias de serviços e soluções tecnológicas foram premiadas com orientação da entidade e vagas no programa Empretec, de desenvolvimento de empreendedores, e devem ser úteis para os grandes eventos esportivos. Já o Hackathon, também criado pelo Sebrae, desafiou programadores a criarem ao longo de uma maratona de 17 horas aplicativos em software livre, com base na metodologia Canvas, para ajudar empreendedores a desenhar modelos de negócios.

A questão é que ter a ideia e desenhá-la é só o começo – colocá-la em prática é outra história, mas é isso que os investidores valorizam. “O projeto no papel é bacana. Mas precisamos avaliar a capacidade de transformá-lo em algo concreto”, diz Cássio Spina, da Anjos do Brasil, organização criada para apoiar o desenvolvimento de inovação por investidores anjo. Segundo ele, eles buscam em geral negócios que tragam algo diferente do que já existe, inovações transformadoras ou incrementais que apresentem vantagens competitivas em produtos, serviços ou modelos de negócios ou produção. Mas sempre de olho na capacidade de execução do empreendedor. “Histórico e desempenham aumentam a atratividade. Ganham pontos protótipos, provas de conceito, aquilo que foi feito com recursos próprios”, descreve. Ter clientes de fato que comprovem a demanda, claro, é a cereja do bolo.

“Execução é a característica-chave do bom empreendedor”, concorda Carlos Pessoa, diretor da Wayra Brasil, aceleradora do grupo Telefônica nascida para estimular iniciativas nas áreas de inovação e tecnologia. Ex-Endeavor, ele traduz a capacidade de execução como foco total na ideia, com mobilização de recursos escassos para fazê-la acontecer. O interessado que larga tudo para se dedicar ao seu projeto? É esse que vai dar certo, diz. “Entre o cara que gastou mil horas para formatar um plano de negócio e o outro que gastou cem para colocar um site no ar, mas já tem visitantes, priorizamos o segundo”, exemplifica. “No empreendedorismo digital tempo é o recurso mais escasso. A janela de oportunidade dura pouco, alguém pode ter a mesma ideia e criar mais rápido.”

A criação da Wayra há pouco mais de dois anos foi a maneira que a operadora encontrou para buscar inovação também fora de casa. A iniciativa chegou ao Brasil em 2011 e ganhou o apoio do fundo de capital de risco Amérigo, nascido no ano passado com adesão dos governos da Espanha, Colômbia, Chile e Brasil com capital inicial em torno de 300 milhões de euros – o investimento inicial da Telefônica soma 68 milhões de euros em cinco anos. A aceleradora já tem em seu portfólio 120 iniciativas em 12 países, uma dezena delas no Brasil, onde cada uma recebeu 100 mil reais e suporte como espaço físico, infraestrutura, apoio à gestão e ferramentas para concretizar a ideia inicial, da qual a Wayra se torna sócia minoritária.

Uma das investidas da Wayra por aqui é a Qranio, de Samir Iásbeck, animado empreendedor que, aos 31 anos, já vendeu picolé, montou salão de cabeleireiro, lava rápido e empresa de software – a Emiolo.com, a única bem-sucedida e que deu origem ao novo empreendimento. A história de Samir dá mostras da capacidade tão celebrada pelos investidores. Formado em administração, era funcionário exemplar de uma empresa enquanto dedicava salário e horas extras a iniciativas particulares, até que optou pela demissão e priorizou o negócio de desenvolvimento de sistemas. Foi quando percebeu que alguns produtos com tíquete maior podiam ser turbinados, mas outros davam prejuízo, como o Qranio.

Só que o aplicativo criado para fazer do aprendizado uma brincadeira era um xodó do ex-estudante distraído a quem o sistema tradicional de ensino teve apelo zero. E mereceu tratamento especial. Iásbeck estudou tudo que envolvia gamificação e e-learning, chamou para cofundadores de uma nova empresa dois funcionários da Emiolo – Giancalos Menezes e Flávio Augusto –, e, quando a plataforma chegou a dois mil usuários, decidiu-se pela dedicação exclusiva. Deu certo: depois de receber 100 mil reais da Wayra, a startup fechou no início do ano aporte de meio milhão de reais com o investidor anjo Gui Affonso. Hoje com 14 milhões de usuários cadastrados e uma equipe dedicada de 15 pessoas, já tem aplicativo para web, Android, iOS, Facebook e SMS, fechou acordo com a Vivo e com a Pepsico e está negociando com bancos para “gamificar” a educação financeira. E a Emiolo? “Tive mais êxito abandonando a empresa. A Qranio gera leads”, diz. “Foco é o mais importante. Fazer várias coisas ao mesmo tempo desqualifica e tive de jurar para mim mesmo não montar mais empresas.”

A Locaweb também decidiu expandir seu DNA de inovação ao mercado e criou, no ano passado, uma espécie de incubadora para acolher três startups escolhidas entre quase 400 inscritas no programa Startup Locaweb, em parceria com a Endeavor. A meta foi incentivar a inovação e o empreendedorismo com ideias, infraestrutura, conhecimento, networking e um prêmio de 30 mil reais – a empresa não tem participação nas iniciativas selecionadas e duas delas sequer têm muita ligação com os serviços prestados pela Locaweb, como as plataforma de pesquisa online Head Up e de crowdfunding Catarse (a outra é o site de demanda coletiva Taxei, que inverte a lógica das compras coletivas registrando primeiro o interesse de um grupo em determinado produto ou serviço para só depois ir atrás das ofertas).

“A inovação é um dos pilares da empresa. E o sucesso depende da paixão do empreendedor”, justifica o gerente de marketing institucional Luis Carlos dos Anjos. A própria Locaweb, empresa de hosting nascida em 1997 quando a internet ainda engatinhava no País, teve no modelo de negócios apoiado em um ecossistema de desenvolvedores de sites que fazem o papel de canal de vendas um de seus principais elementos de sucesso. Hoje, incentiva funcionários com prêmios, reconhecimento, tempo livre de duas a quatro horas semanais e espaços descontraídos para criarem soluções bacanas, como um sistema de telefonia baseado em software livre que consumiu dois anos de desenvolvimento, mas evitou a aquisição de um novo equipamento. Mas também surgem projetos menores, como a solução para colocar o cardápio do restaurante na intranet, criado por iniciativa própria de um colaborador.

Para quem se interessa em desenvolver o intraempreendedorismo como apoio ao processo de inovação, o gerente de startup network da Endeavor, Pablo Ribeiro, sugere inspiração e metodologia. Isso se traduz, de um lado, por aproveitar o legado de conhecimento gerado por outras empresas que deram certo (palestras e benchmark são enriquecedores neste sentido) e, de outro, buscar entender como criar soluções mais eficientes ou inteligentes que gerem mais valor para usuários ou clientes. “Isso vale desde processos, como marketing, recursos humanos ou P&D e para o mercado, com a criação de novos produtos e serviços”, pontua.

