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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Levy assume Fazenda e coloca inovação como fundamental para crescimento

A equipe econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff foi apresentada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Joaquim Levy assume o Ministério da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa será o responsável pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Alexandre Tombini foi mantido na presidência do Banco Central.

O “fortalecimento da economia” foi uma expressão citada pelo menos seis vezes durante os breves pronunciamentos e curta coletiva do grupo. Para tanto, o fomento à inovação para retomada da competitividade foi posto como fundamental pelo novo titular da Fazenda. Segundo Joaquim Levy, a política econômica deve ser voltada para este aspecto.

“A concorrência, o empreendedorismo e a inovação são indispensáveis para o crescimento da economia. O Ministério da Fazenda vai fazer todo o possível para alavancar essas três variáveis fundamentais”, afirmou Levy.

Por sua vez, Nelson Barbosa aposta na austeridade e no trabalho em conjunto com outros ministérios, estados e municípios para equilibrar as contas do governo. Até porque a meta de superávit primário se mostra ousada diante das recentes controvérsias no Congresso Nacional em relação à alteração do cálculo do indicador. Para 2015, o número estimado é de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos dois anos seguintes, sobe para 2% do PIB. Outro ponto abordado foi a questão da produtividade nacional.

“Temos que trabalhar em conjunto para fortalecer a economia. Além disso, temos que aumentar a taxa de investimentos e de produtividade da economia de um modo mais rápido”, disse Barbosa.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - com dados da Agência Gestão CT&I

domingo, 24 de agosto de 2014

BNDES aprova financiamento de R$ 41,3 milhões para empresas TI

Seis empresas de Tecnologia da Informação dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio receberão o aporte

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 41,3 milhões em financiamentos para seis empresas de tecnologia da informação dos Estados do Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.

As operações acontecem no âmbito do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços de Tecnologia da Informação (BNDES Prosoft). Ao todo, os projetos devem gerar mais de 5 mil empregos.

O maior desses financiamentos destina R$ 15,3 milhões à implantação de dois call centers da AeC Centro de Contatos S.A. em Mossoró (RN) e Juazeiro do Norte (CE). Esses recursos se somam a outros R$ 4,8 milhões do BNDES Finame, para aquisição de equipamentos via operações indiretas, totalizando R$ 20,1 milhões do Sistema BNDES, o que representa 46,3% do valor a ser investido no projeto.

Após a conclusão, prevista para este ano, o projeto deverá gerar 2.500 empregos em Mossoró e 2.400 em Juazeiro do Norte, com possibilidade de contratação de estudantes, funcionários sem experiência e pessoas da terceira idade. A empresa estima ainda que serão criados 200 empregos temporários durante a construção de cada uma das unidades.

Outros impactos sociais previstos são a ampliação da infraestrutura de transporte, segurança e iluminação pública, alívio na demanda da saúde pública, com a grande quantidade de trabalhadores que passa a dispor de plano de saúde, dinamização do comércio local e viabilização de acesso dos empregados a cursos superiores.

Segurança da informação

Para a Arcon Informática, de Niterói (RJ), o BNDES aprovou R$ 9,3 milhões, o equivalente a 90% do valor a ser aplicado no projeto de desenvolvimento, fabricação e comercialização de um equipamento contendo hardware e software embarcado para segurança da informação, além da criação de uma base de dados para proteção contra ameaças locais.

A operação contempla investimentos em pesquisa e desenvolvimento, certificações, materiais, máquinas e equipamentos, marketing e comercialização e treinamento. A empresa estima que contratará 48 trabalhadores até o fim de 2016, aumentando seu quadro funcional de 89 para 137 empregados.

Expansão

Com R$ 7,6 milhões do BNDES Prosoft, a Magna Sistemas Consultoria, de São Paulo, fará investimentos em infraestrutura, estruturação de processos e serviços, gestão empresarial, capacitação, treinamento, marketing e comercialização. Os recursos representam 90% do valor a ser investido no projeto, que visa à expansão da empresa, gerando 262 novos empregos até o fim do ano que vem.

Educação

Para a Infnet Educação Ltda., do Rio, o BNDES aprovou financiamento de R$ 5 milhões para investimentos em infraestrutura, treinamento, pesquisa e desenvolvimento, marketing e comercialização.

