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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Compra da Nest pelo Google é acolhedor para os financiadores

Acordo de US$ 3,2 bilhões está contribuindo para aumentar a confiança entre as empresas de capital de risco

San Francisco - A Nest Labs não está somente ajudando os donos de propriedades a manterem um ambiente aconchegante. A aquisição da fabricante de termostatos digitais pelo Google por US$ 3,2 bilhões também está deixando as companhias de capital de risco muito confortáveis.

A Kleiner Perkins Caufield Byers, uma das primeiras financiadoras da companhia cofundada pelo ex-executivo da Apple Tony Fadell, investiu US$ 20 milhões na Nest desde 2010 e terá um retorno de cerca de US$ 400 milhões, disse uma fonte do setor.

A Shasta Ventures, outra das primeiras financiadoras da Nest, aumentará seu investimento inicial mais de 15 vezes, disse outra fonte, que solicitou o anonimato porque os ganhos não são públicos. O ramo de empreendimentos do Google também tinha investido na Nest.

O acordo está contribuindo para aumentar a confiança entre as empresas de capital de risco, que com frequência apostam em companhias antes que estas tenham receita ou até mesmo um produto e dependem de grandes acordos para compensar o dinheiro perdido na vasta maioria de startups que fracassam.

Os capitalistas de risco também colheram grandes ganhos em 2013. Pelo menos 10 empresas geraram mais de US$ 1 bilhão cada em retornos de aberturas de capitais e aquisições, segundo documentos e dados compilados pela Bloomberg.

ªÉ um retorno muito significativo para o fundo”, disse Rob Coneybeer, diretor de gestão da Shasta Ventures, que dirigiu o investimento na Nest. Ele não quis dar detalhes específicos.

O ganho com o investimento na Nest é um dos maiores na história da Shasta Ventures. A companhia também lucrou com a aquisição da Mint pela Intuit em 2009 e com a compra da Zenprise pela Citrix System.

A Kleiner Perkins não disponibilizou nenhum dos seus sócios para fazer comentários. Scott Rubin, porta-voz do Google, não quis comentar.

A aquisição da Nest, por um valor de quase o dobro do pago pelo Google pelo YouTube em 2006, também fornece a maior recompensa para o próprio ramo de capital de risco do fornecedor de buscas. O Google Ventures, que investiu na Nest e opera como uma companhia independente dentro do Google, conservará os retornos, disse uma fonte do setor.

O Google Ventures encaminhou as questões para a Nest, que não quis comentar sobre os detalhes do financiamento.

Para a Kleiner Perkins, o acordo chega depois que a empresa de empreendimentos não conseguiu fazer parte dos investimentos iniciais em companhias de Internet como a Facebook e a Twitter.

Outro grande vencedor com a aquisição é Fadell, que não quis dizer de que proporção da companhia ele é dono.

“Eu queria me focar na diferenciação para os nossos clientes e concretizar a visão antes”, disse Fadell. “Eu não queria me focar no desenvolvimento de infraestrutura, que não é diferenciar-se, pois permite aos concorrentes chegarem e começarem a estar no nosso pé. Quero me focar naquilo que fazemos melhor”.

Fonte:http://exame.abril.com.br/

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Google - Um caso de sucesso na estratégia do Oceano Azul.

Quando os americanos Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, resolveram, no início desta década, fazer um Download da internet, e baixar práticamente todas as informações disponíveis na web, estavam a um passo de criar uma empresa revolucionária e inovadora, que se tornaria a maior referência do setor nos anos seguintes. Mas o passo decisivo foi a contratação do iraniano Omid Kordestani, que tinha a missão de transformar a idéia inovadora em um negócio lucrativo. Kordestani criou os “links patrocinados” e, com isto, partindo práticamente de um investimento zero, criou as condições necessárias para tornar o Google uma empresa bilionária em apenas sete anos de existência.

Saindo da condição de uma empresa de “fundo de quintal”, a partir de um pequeno grupo que se amontoava em uma sala perto da Universidade de Stanford, nos EUA, o Google partiu de um faturamento mensal zero para faturar 16.6 bilhões de dólares em 2007. Seu valor de mercado, hoje, está estimado em 139 bilhões de dólares e ultrapassa o de empresas como Coca-cola e Boeing.