O especialista sugere a adoção do modelo lean startup, com ciclos menores de aprendizagem. Um exemplo é promover uma imersão com o consumidor, descobrir suas dores e, a partir destes insights, criar hipóteses e soluções, promovendo testes para validação do conceito antes da criação de produtos finais. “Quem inova erra, tem de partir dessa premissa. A questão é quanto tempo vai levar até acertar. A ideia é errar o mais rápido e barato possível e aprender com isso, até ter a solução matadora que atende a necessidade do mercado”, diz.

Outras formas

Em empresas grandes e mais engessadas o desafio pode ser resolvido com a terceirização, por aquisição de serviços ou de empresas menores ou com a criação de áreas independentes. Para menores, recursos compartilhados, inclusive com outras empresas, é uma das soluções. Empresas médias podem funcionar com comitês internos. A Acesso Digital, apoiada pela Endeavor, ganhou por duas vezes consecutivas a vice-liderança entre as melhores empresas para se trabalhar em TI com o apoio do empreendedorismo interno. Os funcionários são instados a criar projetos que vão desde oferecer a viagem dos sonhos para quem bater suas metas até a produção de videoteca para locação de jogos e DVDs. Quem sugerir o projeto se torna líder dele. “Estimula a cabeça de empreendedor dentro da organização”, destaca Ribeiro.

Segundo ele, o perfil ideal do empreendedor é aquele cujo sonho é maior que ele mesmo e tem foco em um legado para a sociedade. “Sonhar pequeno ou grande dá o mesmo trabalho. E querer ficar rico é muito pobre”, exemplifica. Mas, além do holofote que recai sobre a tecnologia de internet, quatro grandes pontos de atenção este ano em relação a tecnologia são redes sociais, nuvem, big data e mobile.

Box

Empresas maduras não ficam de fora

Nem só de startups vive o empreendedorismo. Empresas mais maduras podem ir a mercado adquirir este espírito fora de casa, mas um bom número está fomentando internamente seus colaboradores para ganhar mais visão de oportunidade de negócios e desenvolver projetos interessantes, inovadores e rentáveis.

A BRQ adotou este caminho. Além de uma área de fusões e aquisições que busca oportunidade de bancar empresas com negócios complementares – inclusive startups –, há três anos montou uma área de novos negócios e colocou lá dentro as ofertas mais inovadoras, relacionadas a cloud, redes sociais e mobilidade. Para vender com propriedade, fez de si própria alvo de projetos piloto estimulando as diferentes áreas a criarem programas de inovação em áreas como back office.

Um dos exemplos é a comunicação interna. Tradicionalmente apoiada em murais, ganhou solução em rede social, com vídeo. Hoje a BRQTube tem personagens entrevistadores e linguagem descontraída para o público mais jovem. Outro foi a migração do ambiente corporativo de e-mail e colaboração para a nuvem – hoje os equipamentos e as salas de videoconferência competem com soluções ponto a ponto na web e cada site novo já conta com espaço reservado para mesas de mobilidade, que são compartilhadas levando em conta que os funcionários podem estar em casa, no cliente ou na empresa acessando sistemas e informações por dispositivos móveis.

“Vamos dar o exemplo e servir de vitrine”, diz o vice-presidente Antonio Eduardo Rodrigues. A iniciativa rende também linguagem apropriada para o cliente interno das áreas de TI das empresas contratantes. “Temos mais propriedade e podemos fugir do ‘tequiniquês’”, alega o executivo. A nova área ainda é pequena, tem só 15 funcionários dedicados entre os quatro mil da empresa e gerou negócios de 2 milhões de reais, contra um faturamento global de 450 milhões de reais anuais. Mas, graças a ela, a BRQ já está estudando tecnologias como big data e iniciativas como o lançamento de softwares próprios como serviços.

Na Ci&T, que hoje tem 1,6 mil funcionários, quatro escritórios no Brasil, três no exterior (na Argentina, nos Estados Unidos e na China) e está abrindo um quarto na Europa, o desenvolvimento de inovação tem três focos direcionados ao público interno. O primeiro está relacionado à competitividade do negócio, baseado em desenvolvimento de software sob demanda e envolve questões relacionadas à atualização tecnológica e novos modelos de desenvolvimento. Outro é relacionado à “produtização” – a empresa começa a testar ofertas acopladas a modelos de serviços.

“O terceiro é o desenvolvimento de startups responsáveis por negócios ortogonais à empresa”, explica Flávio Pimentel, vice-presidente. O objetivo, neste caso, é auxiliar colaboradores que tenham interesse em criar ou intensificar negócios próprios com funding e apoio, desde que distantes do core business da Ci&T, que vai se tornar sócia da nova iniciativa. Ipanemagames.com, na área de games; Runner.com, plataforma de desenvolvimento para praticantes de corrida; e Markts.com, focada em social commerce, já compõem o programa, lançado em 2011, aberto a todos os funcionários e dividido em duas fases – na primeira empresa e funcionário desenham melhor o negócio e promovem testes e, na segunda, com mais maturidade, o responsável passa a se dedicar totalmente ao empreendimento para depois ser promovido o spin-off da empresa. “Até o fim do ano, pelo menos duas iniciativas atingirão este estágio”, adianta Pimentel.

Fonte: http://crn.itweb.com.br - Campus Party - 27 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pacote vai destinar R$ 30 bilhões à inovação

A presidente Dilma Rousseff deve anunciar até o fim do mês um conjunto de medidas que inclui uma linha de crédito subsidiado de quase R$ 30 bilhões para financiar investimentos das empresas em inovação e pesquisa. Os recursos serão direcionados a seis setores produtivos, até o fim de 2014.

No pacote, o governo também vai anunciar a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que será responsável pela intermediação das empresas com os institutos tecnológicos federais, e de um “Observatório da Inovação”, que vai acompanhar o avanço da pesquisa e desenvolvimento (P&D) no País.

Além disso, o governo deve estender às empresas optantes do programa Simples Nacional os benefícios tributários previstos na Lei do Bem, que reduz impostos para empresas que apliquem em P&D e registrem patentes.

A meta geral do novo pacote do governo é elevar, até o fim de 2014, os investimentos gerais (públicos e privados) do País em inovação para algo como 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, o investimento em inovação é de 1,4% do PIB.

Terão acesso aos quase R$ 30 bilhões em financiamento subsidiado os setores considerados “prioritários” no Plano Brasil Maior (a política industrial e de comércio exterior do governo Dilma): complexo industrial da saúde, etanol, petróleo e gás, defesa, tecnologia da informação (TI) e energias renováveis.