Os recursos correspondem a 78,9% do valor a ser aplicado no projeto, que visa à implantação de uma nova unidade no Centro da capital fluminense, implementação de um modelo de educação à distância e criação de uma rede de centros educacionais especializados franqueados. Até a conclusão, em 2015, devem ser criados 76 novos postos de trabalho diretos.

DRS

Para a Kenta Informática Ltda., de Porto Alegre (RS), foram aprovados R$ 2,5 milhões. O valor representa 83% dos investimentos em P&D e marketing e comercialização previstos no projeto, que deverá gerar 12 novos empregos até fevereiro de 2016.

O objetivo principal é desenvolver novas funcionalidades na plataforma DRS da empresa, tais como gravação simultânea de mais de uma câmera, alta definição, videoconferência, mobilidade, reconhecimento de face e de voz e geração de texto a partir do áudio.

Software

Com apoio de R$ 1,6 milhão, a Sobit Tecnologia da Informação Ltda., de Jundiaí (SP), investirá em estudos e projetos, marketing e comercialização, equipamentos nacionais e pesquisa e desenvolvimento.

O financiamento corresponde a 87% dos investimentos no projeto, que visa construir uma biblioteca de layouts e aprimorar o software MyGeraArq. A empresa prevê contratar 13 novos funcionários.

Fonte: http://www.brasil.gov.br/ por: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

terça-feira, 10 de junho de 2014

Brasil conta com demanda em inovação em crescimento, diz presidente da Finep

"O Brasil está começando a compreender que inovação é a chave não só para sobreviver, mas também para aumentar a competitividade”

A demanda por inovação cresceu, assim como a concessão de crédito. Mas ainda é pouco para o Brasil. Foi o que afirmou na quarta-feira (4) o presidente da Finep/MCTI, Glauco Arbix, no Fórum Inovação, Infraestrutura e Produtividade, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo em parceria com a financiadora, na capital paulista.

“Nos últimos anos nosso investimento em inovação multiplicou por sete, chegando a R$ 6,4 bilhões, e nossa meta é chegar a R$ 15 bilhões este ano. Mas a nossa engenharia ainda carece de um impulso maior”, destacou Arbix. Segundo ele, “o Brasil está começando a compreender que inovação é a chave não só para sobreviver, mas também para aumentar a competitividade e conquistar mercados dentro e fora do País.”

O secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), João De Negri, lembrou que “iniciativas como o Finep 30 Dias foram fundamentais para o avanço que tivemos nos últimos anos, mas precisamos ir além.”

“Aprendemos a trabalhar com demanda e precisaremos trabalhar com encomendas tecnológicas. Precisamos dar esse salto e não temos muito tempo”, opinou De Negri. “Talvez tenhamos até que rever a qualidade da ciência que desenvolvemos no País. Vamos ter que aprender a fazer algumas coisas que não sabemos fazer e que não temos instituições preparadas para fazer.”

Nessa linha, o presidente da Finep ressaltou alguns números do Plano Inova Empresa, lançado em março de 2013 pelo governo federal. Com 12 programas, o Inova Empresa teve dotação de R$ 32,9 bilhões e chegou a uma demanda agregada de R$ 93,4 bilhões. Arbix também pontuou que a produtividade está estagnada no Brasil desde os anos 80 e que, de lá para cá, apenas dois setores responderam ao desafio da produtividade: a agricultura e a área de serviços, em especial a de serviços financeiros: ”Eles inovam, são mais ágeis.”

Outro ponto levantado por Arbix foi a necessidade de o país aumentar o investimento em tecnologia. No primeiro painel do fórum, com foco em infraestrutura e inovação, foram discutidos temas como startups, carga tributária, incentivo, educação e desenvolvimento. O diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Rodrigo Fonseca, foi o mediador. Fonte: http://www.brasil.gov.br/ por Portal Brasil e Ministério de Ciência e Tecnologia

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

BNDES lança Criatec II e amplia recursos para empresas inovadoras

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, assinou o termo de compromisso para o investimento do BNDES no Fundo Criatec II. Destinado a apoiar empresas nascentes voltadas para inovação, o fundo terá capital comprometido de R$ 186 milhões, que será aportado na participação acionária de 36 companhias. O lançamento do Criatec II é consequência do bom desempenho do Criatec I, que entrou em operação em 2007.

O Banco, por meio da BNDESPAR, investirá R$ 124 milhões no fundo. Os R$ 62 milhões restantes virão do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que aportá R$ 30 milhões; do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul (Badesul), R$ 10 milhões; Banco de Brasília (BRB), R$ 10 milhões; Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), R$ 10 milhões. O Bozano Investimentos, gestor nacional do fundo, aplicará R$ 2 milhões.