O Google é um caso clássico de utilização da estratégia do oceano azul para competir no mercado. É possível identificar pelo menos duas idéias básicas desta estratégia que foram utilizadas com sucesso pelo Google. A primeira é: “Torne a concorrência irrelevante, em vez de competir em mercados altamente concorridos”. A segunda idéia foi: “Crie uma inovação de valor”. A seguir vamos detalhar melhor estes dois aspectos que foram utilizados com sucesso em sua trajetória meteórica no mundo dos negócios.

Torne a Concorrência Irrelevante

Quando o Google estabeleceu-se no mercado de buscas na internet e criou os “links patrocinados” como uma mídia inovadora, este mercado não existia, portanto ele começou a “nadar num oceano azul”, sem concorrentes, deixando para outras empresas da internet a disputa no oceano vermelho da competição já existente na Web. Desta forma o Google usou com maestria a máxima da estratégia do oceano azul: “Torne a concorrência irrelevante”.

Diante do espetacular sucesso do Google, gigantes da internet como Microsoft e Yahoo! tentam de todas as formas conquistar uma fatia deste lucrativo mercado. Atualmente a divisão do mercado de sites de busca encontra-se dividido da seguinte forma: Google (62,4%), Yahoo! (12,8%), Microsoft (2,9%), Outros (21,95).
A Microsoft, em vão, tentou competir neste lucrativo filão de mercado lançando sua própria ferramenta de busca, o Live Search, mas conquistou apenas 2,9% do mercado.

Agora surgem rumores de uma associação entre Microsoft e Yahoo!, que estariam se unindo para competir em igualdade de condições com o Google. Em fevereiro de 2008 foi divulgada a notícia de que a Microsoft fez uma oferta de 44,6 Bilhões para a compra do Yahoo!, mas o negócio ainda não foi concretizado.

Existe uma velha máxima no mundo dos negócios que diz: “quem chega primeiro bebe água limpa”, e é exatamente isto que está ocorrendo no mercado de links patrocinados dominado pelo Google. A empresa inventou esta forma de ganhar dinheiro na internet, tornou-se o principal utilizador deste tipo de mídia e agora, com uma forte âncora neste mercado, dificilmente será desbancada.

Crie uma Inovação de Valor

O outro importante conceito da estratégia do oceano azul utilizado pelo Google foi a criação de uma “inovação de valor”, que não deve ser confundida com uma inovação comum. Na inovação de valor é preciso agregar os seguintes conceitos:

• Atendimento de necessidades não satisfeitas de forma inovadora – através do estudo de mercado e das tendências sociais é possível localizar nichos de mercado que não estão sendo atendidos de forma satisfatória. São nestes nichos de mercados que se escondem os oceanos azuis. No caso do Google, seus fundadores perceberam que existia uma demanda crescente por informações na internet, e que não estava sendo atendida. O que eles fizeram foi criar, de forma inovadora, uma maneira de fornecer estas informações.

• Criação de uma grande demanda, suficiente para a inauguração de um novo mercado – para se criar um oceano azul é preciso que exista uma demanda contínua. Uma inovação que atenda apenas a um pequeno grupo de pessoas não é suficiente para o surgimento de um oceano azul. O mercado de buscas, criado pelo Google, criou uma demanda que já existia de forma latente, ou seja, existia a necessidade, mas não havia ferramentas adequadas para satisfazê-las.

• Viabilidade financeira da inovação – finalmente a inovação de valor precisa ser lucrativa o suficiente para permitir um grande crescimento da empresa, mas também viável para que os consumidores possam utilizá-las como uma demanda sustentável. Os links patrocinados, aqueles pequenos anúncios de duas linhas que aparecem quando se está buscando uma informação, criados pelo Google, podem ser acionados através de um simples “click”, e são viáveis principalmente porque o anunciante paga apenas pelos acessos efetivamente ocorridos, maximizando seu investimento em anúncios.

A idéia que se esconde por trás do Google é tão inovadora e criou uma demanda tão fantástica que ele se tornou um fenômeno cultural. O nome da empresa entrou para o dicionário de língua inglesa no ano passado como um verbete sinônimo de buscas na internet.

A história do Google demonstra de forma eloqüente o poder de uma estratégia inovadora, possível de ser utilizada não apenas por grandes corporações, mas principalmente por pequenas empresas, permitindo que companhias de menor porte possam competir com sucesso com as grandes organizações, utilizando a metodologia da estratégia do oceano azul.