Estimativas internas do governo apontam, no entanto, que a linha vai superar a demanda das empresas. “O recado é simples: dinheiro para inovar não vai faltar”, disse uma fonte do Palácio do Planalto.

As linhas especiais de crédito serão oferecidas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que conta com um orçamento de quase R$ 6 bilhões para 2013, além de operar como agente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que entrará com a maior parte do dinheiro.

Serão oferecidas taxas de juros subsidiadas nos financiamentos às empresas, e parte do dinheiro será via subvenção econômica, ou seja, empréstimo a fundo perdido. Além dos recursos, as empresas desses setores passarão a contar com um parceiro para apoiar projetos de inovação, a Embrapii.

Chamada de “a Embrapa da indústria”, a nova empresa será uma organização social (OS), isto é, uma companhia pública que presta serviço ao governo por um contrato de gestão. A companhia vai fechar um contrato com o governo, onde serão estabelecidas metas de atendimento às companhias privadas. Em troca, o governo deve entrar com R$ 150 milhões no caixa da Embrapii, além de um posto no conselho de administração.

Na visão do governo, as empresas terão acesso à dinheiro subsidiado para aplicar em projetos de inovação e terão na Embrapii um auxiliar na modelagem dos projetos a serem financiados pela Finep. A nova empresa pública também vai “fazer a ponte” entre companhias e as pesquisas desenvolvidas nos institutos tecnológicos federais e universidades.

As linhas gerais do pacote já foram fechadas pela presidente Dilma Rousseff e o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, em reunião há duas semanas. Mas os detalhes finais do pacote ainda passam pelas sessões de “espancamento” no Planalto e devem ficar prontos para serem anunciadas após o carnaval.

Fonte:http://www.anpei.org.br - Com informações do O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pesquisa e Desenvolvimento são essenciais para inovar!

Avaliação é de Charles Edquist, acadêmico que participa do Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, em São Paulo

Investir em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é apenas uma das ações importantes para o desenvolvimento de uma política de inovação nacional, afirmou o sueco Charles Edquist, Ph.D. em História Econômica, que participou na tarde desta quinta-feira (19) do Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, promovido pelo Sebrae, em São Paulo.

Charles Edquist destacou que também são necessárias ações relacionadas à criação de competências em processos, principalmente com investimentos em educação; formação de novos mercados; articulação de políticas públicas; formação de redes (networking) para o aprendizado coletivo; estímulo à criação de empresas e organizações inovadoras; financiamentos; serviços de consultoria e incubação tecnológica.

Para Edquist, a inovação no Brasil deve ser estimulada por meio de políticas públicas. "No processo político, os governantes devem colocar metas e serem seletivos em relação aos projetos que receberão investimentos, já que os recursos públicos são sempre limitados", disse.

O economista elogiou a política de investimentos dos Estados Unidos na área de inovação. "Eles investem muito no desenvolvimento de pesquisa e de novas tecnologias, especialmente na área militar. A qualidade dessas descobertas avança para outras áreas do mercado", finalizou.

Fonte: http://www.administradores.com.br - Por Beth Matias, Agência Sebrae

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasil vai à China tomar lições de inovação tecnológica!

A história é contada com orgulho pelos técnicos da Haier, fabricante chinesa de eletrodomésticos com sede em Qingdao, província de Shandong, que se transformou em uma das líderes mundiais na produção de linha branca. Certo dia, o serviço de pós-venda da empresa recebeu reclamação de um cliente da área rural sobre uma máquina de lavar que quebrara. Ao efetuar o conserto, a empresa descobriu que o defeito era provocado por resíduos de uma espécie de lama, que ficava acumulada nas roupas durante o processo de lavagem de batata-doce.

A insatisfação do camponês foi o ponto de partida para que a empresa decidisse redesenhar a lavadora. A máquina foi então projetada para ter múltiplos usos e passou a ser vendida como equipamento não só para lavar roupa, mas também batata doce e amendoim. Com o tempo, a máquina ganhou novas versões.

O caso inusitado do camponês e da máquina de lavar, narrado a um grupo de acadêmicos brasileiros, é representativo de uma das principais facetas da inovação tecnológica das empresas chinesas: o processo cumulativo de desenvolvimento tecnológico.

A estratégia consiste em absorver tecnologia, assimilar o conhecimento adquirido via contratos de transferência tecnológica com empresas do mundo desenvolvido e aprimorá-lo. Nas universidades e centros de pesquisa, esse processo é chamado de inovação secundária, trabalho pelo qual uma empresa inova a partir de uma rota tecnológica conhecida.

Empresas chinesas não estão preocupadas só com o mercado interno, elas nascem pensando em operar no mundo "Essa é uma característica das empresas chinesas nas últimas três décadas. Pegam tecnologias maduras e inovam no fim da curva, mas avançam. São pequenos passos que, somados à massa do mercado interno e ao baixo custo de mão de obra, representam vantagens. Mas as empresas chinesas não estão preocupadas só com o mercado interno, elas nascem pensando em operar no mundo como um todo, globalmente", diz Adriano Proença, professor do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Haier aprendeu a fazer eletrodomésticos com a alemã Liebherr, que lhe transferiu tecnologia, diz Proença. Encerrado o contrato com a Liebherr, a Haier buscou melhorar produtos, ganhou escala e, em meados dos anos 90, passou a olhar para o mercado externo. Começou a exportar, inclusive para os EUA, onde atacou nichos de mercado, como o de refrigeradores para quartos de estudantes. Depois investiu em linha ampla de produtos. No caso dos refrigeradores, a Haier valeu-se do conhecimento de uma tecnologia madura para entrar no segmento de adegas climatizadas para vinhos.

Proença acredita que a China vai continuar a acumular desenvolvimento tecnológico para chegar aos mercados em segmentos nos quais possa combinar aprendizado tecnológico e propostas de valor de menor custo. Na alta tecnologia, os chineses tendem a continuar a investir maciçamente para ganhar posições, prevê Proença, que coordenou estudo que procurou demonstrar a dimensão tecnológica da pujança chinesa.

Intitulado "Tecnologia e Competitividade em Setores Básicos da Indústria Chinesa: Estudos de Caso", o trabalho foi realizado sob encomenda da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Proença e outros três professores da Coppe passaram dois meses e meio na China, entre o fim de 2010 e o começo de 2011. Visitaram 20 empresas, incluindo algumas companhias de alta tecnologia, de três setores selecionados pela SAE: eletroeletrônico, metal-mecânico e químico. Um lema comum a várias dessas empresas é: "Primeiro imitamos, depois aprendemos e, por fim, fazemos sozinhos", conta Proença.

O acesso às empresas consultadas foi facilitado pelo apoio da Universidade de Tsinghua, com a qual a Coppe mantém, desde 2009, o Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia.