Há ainda a possibilidade de aportes adicionais de outros potenciais quotistas, o que poderá elevar o patrimônio comprometido para cerca de R$ 200 milhões.

A participação dos quatro bancos de desenvolvimento no Criatec II visa atingir uma maior pulverização dos investimentos no país e incentivar a inovação em diferentes regiões. A capilaridade regional de quotistas busca criar um compromisso do fundo em investir nas suas respectivas áreas de atuação um montante igual ao capital comprometido por esses investidores. O Criatec I tinha como quotista, além do BNDES, apenas o BNB.

“Inovação é uma das prioridades do BNDES, assim como o trabalho de ampliar o acesso das pequenas empresas ao mercado de capitais. O Criatec II é um passo nessa direção e estamos fazendo isso com um arco de aliança com bancos de desenvolvimento muito expressivo”, disse Luciano Coutinho durante a assinatura de lançamento do fundo, que ocorreu o prédio do BNDES, no Rio de Janeiro.

O Criatec II tem duração prevista de 10 anos. Nos quatro primeiros, os gestores selecionarão e investirão em empresas inovadoras com faturamento líquido anual de até R$ 10 milhões, obtidos no ano imediatamente anterior à aprovação do investimento pelo Fundo.

O Bozano Investimentos será responsável pela escolha de seis gestores regionais, que terão como meta implementar boas práticas de administração e de governança corporativa nas empresas investidas, de modo que desenvolvam produtos e processos inovadores capazes de competir no mercado nacional e internacional. Os gestores regionais atuarão nos seguintes polos: Sul (Porto Alegre); Sudeste (SP, RJ e MG); Centro-Oeste (Brasília); e Nordeste (CE).

Os setores alvo do Criatec II são: Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC); Agronegócios, Nanotecnologia, Biotecnologia e Novos Materiais. Cada empresa poderá receber, no máximo, R$ 2,5 milhões no primeiro investimento, podendo ainda receber investimentos subsequentes de até R$ 3,5 milhões em outras rodadas de investimento. No entanto, o valor máximo por empresa investida não poderá exceder R$ 6 milhões.

A Triaxis será responsável, em conjunto com o Bozano, pela seleção, contratação, treinamento e supervisão dos gestores regionais, bem como, por assessorar o gestor nacional, ao longo de todo o período de operação do fundo, em todos os processos de investimento, monitoramento e desinvestimento, em conjunto com os gestores regionais.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - (Com informações do BNDES)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Thomson Reuters apresenta estudo sobre capacidade de inovação no Brasil

O crescente reconhecimento por parte dos governos ao redor do mundo de que a inovação é a chave do crescimento econômico coloca o Brasil diante de uma realidade motivadora: o País se destaca no crescimento da produção de literatura científica entre os países com pesquisa bem estabelecidas como Japão, Reino Unido, Alemanha e EUA, e lidera o grupo da América Latina.

As constatações são do estudo “Investimentos em Inovação no Brasil e o impacto no desenvolvimento do País”, elaborado pela unidade de Intelectual Property & Science (IP&S) da Thomson Reuters, apresentado no dia 17 de setembro, em um evento realizado em parceria com o INPI e CNI.

Segundo o levantamento, desde 2009, os níveis de pedidos de patentes nacionais têm crescido 12% acima dos registrados em 2003. Entre 2003 e 2008, o número total de pedidos de patentes nacionais havia apresentado um crescimento substancial de 26% no período de 2003 a 2008, mas caiu de volta aos níveis anteriores em 2009, devido à recessão econômica global.

O estudo da Thomson Reuters mostrou que o Brasil ocupa atualmente a 64ª posição do GII (Global Innovation Index). Com uma população de 201,5 milhões e um PIB per capita R$ 12,038.5 (acima de R$11,845.8 em 2012), o Brasil ocupa o 67º lugar no índice de Input Sub-Index, 68º lugar em Output Sub-Index, e 69º lugar no índice geral de eficiência, mas também mostra os pontos fortes relativos em sofisticação empresarial (42º lugar), Infra-estrutura (51º lugar), e em conhecimento e tecnologia (67º lugar).

Demonstra, ainda, uma tendência evidente de crescimento voltada para as áreas de tecnologia de ponta, em termos de volume de invenções básicas publicadas no País. Computadores, produtos naturais, tecnologia automotiva e aparelhos domésticos figuram entre as principais categorias nas patentes depositadas entre 2003 e 2012.

