terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cloud computing causa revolução no desenho do mercado!

Apesar do ceticismo, conceito deverá promover uma disparada nos investimentos em 2012, apontam consultorias do setor de TI.

Nada será como antes, dizem analistas sobre o impacto causado pelo conceito cloud computing. Ele, de fato, revolucionou a forma de entregar e de adquirir tecnologia da informação e comunicação, afirma Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de mercado da Frost & Sullivan do Brasil.

O analista diz que a aceitação de cloud pode ser constatada em variadas pesquisas. Em uma delas, realizada pela consultoria em 2010 no Brasil, com mais de cem empresas de grande porte, 54% já usavam algum tipo de solução na nuvem. Desse universo, 86% adotavam o modelo software como serviço (SaaS). Outro dado interessante é que 66% das empresas que participaram disseram que continuarão investindo em nuvem ou vão testar soluções baseadas no conceito.

Realizado em setembro de 2011, outro levantamento da consultoria, desta vez com médias companhias, aponta como principais barreiras para a adoção de computação em nuvem, as questões que envolvem segurança, qualidade da internet no Brasil e integração com o legado, nesta ordem.

Mas ainda com ceticismos, o conceito deverá promover uma disparada nos investimentos em 2012. Estudo da KPMG Internacional com empresas do mundo todo prevê aquecimento nos investimentos para 2012. Algumas delas planejam alocar mais de um quinto do orçamento em computação em nuvem no próximo ano, de acordo com o relatório “Clarity in the cloud: the impact, opportunity and risk of cloud”, sumário do estudo global da empresa sobre computação em nuvem.

“Evidentemente, essas constatações anunciam que a hora da computação em nuvem é agora", afirma Frank Meylan, sócio de Management Consulting da KPMG no Brasil. Ele diz que a computação em nuvem está transcendendo a TI e influenciando de modo amplo as relações comerciais, uma vez que um terço dos entrevistados afirmou que ela mudaria fundamentalmente seus negócios. “O que é significativo, considerando que muitas organizações ainda estão desenvolvendo suas estratégias de nuvem.”

“A adoção da computação em nuvem está mudando rapidamente do patamar de uma vantagem competitiva para uma constatação de necessidade operacional, possibilitando inovação que pode criar novos modelos de negócios e oportunidades”, afirma Steve Hill, vice-presidente de Investimentos Estratégicos da KPMG nos Estados Unidos.

Para Mauro Peres, gerente-geral da consultoria IDC no Brasil, embora o conceito ainda gere uma série de questionamentos, ele veio para ficar, e acena com aumento significativo do uso. Ainda em estágios iniciais, no futuro, a computação em nuvem, as redes sociais e a mobilidade combinarão o próximo ponto de conexão, no qual os data centers darão espaço para data cloud (nuvem de dados) e os dispositivos móveis vão se tornar janelas para nuvens pessoais. A computação pessoal irá se tornar uma computação massiva e colaborativa e as tecnologias de informação serão ofuscadas pelas “informações ecológicas” (information ecologies).

“O impacto dessas forças fará com que as arquiteturas dos últimos 20 anos fiquem obsoletas. Juntas, elas pressionam e nos levam a criar negócios pós-modernos, orientados pela simplicidade e pela desconstrução da força criativa”, diz vice-presidente do instituto de pesquisas Gartner, Peter Sondergaard.

Com essas mudanças, o especialista do Gartner acredita que a TI terá um papel mais relevante para os negócios do que nas décadas anteriores. “Para que os líderes de tecnologia da informação nesse ambiente possam conduzir suas linhas de frente e reinventar o setor. Eles ainda precisam abraçar os negócios pós-modernos, em que as empresas são dirigidas pelo relacionamento com os clientes, animadas pela explosão da informação, da colaboração e da mobilidade”, diz o executivo.

Para Sondergaard, a economia global está sendo moldada pela área de TI. “O setor é um impulsionador básico do crescimento dos negócios. Como exemplo, observamos que, somente este ano, 350 companhias vão investir mais de 1 bilhão de dólares em tecnologia e elas estão fazendo isso porque essa é a área que tem impacto no desempenho dos negócios.”

“O gestor de ‘infraestrutura do futuro’ tem de ter um perfil mais parecido com um gestor de projetos, um facilitador e não com o de puramente técnico”, afirma Alexandre Vargas, analista de Software da IDC. Segundo ele, será preciso avaliar com seriedade e mais cuidado tecnologias que tragam eficiência e economia imediata para o negócio nesse novo desenho da TI.

Fonte: http://computerworld.uol.com.br - por Solange Calvo, da Computerworld

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Agenda do setor produtivo ainda não incorporou a inovação, afirma Antoniazzi.

Apesar de ter entrado definitivamente na agenda de governo brasileiro, a cultura da inovação – imprescindível para garantir a competitividade no mercado - ainda não está totalmente impregnada no setor produtivo. A preocupação é do vice-presidente da ABIPTI pela região Sul e presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec), o engenheiro Luiz Antonio Antoniazzi.