"Precisamos saber mais sobre a China, se conhece muito pouco no Brasil sobre esse país, como também não sabemos de maneira clara o que queremos da China", diz o ministro Wellington Moreira Franco, da SAE. Ele afirma que, além da análise feita pela Coppe, a secretaria encomendou outro estudo sobre China à Universidade de São Paulo (USP), ainda não divulgado. A ideia é que os dois estudos sejam submetidos a um grupo de trabalho ligado à comissão binacional de alto nível liderada pelos vice-presidentes da China e do Brasil, diz Moreira Franco. "Queremos fazer uma grande discussão sobre os trabalhos."

O ministro entende que a experiência chinesa em inovação tecnológica pode servir de inspiração para políticas públicas no Brasil. Na visão de Moreira Franco, a inovação tecnológica precisa, para se desenvolver, de um ambiente institucional que crie facilidades.

Um ponto importante é o envolvimento do governo federal, Estados e municípios, além de empresas, universidades e centros de pesquisa, em um jogo coletivo, à semelhança do que os chineses vêm fazendo. Nesse jogo, surge o papel coordenador do Estado. Um exemplo na China é o da energia eólica.

Os professores da Coppe visitaram duas empresas (Guodian e Tianwei, perto de Pequim), que desenvolveram projetos próprios de produção de turbinas eólicas a partir da sinalização do Estado, no ano 2000. Elas fizeram pesquisas sobre turbinas com o apoio de universidades - estimuladas a enviar doutorandos para o exterior - e acertaram processos de licenciamento de tecnologia. Hoje, as duas empresas têm em curso processos de inovação secundária associados à compra e assimilação de tecnologias em transição.

Sérgio Camargo, um dos professores da Coppe que participaram do trabalho, diz que na China há um comprometimento da sociedade com a inovação tecnológica. "Desenvolvimento tecnológico está na história da China há milênios", diz o professor. O engajamento de diferentes agentes sociais com o desenvolvimento tecnológico se relaciona com o processo de planejamento do governo. Camargo destaca o papel da Academia Chinesa de Ciências, que tem mais de cem centros de pesquisa focados em diferentes temas, como energia ou nanotecnologia. Na academia, há mais de 100 mil alunos de pós-graduação.

A qualificação de mão de obra também tem feito a diferença em favor da China. O trabalho da Coppe mostra que o número de profissionais formados em nível superior saltou de 800 mil, em 1997, para mais de 5 milhões em 2009, sendo que cerca de 2 milhões se graduaram em ciências exatas e em engenharia. Os professores dizem que os salários na China estão evoluindo e que, em determinados cargos, as empresas pagam de acordo com o mercado global.

Na avaliação de Camargo, as empresas chinesas se preocupam mais em dominar o mercado do que com o lucro. "A preocupação com o lucro existe, mas não vem em primeiro lugar. A trajetória que as empresas chinesas que visitamos perseguem é o domínio do mercado dentro de uma visão de mais longo prazo."

Além de inovar a partir de rotas tecnológicas existentes, as empresas chinesas analisadas também passaram a procurar, a partir da década passada, setores emergentes em que o jogo tecnológico está começando. Trata-se de investimento em alta tecnologia, área que também conta com apoio do governo chinês. Camargo cita o caso da tecnologia de iluminação LED. Entre o fim de 2008 e o começo de 2009, o governo chinês lançou um programa de incentivo à compra de máquinas de produção de LED.

"O governo decidiu custear a fundo perdido 50% do valor de cada máquina que fosse instalada na China", diz Camargo. Segundo ele, em 2008 a produção de LEDs na China foi inferior a 1% da produção mundial. Em 2011, a China produziu 14% dos LEDs do mundo e, em 2012, o país será o maior produtor mundial dessa tecnologia de iluminação, com 32% da produção mundial, prevê Camargo.

Para Proença, o coordenador do estudo, existe a possibilidade de aprender com o que deu certo da experiência chinesa: "Eles têm um processo de inovação guiado pelo mercado em que sempre procuram ocupar um espaço não descoberto. "O trabalho de reconceber, repensar e reinovar para ocupar um segmento não atendido é um processo de inovação. No Brasil, não sei quantas pessoas já atentaram para isso."

Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Inovação e visão de futuro.

Vivemos, hoje, em um mundo em transição, marcado pela mudança das relações internacionais e pela difusão do poder global, caminhando assim para a multipolaridade.

Os temas globais da humanidade tais como regulação dos mercados financeiros, combate à miséria, terrorismo, paz e segurança passam a exigir uma governança global com uma pressão cada vez mais forte da sociedade mais globalizada e conectada.

FHC, em seu recente livro “A Soma e o Resto”, fala da sociedade contemporânea que vivenciamos, que etimologicamente quer dizer “que é do mesmo tempo”, com a disseminação do celular, internet, computador, lan houses, que todos usam, mesmo nas periferias. As sociedades tradicionais estão passando diretamente para as sociedades contemporâneas, pulando a modernidade, como está acontecendo no mundo árabe.

Como tratar o divórcio da política e sociedade, os temas globais da humanidade, a fluidez do poder dos países neste ambiente de uma sociedade contemporânea conectada globalmente, pressionada pelas demandas do “aqui e agora”?

Neste ambiente fluido, marcado pela incerteza, uma visão de futuro não pode surgir apenas do planejamento nos moldes do passado, mas de uma capacidade de enfrentamento do inesperado pela inovação com a exploração das novas ideias.

A inovação, seja em produtos, processos, serviços, negócios e gestão, afeta a todos, direta e indiretamente, agregando valor, alterando as forças tradicionais.

A inovação é um processo complexo não se limitando às novas conquistas tecnológicas, mas também na sua utilização para atender às demandas das forças políticas, sociais e culturais.

O caminho seria a criação de ambientes inovadores com foco compatível com a cultura e recursos regionais, atendendo aos anseios da sociedade e estabelecendo pontes entre universidades, centros de pesquisas, empresas, organizações, governos, investidores e capital de risco, formando um ecossistema abrangendo todos os agentes.

Como suporte a um projeto de inovação, está a necessidade de uma educação de qualidade com vertente forte no Empreendedorismo. O empreendedor é aquele que inova, busca oportunidades, tem persistência e transforma sonhos e ideias novas em realidade.

Há também a necessidade de estabelecimento de uma política pública, em todos os níveis de governo, de apoio aos empreendedores e inovadores com recursos alocados e eliminação da burocracia que emperra a realização dos projetos.

A inovação está diretamente ligada a P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), o investimento tímido (cerca de 1,3%PIB-Produto Interno Bruto) do Brasil em P&D merece uma atenção especial na implantação de uma infraestrutura adequada para receber os recursos, como também na eleição das vertentes prioritárias a desenvolver.

Um exemplo significativo do resultado da P&D é o de Israel que, com sete milhões de habitantes e em uma área desértica menor que Sergipe, investindo cerca de 4% do PIB (o maior), tornou-se um Estado sustentável, exportando tecnologias de ponta para o mundo, além de já ter conseguido cinco prêmios Nobel.