Este perfil coloca as prioridades brasileiras num patamar diferenciados em relação às prioridades globais de inovação.

Produção científica – “Um indicador chave da qualidade da inovação que ocorre numa região é o nível de impacto e de resultados de investigação publicados na literatura científica. Invenções particularmente influentes são frequentemente citadas em revistas e jornais científicos como marcos importantes na marcha progressiva da inovação. Essas citações podem ser rastreadas através da realização de uma análise bibliográfica, que examina a penetração de uma inovação em particular no corpo de literatura científica”, explica Rob Willows, vice presidente global de Estudos em Propriedade Intelectual da unidade de negócios de IP&Science da Thomson Reuters, responsável pela apresentação do estudo.

Ele mostrou que os cientistas brasileiros publicaram 46.795 artigos científicos em revistas indexadas no Thomson Reuters Science Citation em 2012, tornando o País o 14º maior produtor de pesquisa científica do mundo – um salto de 10 posições em 20 anos. De acordo com o mais recente Relatório de Ciências da Unesco, publicado em 2010, mais de 90% dos artigos do Brasil foram gerados por universidades públicas.

De acordo com o levantamento, há um forte crescimento da produção científica do Brasil em relação aos últimos 25 anos. O Brasil tem apresentado taxas de crescimento que o posiciona à frente do grupo da América Latina e superior até mesmo a Alemanha, Reino Unido e EUA. As áreas tecnológicas que representam a maior parcela da produção científica brasileira são medicina clínica, ciência animal e vegetal, ciências agrárias, química e física.

“O Brasil é um país que desafia a categorização fácil. É, simultaneamente, um mercado emergente de hiper crescimento, um protetor dos direitos de propriedade intelectual e um um terreno fértil para a inovação. Juntos, esse espírito de crescimento novo, combinado com uma infra-estrutura legal sólida estão criando um mercado interessante para as empresas locais e multinacionais”, conclui Willows. E acrescenta: “Com o modesto crescimento no depósito de patentes e a mudança para uma inovação voltada para questões locais, podemos dizer que o Brasil está indo na direção certa”.

O estudo revelou, também, que 27% de todas as patentes no Brasil são de propriedade de universidades. Segundo Willows, este fenômeno, que também é visto na China, é o resultado direto das medidas tomadas pelo governo brasileiro para melhorar a cooperação entre as universidades e a indústria. Ele também é um reflexo dos tempos lentos de aprovação de patentes brasileiras.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - Com informações da Thomsom Reuters

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Como aumentar investimento público e privado em inovação?

O segundo painel do fórum Estadão/FINEP buscou responder como é possível aumentar os investimentos tanto do governo, quanto de empresários, em inovação. Daniel Randon – Presidente da Fras-Le e Membro do Comitê Executivo das Empresas Randon, Pedro Luiz Passos –Co-presidente do Conselho de Administração da Natura, Alexandre Birman – Presidente da Arezzo e Wolney Betiol – Presidente do Conselho de Administração da Bematech foram unânimes ao afirmar que, para estimular a inovação, é necessário aumentar a competitividade. “A taxa de inovação por aqui ainda é baixa porque a competição é baixa”, destacou Pedro Luiz Passos, ressaltando que as discussões de governo e empresários precisam atuar para uma modificação desse panorama.

Para eles, as leis trabalhistas são extremamente importantes, mas atrapalham a competitividade do mercado brasileiro em alguns aspectos. “É mais barato hoje montar um centro de P&D nos Estados Unidos do que aqui”, disse Wolney Betiol, destacando que a Bematech surgiu durante a abertura de mercado, promovida pelo Governo Collor, nos anos 90.

“Quando todas as empresas tradicionais estavam balançando com a entrada da concorrência estrangeira... Foi aí que decolamos. Já começamos num ambiente que, para se desenvolver, precisávamos inovar e driblar a concorrência”, afirmou o dirigente da empresa do ramo tecnológico.

Tudo começou com um investimento anjo. Foram US$ 150 mil num primeiro momento. Em 1999, o BNDES virou acionista. Em 2007, já abria seu capital. Hoje, tem um faturamento de 5 a 10% em P&D. “Como sociedade, o Brasil precisa entender que, para apesentar um ambiente de inovação, precisamos ter estabilidade econômica. O governo é o indutor, mas as empresas é que têm de construir. Investimento em inovação é investimento de risco, e foi o que fizemos desde o começo: arriscar”. Por fim, provocou: "que tal um processo nos moldes do que se fez com Lei Rouanet para empresas que inovam?".