Os investimentos em inovação no Brasil são crescentes, porém muito tímidos e aquém da sua necessidade, destaca Antoniazzi. O país possui o 11° parque industrial do mundo e o 7° Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. No entanto, ocupa o 47° lugar no ranking da inovação tecnológica. O setor industrial investe cerca de 0,50 % do PIB Nacional, pouco ao considerar a Coreia do Sul, que investe 2,46 %; o Japão, 2,68 %; e os Estados Unidos da América (EUA), com 1,86%.

No Brasil, informa, quem mais investe é o Estado (0,57 % do PIB, incluindo os investimentos da Petrobras). Somente 2,7% da empresas brasileiras inovam e diferenciam seus produtos, entre 70 mil indústrias pesquisadas. Destas, em média, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) são de 0,7% do seu faturamento.

Na opinião de Antoniazzi, as empresas devem destinar, no mínimo, um percentual de 5% do faturamento para investir em PD&I de acordo com o seu perfil (alta, média alta, média baixa ou baixa tecnologia). Além disso, o setor industrial tem que ser mais ousado e usufruir dos produtos e processos gerados pelas entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (EPDIs). “Ainda é comum que empresa e indústria desenvolvam tecnologias isoladamente, sem o aproveitamento do conhecimento e da infraestrutura existentes em universidades, centros de pesquisas e institutos tecnológicos”.

Legislação

Com a promulgação da Lei da Inovação, a expectativa é facilitar a interação com o setor produtivo. Porém, as EPDIs ainda são muito burocratizadas e não possuem a agilidade esperada. Os entraves burocráticos causados pela Lei 8.666/93 têm sido o principal obstáculo para a pesquisa científica e tecnológica no país, uma vez que a legislação é anacrônica. “As regras colocam a pesquisa e a inovação como um produto na prateleira de um supermercado”, analisa.

Um novo código de ciência e tecnologia, acredita Antoniazzi, poderá reduzir a burocracia, mas é fundamental ter uma nova postura em relação à inovação tecnológica com a difusão de uma cultura de inovação, como tem ocorrido na Coreia do Sul nos últimos anos. “Sem recursos humanos capacitados não se faz pesquisa científica e nem tecnológica”.

Hoje, enumera, são formados no Brasil aproximadamente 47,1 mil engenheiros por ano, o que equivale a 1,95/10 mil habitantes. Na China são 13,4 e, na Coreia do Sul, 16,4. E não é por falta de vagas nas universidades - em 2008 foram oferecidas 249 mil no Brasil, mas foram preenchidas apenas 147 mil.

Commodities

Além disso, completa Antoniazzi, o Brasil é um país exportador de commodities e importador de tecnologia, uma incômoda realidade que vem desde o Brasil Colônia e que precisa mudar. O déficit tecnológico brasileiro é assustador se for levado em conta que no primeiro trimestre deste ano atingiu U$ 49.765 bilhões. A falta de uma política industrial fragilizou o processo da inovação ao longo das últimas décadas. “Este cenário não mudará enquanto o país copiar e reproduzir a tecnologia do concorrente sem agregar valor”, destaca.

Para reverter o quadro, reforça o vice-presidente da ABIPTI, é necessário que todas as organizações envolvam seus setores com uma gestão voltada para a inovação. “O crescimento da indústria nacional, seja micro, pequena, média ou grande, deve acontecer por meio de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esta não acontece necessariamente com a introdução no mercado de novos produtos, mas também com melhorias que, ainda assim, caracterizam o produto ou processo como inovador”, lembra.

A melhor tecnologia não garante necessariamente uma inovação de sucesso no mercado, ressalta. O primeiro aspecto se dá no ambiente em que uma organização está inserida, levando-se em conta as características de sua cadeia produtiva, políticas governamentais de apoio e a intensidade da competição no mercado em que atua, entre outros pontos, como o organizacional e o tecnológico.

Petrobras

Há exemplos de grandes corporações que não avaliaram este contexto, lembra ele, como a Sony, que nos anos 1980 lançou o videocassete Betamax e, mais recentemente, a Toshiba, ao lançar o vídeo de alta definição, que perdeu espaço para o Blu-Ray, amargando um prejuízo de mais de U$ 2 bilhões.

Para Antoniazzi, a Petrobras é o exemplo mais emblemático que sintetiza tudo o que foi dito. Na cadeia do petróleo, gás, indústria naval e oceânica, a inovação está presente de forma contínua e consistente. “A atuação do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguel de Mello (Cenpes), unidade da Petrobras responsável pelas atividades de P&D e engenharia, somada à interação com universidades e instituições tecnológicas de todo o país, com pesados investimentos em pesquisa, deram à Petrobras o diferencial necessário para o alcance da competitividade internacional”.

Com uma política bem sucedida de implementar conteúdo local nas aquisições, completa Antoniazzi, a empresa passou a fomentar a inovação em toda a cadeia de fornecedores, além de disponibilizar suas patentes a eles. “Em 2011, a Petrobras investirá algo em torno de U$ 1.25 bilhão em pesquisa e desenvolvimento”, finaliza.

Fonte: http://www.abipti.org.br - por Cristiane Rosa