Os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), entre os quais o Brasil se insere, têm investimentos em relação ao PIB na faixa de 1%, porém o incremento anual da China é de 20% (o maior), enquanto o do Brasil é de 3% (o pior).

No Brasil, apesar de existirem algumas áreas pontuais de excelência, falta alocação de recursos com foco principalmente nos setores tecnológicos e uma gestão eficiente e ágil com mais articulação dos sistemas de inovação, com ênfase na ligação da academia com as empresas.

O Brasil tem de enfrentar o desafio da produção de conhecimento, pois isso é que vai determinar o ritmo do avanço e o peso de cada um dos BRICs na capacidade de inovação que resultará na composição econômica mundial das próximas décadas, se inserindo na multipolaridade que se avizinha.

Para ser BRIC, de verdade, o Brasil precisa de uma passada mais larga.


Fonte: http://www.brasiliaemdia.com.br

domingo, 15 de janeiro de 2012

A estrada tecnológica!


O Brasil tem conseguido aliar, nos últimos nove anos, crescimento econômico com distribuição de renda e geração de empregos, devido, em boa medida, à formação de um mercado interno robusto e em expansão.

Nesse sentido, um dos vetores principais ao desenvolvimento do país é o dos investimentos em educação, tecnologia e inovação, setores carentes de políticas específicas e de mão de obra especializada.

No ano passado, assistimos ao lançamento de um conjunto de medidas cujo objetivo é fomentar o surgimento de empresas de tecnologia que utilizem pelo menos 20% de componentes nacionais.

A contrapartida governamental é reduzir as tributações para as empresas que se instalarem no país e atenderem a esse requisito. O embrião é a indústria de tablets.

Desde outubro passado, a alíquota de 9,25% de PIS e Cofins para esse setor foi zerada. Além disso, os tablets foram incluídos no Processo Produtivo Básico (PPB), reduzindo também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre a Circulação de ‘Mercadorias e Serviços (ICMS).

Espera-se um valor final até 40% menor, aliando benefícios tributários à facilitação do acesso a um produto que, segundo as previsões, deve substituir o computador pessoal no prazo de alguns anos.

De fato, as projeções mais modestas esperam que as vendas de tablets no país atinjam 1,3 milhão de unidades em 2012, o dobro do que foi comercializado em 2011.

E as iniciativas que o governo federal adotou já permitiram um movimento altamente positivo ao país: a formação de um pólo produtor de tablets com componentes nacionais na região de Jundiaí e Campinas.

Com a queda na tributação - o IPI foi de 15% para 3% e o ICMS em São Paulo caiu de 18% para 7% -, pelo menos dez empresas se mostraram interessadas em produzir na região, sendo que quatro delas já estão em funcionamento.

É pouco mais de um terço das 28 empresas que solicitaram autorização para obter os incentivos tributários. Logicamente, esse movimento resultará em ampliação dos investimentos produtivos e em tecnologia.

Mais de R$ 500 milhões foram investidos até agora para montar novas linhas de produção, com expectativa de geração de pelo menos 6.000 novos empregos.

A cidade de Campinas já havia adotado políticas para atrair a produção eletroeletrônica, utilizando-se do fato de abrigar a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de ser referência em centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Agora, os estímulos federais se somarão a essas políticas para fortalecer o pólo tecnológico em formação.

Há muito para avançar no que se refere aos investimentos em tecnologia, especialmente em P&D.

O despontar desse polo Campinas-Jundiaí, de produção tecnológica com componentes nacionais, é um bom exemplo de nosso potencial de desenvolvimento ainda inexplorado. O desafio, portanto, é conseguir espalhar esse movimento para outras regiões.

Só será possível fazer isso se conseguirmos articular os investimentos em educação, inovação e infraestrutura, atraindo a iniciativa privada. Demos o primeiro passo, sem dúvida, mas ainda temos toda uma estrada a percorrer.

Fonte: http://www.brasileconomico.com.br - José Dirceu - Ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A agenda da inovação no futuro das cidades!

"O Brasil tem um longo caminho a trilhar, que passa pela educação, pelo estímulo à pesquisa e à inovação e pelo investimento em infraestrutura"

Especialistas estimam que, a cada ano, um milhão de pessoas ao redor do globo se mudem para as cidades e que a população mundial urbana dobrará até 2050. Estudos também apontam que o número de megacidades (acima de 10 milhões de habitantes) passará dos atuais 19 para 27 nos próximos 20 anos e que, nesse período, o investimento global em infraestrutura urbana deverá chegar a 53 trilhões de dólares. Esta estimativa reflete a certeza de que a infraestrutura que suporta serviços vitais, como transporte, saúde, educação, segurança pública, energia e água, precisa responder adequadamente às necessidades dessa população em expansão.

A tecnologia tem um papel central nesse processo de modernização das cidades, mas ela só atuará de forma efetiva se estiver acompanhada da inovação. Apenas com inovação conseguiremos mobilizar os instrumentos técnicos e o conhecimento disponível para compreender e solucionar problemas específicos de cada localidade. Um exemplo é o trabalho que vem sendo realizado no Rio de Janeiro. Em maio de 2010, a cidade sediou um fórum para discussão de inovações que ajudassem os centros urbanos do mundo a sustentarem seu crescimento e se desenvolverem de forma inteligente. A partir daí foram iniciadas as conversas para a criação do Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR), o maior centro do mundo que integra informações de diversos órgãos de gestão da cidade para melhorar a capacidade de resposta da prefeitura em relação a vários tipos de incidentes. Além disso, foi desenvolvido, especialmente para a cidade, o PMAR, um sistema pioneiro de Previsão Meteorológica de Alta Resolução, elaborado de acordo com as necessidades e características topográficas do Rio, o qual é capaz de prever chuvas fortes com até 48 horas de antecedência.

Vivemos no Brasil um momento único para multiplicarmos iniciativas deste porte. A realização da Copa do Mundo, em 2014, e da Olimpíada no Rio de Janeiro, em 2016, tem mobilizado empresas e governos em torno de projetos de segurança, mobilidade urbana, transportes e outros. Esses grandes eventos são propulsores no país de um fenômeno que se observa em todo o mundo: a necessidade de se conferir inteligência aos centros urbanos.

A favor do Brasil também estão o crescimento econômico, a estabilidade política e o bônus demográfico. Todos esses aspectos criam um cenário favorável para o investimento em nossas estruturas urbanas, mas a inclusão da inovação nessa agenda em prol do desenvolvimento será decisiva para seu sucesso. A Coreia do Sul investe cerca de 2,5% de seu PIB em inovação, o Japão, 2,7%; já o Brasil investe apenas 0,8%, considerando-se o setor privado. Temos um grande espaço para aumentarmos esse percentual e para isso precisamos de sinergia na atuação das esferas pública e privada, vertentes econômicas que movimentam qualquer nação, para a definição dos rumos que estimulem o empreendedorismo e o aporte de recursos para a pesquisa científica no país.

Nosso 'momento' chegou e a tecnologia tem papel decisivo nas transformações que estão em curso. Temos um longo caminho a trilhar, que passa pela educação, pelo estímulo à pesquisa e à inovação e pelo investimento em infraestrutura, mas somente com a mobilização de empresas, governo e sociedade civil em torno de uma agenda comum conseguiremos capturar as oportunidades que impulsionarão nosso desenvolvimento.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Investimento em P&D no mundo voltou a crescer em 2010, revela estudo Global Innovation da Booz & Company

No Brasil, o investimento em P&D seguiu a tendência mundial e cresceu de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,1 bilhões. Pesquisa revela que empresas com culturas corporativas que apoiam estratégias de inovação têm performance financeira superior

O investimento total em P&D entre as empresas que mais gastam com inovação teve um salto em 2010, após a queda induzida pela recessão em 2009, de acordo com o Global Innovation 1000 de 2011, o sétimo estudo anual sobre os gastos das empresas com inovação, divulgado hoje pela consultoria global Booz & Company. O estudo revelou que as mil empresas de capital aberto que mais investiram em pesquisa e desenvolvimento em 2010 aumentaram o montante destinado a P&D em 9,3%, para US$ 550 bilhões, uma forte recuperação com relação ao declínio de 3,5% de 2009 – o que marca um retorno à trajetória de crescimento no longo prazo dos gastos com inovação.

O Brasil acompanhou o movimento mundial em P&D registrando um crescimento de US$ 1,9 bilhão, em 2009, para 2,1 bilhões, em 2010. Entretanto, a quantidade de empresas brasileiras e as companhias que figuram no ranking continuaram as mesmas: cinco empresas – CPFL Energia SA, Embraer SA, Petroleo Brasileiro SA, Totvs SA, Vale SA. A maior parte das empresas brasileiras no ranking ampliou os seus investimentos em P&D em 2010, somente a Vale reduziu o investimento de US$ 1,115 bilhão para US$ 891 milhões.

O crescimento global do investimento em P&D de 2010 não acompanhou a alta de 15% na receita das empresas Global Innovation 1000, o que resultou em uma leve queda na intensidade do P&D, ou nos gastos com P&D enquanto porcentagem da receita – de 3,76% em 2009 para 3,52% em 2010. Isto representa, no entanto, um retorno natural à tendência de longo prazo, já que em 2009 a maior parte das empresas não reduziram o investimento em inovação tão profundamente quanto poderiam ter feito, considerando-se as quedas de dois dígitos nas vendas.

“Claramente, o crescimento do P&D de 2010 confirma um compromisso contínuo com o investimento em produtos e serviços novos e melhores para mercados ainda mais competitivos ao redor do mundo. No entanto, grande parte do crescimento em P&D pode ser atribuído ao fato de que as empresas estão tentando recuperar o atraso, e não necessariamente a níveis mais altos de investimento”, disse Ivan de Souza, presidente da Booz & Company para a América Latina.

A Booz & Company analisou as mil empresas que mais gastaram em pesquisa e desenvolvimento em 2010, no que continua sendo o esforço mais abrangente para avaliar a conexão entre inovação e desempenho corporativo. O estudo proporciona insights sobre como as organizações podem obter o melhor retorno sobre o seu investimento em inovação. Uma novidade no estudo deste ano é uma análise aprofundada do impacto da cultura corporativa sobre a eficácia na inovação e sobre o desempenho financeiro, com base em uma pesquisa realizada separadamente com quase 600 líderes em inovação de empresas em todo o mundo.

Entre as principais descobertas do estudo Global Innovation 1000 de 2010 estão:

No total, 68% das empresas que a Booz & Company acompanha aumentaram os gastos com P&D em 2010, e três setores responderam por mais de três quartos (77%), ou US$ 36,1 bilhões, de um crescimento total de US$ 46,8 bilhões: informática e eletrônicos, saúde e automotivo. Os setores que tiveram o maior percentual de crescimento em P&D foram software e internet (11%), saúde (9,1%) e insumos (8,5%).

- O setor de informática e eletrônicos teve o maior crescimento absoluto nos gastos com P&D e segue sendo o setor número um no investimento em inovação, sendo responsável por 28% do total. Com receitas 14,2% maiores, o setor de informática e eletrônicos aumentou o desembolso com inovação em 6,1%, ou US$ 16,9 bilhões. No entanto, pela primeira vez desde a criação do estudo Global Innovation 1000, nenhuma empresa de tecnologia de ponta figurou entre as três organizações que mais gastam com P&D.

- O setor de saúde ficou em segundo lugar, com 22% do investimento total. O setor aumentou os gastos em 9,1%, ou US$ 10,4 bilhões – a maior taxa de crescimento entre os três principais setores em 2010, alinhada ao crescimento geral do P&D (9,3%) em todos os setores. O setor de saúde, cujo investimento em P&D é realizado principalmente por companhias farmacêuticas, garantiu quatro das cinco primeiras posições em gastos com P&D entre as Global Innovation 1000 e teve oito empresas entre as 20 maiores em gastos totais com P&D.

- O setor automotivo obteve o terceiro lugar, com uma participação de 15% no total de gastos, devido a um reforço de 8%, ou US$ 8,8 bilhões, em 2010 – uma mudança significativa após a redução de 14% no montante investido em P&D em 2009. As receitas do setor automotivo aumentaram 16,5% com relação ao ano passado.

Em nível global, todas as regiões aumentaram os gastos com inovação em 2010, o que representa uma reviravolta significativa com relação ao ano anterior, quando as três regiões que formam a maior fatia do bolo – América do Norte, Europa e Japão – reduziram seus gastos. As empresas com sede na Índia e na China mais uma vez aumentaram seu investimento total em P&D a uma taxa mais alta que aquelas das três maiores regiões:

- A reviravolta foi cautelosa nas empresas com sede na Europa e no Japão, que tiveram aumentos de 5,8% e 1,76% nos gastos com P&D, respectivamente. As empresas com sede na América do Norte, depois de cortar os gastos com P&D em quase 4% em 2009, aumentaram os gastos com P&D em 10,5% em 2010, superando a taxa de crescimento global de 9,3%.

- A China e a Índia – e em menor grau os países da América do Norte, Europa, Japão e Ásia – continuaram a crescer rapidamente, mesmo que a partir de uma base menor. Responsáveis por 2% dos gastos com P&D em 2010, as empresas com sede na China e na Índia elevaram o investimento em P&D em mais de 38% – um ritmo de crescimento praticamente idêntico ao do ano anterior. As empresas de outras regiões do mundo aumentaram seus investimentos em P&D em quase 14%.

As 20 empresas que mais investem registraram um aumento de 10% nos gastos com P&D, o que representa um investimento de US$ 142 bilhões em P&D sobre vendas de US$ 1,6 trilhão. É uma taxa que supera o aumento geral de 9,3% entre todas as empresas Global Innovation 1000. A Roche Holding AG liderou o grupo global pelo segundo ano consecutivo, com um investimento de US$ 9,6 bilhões dos seus US$ 45,7 bilhões de receita em inovação -- uma taxa de intensidade em P&D de mais de 21%. A Toyota Motor, a empresa com maiores gastos em P&D por muitos anos até a recessão, caiu da quarta para a sexta posição, com um crescimento de menos de 1% nos gastos.

- Pfizer (nº 2), Novartis (nº 3), Microsoft (nº 4) e Merck (nº 5), ao lado da Toyota, são as cinco empresas que mais investem em P&D. A Ford foi a única empresa a sair do grupo das 20 primeiras, e a AstraZeneca foi a única novata do grupo, na 18a posição.

No que diz respeito a inovação, o nível de gastos não é proporcional ao sucesso. Como parte da sua pesquisa, feita pela web com cerca de 600 executivos de inovação de mais de 400 empresas líderes de todos os principais setores, a Booz & Company pediu aos entrevistados que citassem as empresas que consideram as mais inovadoras em todo o mundo. Pelo segundo ano consecutivo, a Apple liderou os top 10, seguida pela Google e pela 3M. Este ano, o Facebook foi considerado uma das empresas mais inovadoras, entrando na lista na décima posição. Em uma comparação entre as empresas eleitas as dez mais inovadoras e as dez que mais gastam em P&D, a Booz & Company descobriu que as empresas mais inovadoras tiveram desempenho melhor que as dez empresas com maiores gastos em P&D em três métricas financeiras importantes em um período de cinco anos.

Fonte: http://www.booz.com

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Como empresas brasileiras estão ingressando na inovação.

Apesar de algumas barreiras, muitas companhias contam com estruturas para aumentar sua competitividade no mercado.

Ainda que alimentada pela evolução das políticas públicas de incentivo dos últimos anos, a inovação no Brasil sofre uma série de obstáculos. No entanto, embora o País esteja longe de ter um ambiente de processos inovadores como o de outros mercados emergentes, como China, Índia ou Coreia do Sul, por aqui algumas grandes empresas brasileiras se destacam por investirem fortemente em pesquisa e desenvolvimento.

Já faz algum tempo que essas companhias fazem parte de um grupo seleto que desenvolve ideias em relação a processos, produtos ou serviços. E nos últimos anos, à essa elite de inovadores juntaram-se algumas multinacionais, que passaram a investir em P&D em suas subsidiárias locais, inserindo o Brasil em suas estratégias globais de inovação.

O Bradesco possui uma área chamada Departamento de Pesquisa e Inovação Tecnológica (Dpit), que possui interação importante com todas as áreas e tem a missão de buscar inovação e trazer o que tem de mais moderno. São cerca de cem pessoas com a missão de prospectar, dentro e fora do País, as novidades tecnológicas. Essa “busca” do Dpit inclui convênios com entidades nacionais e internacionais.

No Brasil, o banco possui inúmeros acordos com instituições de pesquisa, como o CPqD; o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e Universidade de São Paulo (USP). Entre as entidades conveniadas fora do País está o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O vice-presidente executivo do Bradesco, Laércio Albino Cezar, cita o sistema biométrico, implementado para substituir o uso de senha nos caixas eletrônicos. “O departamento identificou no Japão um sistema inovador no Banco UFJ [um dos maiores do país]. A área deparou-se com uma biometria que não era conhecida no ocidente e decidimos trazê-la para o Brasil”, diz o executivo.

Outro exemplo foi a parceria com a Samsung, para o primeiro aplicativo financeiro acessado via TV conectada. Lançado em meados de junho, permite aos clientes consultar informações de conta corrente, como saldo, investimentos e demonstrativo das movimentações. “A Samsung tinha a tecnologia e procurava um parceiro do setor financeiro e nossa equipe de pesquisa identificou a oportunidade. Três semanas após o lançamento, tivemos mais de 2 mil downloads.”

“O Bradesco foi precursor em inúmeras iniciativas em débito automático e cobrança eletrônica, em 1976. Lançamos o primeiro ATM, em 1982. Fomos o quinto do mundo e o primeiro no Brasil a oferecer o internet banking, em 1996”, afirma.

Nos últimos anos, o setor de petróleo e gás ganhou peso no que se refere à inovação. Nesse caso, a Petrobras é a protagonista. Os investimentos em P&D da estatal devem atingir 1,2 bilhão de dólares em 2011. “Esses gastos nos coloca entre as quatro maiores no setor de petróleo e gás no mundo. Do total, 60% são dedicados à exploração de óleo e gás, 25% em petroquímica , 10% em sustentabilidade, e 5% em energias renováveis e biocombustíveis”, informa o gerente-executivo do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga. O executivo informa que a Petrobras já registrou 3,5 mil patentes, das quais 1,3 mil no Brasil e o restante no exterior.

A exploração de reservas de óleo na chamada camada pré-sal tem impulsionado os investimentos em tecnologia. “O pré-sal é resultado de um esforço de pesquisa de tecnologias desenvolvidas que nos permitiram enxergar camadas de rocha abaixo dessa de sal”, diz o executivo. Segundo ele, foram técnicas sísmicas de imagem em profundidade, semelhantes a uma ultrassonografia, que possibilitaram à empresa ter uma imagem abaixo da superfície do sal. “Foi um grande salto tecnológico e o segundo salto foi perfurar e, agora, há grandes oportunidades de inovação.”

Para avançar tecnologicamente, a empresa tem acordos com cerca de cem universidades e centros de pesquisa, baseados no modelo de redes temáticas. “Escolhemos 50 temas e identificamos quais são os atores. Investimos neles para desenvolver centros de pesquisas e envolver nossos fornecedores. Entre os parceiros da empresa estão GE, Mannesmann do Brasil, Confab, IBM, Usiminas e Siemens. São dezenas de acordos de cooperação, de construção de centros tecnológicos.

Temos alguns programas que podem mudar radicalmente o processo de exploração”, diz Fraga.
Na parceria com a Siemens, por exemplo, o objetivo é desenvolver tecnologias para uso submarino. “Uma das fortes tendências atuais é tecnologia submarina para equipamentos e processos. Você passa a realizar atividades que atualmente são realizadas na superfície levando-as para o fundo do mar”, informa o diretor de Tecnologia e Inovação da Siemens, Ronald Dauscha.

Eleita em 2011, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a companhia que melhor administra e incentiva iniciativas de inovação entre as empresas de médio e grande portes no setor industrial do País, a Siemens está entre as multinacionais que incrementaram sua área de inovação no Brasil. Mantém seis centros de pesquisa, com destaque especial para soluções e produtos para o setor de energia. Recentemente, anunciou a instalação de um centro de P&D, voltado para o setor de petróleo e gás. A unidade será instalada no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, e receberá investimentos de cerca de 50 milhões de dólares.

Já no setor de agronegócios, vale destacar a ETH Bioenergia. Fundada em 2007, já nasceu dentro do conceito inovador. Segundo o diretor de Inovação e Tecnologia da empresa, Carlos Eduardo Calmanovici, um dos focos da ETH é o desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar mais adequadas às áreas em que a empresa está atuando. “O Brasil tem um histórico de grande variedade de cana, mas muito focado no estado de São Paulo. A ETH está crescendo em áreas de fronteira, em solos mal-utilizados. Estamos identificando tipos de cana-de-açúcar adaptadas a essas regiões.”

Com esse objetivo, a ETH fez parcerias com institutos de pesquisa como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). A ETH também possui um programa para melhoramento do processo de fermentação de etanol, que é desenvolvido em parceria com institutos de pesquisa e universidades, como a Unicamp. As pesquisas com leveduras mais robustas podem elevar em 1,5% a 2% a produção de etanol para a mesma quantidade de cana de açúcar.

Outra empresa que investe fortemente em inovação é a Braskem, gigante petroquímica brasileira. A empresa gasta anualmente cerca de 60 milhões de dólares em P&D. “A inovação faz parte da nossa estratégia de médio e longo prazo”, informa o diretor da área de inovação da companhia, Carlos Cassinelli.

Segundo ele, as pesquisas estão voltadas para competitividade da empresa, redução de custos de processamentos, redução de consumo de energia e otimização de processos. A inovação também está voltada para produtos como o plástico verde, feito a partir do etanol. A empresa tem parcerias com inúmeras universidades como a Universidade Federal de São Carlos, Unicamp e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de institutos de pesquisas fora do País.

Fonte: Por LUCAS CALLEGARI, da Computerworld - http://computerworld.uol.com.br

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MCT: país deve dar prioridade máxima à gestão tecnológica da inovação .

A competividade do Brasil no mercado global depende de inovação na gestão tecnológica como diferencial e não somente investir em novos produtos de inovação, explicou o secretário de Tecnologia e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ronaldo Mota em recente palestra sobre inovação promovida pelo Sebrae.

Este é o caminho para reduzir o hiato do páis nos rankings econômicos e de competitivdade, respectivamente sétimo e 28º no ranking de competitividade, Mota disse acreditar que o Brasil deverá galgar posições no ranking nos próximos anos. Por isso ele acredita que gerenciar a inovação é de suprema importância já que, como os Estados Unidos, o Brasil possui fortes potenciais criativos.

“A questão é fazer com que essa criatividade latente tenha um propósito, uma disciplina, para atendimento de demanda Aqui há uma dificuldade de acoplar esse desenvolvimento ao setor produtivo”.

Um exemplo claro onde esta competência se transformou em competitividade foi no setor de agribusiness.

“O Brasil vai ser responsável, nesta década, por 20% da produção mundial de alimentos e, ao longo da década de 2030, seremos responsáveis por 25% da produção mundial, porque conseguimos encontrar uma maneira hábil de transformar conhecimento em produção”, lembrou.

No entanto, lembrou Mota, é preciso também nova visão da educação, considerada o principal gargalo ao desenvolvimento sustentável do país.

“Hoje, no Brasil a criança vai pra escola, anota tudo o que a professora diz e volta pra casa com a mente em branco”, criticou. “Essa mentalidade de educação está presente da infância ao doutorado. Então, não formamos pessoas para inovar, que estimulem sua capacidade autoconstrutiva”.

Mota entende que o primeiro degrau para a “Revolução da Educação” é a acessibilidade.

“Antes da ministração dos cursos, os alunos devem ter amplo acesso ao conteúdo de todas as disciplinas, à bibliografia correspondente, mas também tomarem conhecimento de marcos mais avançados, mesmo que ministrados posteriormente”, propôs.

E aí, segundo o secretário, o país tem que lançar mão de todas a tecnologias possíveis, inclusive no ensino à distância, fazendo-o complementar ao estudo presencial.

Na avaliação do secretário do MCT, o Brasil terá que se inspirar na Escola de Humboldt, cujo método de aprendizado se baseia em estimular a capacidade de reflexão dos alunos.

“Entendo que o Sebrae poderá ajudar a implantar o conceito de uma escola humboldtiana em nosso país”, sugeriu.

"por Marcello Sigwalt — última modificação Apr 29, 2011 01:39 PM"

sábado, 7 de maio de 2011

Empresas inovadoras são as que mais fazem P&D continuamente.

Segundo a Pintec 2008, do total de 3.342 indústrias eminentemente inovadoras brasileiras, 2.363 ou 70,7% declararam na pesquisa que investiram no período de 2006 a 2008 em atividades internas de P&D de forma contínua. Juntas elas também são responsáveis por 96,8% do total do dispêndio do setor nessa finalidade.

“Ainda é muito baixo o número de empresas que desenvolvem atividades internas de P&D e que fazem isso de forma contínua” diz Ávila. “Além do custo Brasil, talvez esses dois fatores são os que mais limitam a competitividade da maioria das empresas brasileiras no mercado brasileiro e internacional”, aponta.

Em relação aos recursos humanos envolvidos com as atividades internas de P&D as indústrias afirmaram que possuíam em suas unidades 48.100 pessoas ocupadas nesta área. Desse total, pouco mais de 60% desses profissionais tinham nível superior, sendo 47,8% graduados e 14% com pós-graduação.

A pesquisa também revelou que a internet, com 68,8% das citações, é a principal fonte de informação utilizada pelas empresas para realizar o processo de inovação, seguida pelos clientes (68,2%), fornecedores (65,7%), áreas internas (61,5%) e feiras e exposições (55,6%). Já as universidades e institutos de pesquisa ou centros tecnológicos ocupam as últimas colocações nesse quesito.

Do total de 41.300 empresas inovadoras, 10,4% também disseram que estabeleceram algum tipo de prática cooperativa com outras organizações para inovar em produto e/ou processo entre 2006 e 2008, o que indica crescimento em relação à Pintec 2005, quando o percentual foi de 8,5%.

Quanto maior a empresa, também é maior o percentual de atividades de cooperação. Nas indústrias, 10,1% das inovadoras estabeleceram atividades de cooperação, mas, considerando aquelas com 500 ou mais pessoas ocupadas, esse percentual é superior, atingindo 35,3%.