Pedro Passos contou que a Natura já nasceu inovadora em 1969 – “um nome como este era bastante à frente do tempo naquela época, aqui entre nós” – e que o foco em biodiversidade foi a forma que encontraram para enfrentarem as gigantes multinacionais que existiam na época. O investimento hoje em inovação da empresa representa 3% da receita líquida e 65% do faturamento vem de produtos lançados nos dois últimos anos.

“Apesar dos bons resultados, enfrentamos problemas. E um deles é o do marco regulatório. Os assuntos regulatórios do Brasil dão muito mais problemas do que deveriam”, disse, destacando ainda que “o Brasil poderia ser um polo importante como agência de propriedade intelectual”.

Já Alexandre Birman, da Arezzo, lembrou que a empresa de calçados nasceu num fundo de garagem e que, para crescer, a inovação foi componente fundamental. E deu a receita: a partir dos anos 90, trabalhamos no trinômio branding (exposição da marca), desenvolvimento de novos produtos e franquias. “Lidamos com um público feminino que compra por impulso, ou seja, que é estimulado a comprar num passeio qualquer pela rua. Sabemos dessa característica romântica do nosso cliente e focamos nele”.

Para ele, o consórcio design e conforto é o grande chamariz da Arezzo, que já tem lojas espalhadas por diversos países do globo. O empresário elogiou a atuação da FINEP na promoção da inovação e pela sua recém-lançada iniciativa de dar resposta aos pedidos de financiamento em trinta dias: “este é papel do governo, pavimentar o caminho da inovação, que é protagonizado pelo setor produtivo”.

A Arezzo tem crescimento médio de 36% desde 2007. “Somos uma empresa verticalizada com amplo foco em P&D”, frisou. Birman não deixou de destacar os problemas que enfrenta no caminho para crescer inovando: “No tocante às leis trabalhistas, falta de clareza na relação comercial entre fornecedores e clientes. Recentemente, fomos processados por um motivo que tinha a ver com um fornecedor nosso que fechou as portas, e não com a gente”, lamentou.

Daniel Randon contou que sua empresa, do segmento de transporte de cargas, conta com 13 mil colaboradores e que 20% de sua receita é proveniente do mercado externo, que também é seu histórico principal competidor. “O meu preço de produto quase não teve inflação nos últimos 10 anos. Mas o custo de energia e mão-de-obra cresceu. Sem falar nos custos de matéria-prima. Desse jeito, só inovando. Há um jogo desigual com países que não têm leis trabalhistas. As empresas precisam se reinventar”.

Randon disse ainda que “quando o orçamento aperta, sangra primeiramente o departamento de P&D, o que é um erro”. “A concordata em 88 foi dureza, mas nos fez melhorar. Investindo em P&D o resultado é arriscado, mas positivo”, finalizou.

Fonte: http://www.finep.gov.br/

segunda-feira, 25 de março de 2013

PLANO INOVA EMPRESA - INVESTIMENTO EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

O QUE É?

O Inova Empresa é um plano de investimento em inovação do Governo Federal que prevê a articulação de diferentes ministérios e a disponibilização de apoio financeiro por meio de crédito, subvenção econômica, investimento e do financiamento a instituições de pesquisa. Até 2014 serão aplicados mais de R$ 30 bilhões em inovação.

PARA QUEM?

Os recursos são destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O plano apoia setores considerados prioritários pelo Governo, como Saúde, Aeroespacial, Energia, Petróleo e Gás, Tecnologia Assistiva e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). O pacote está diretamente alinhado com os esforços da FINEP – Agência Brasileira da Inovação na promoção do desenvolvimento nacional por meio do financiamento público a projetos de C,T&I.

QUANDO?

Já é possível se candidatar a uma parcela desses recursos, através dos programas e editais já divulgados. Para facilitar o acesso e desenvolver potencialidades locais, a FINEP dispõe de uma política operacional, que apresenta as formas de apoio disponíveis, e aposta na integração de diferentes instrumentos e na descentralização da aplicação financeira.

QUAIS SÃO OS INSTRUMENTOS?

INOVA BRASIL

Por meio do Inova Brasil, a FINEP oferece financiamento reembolsável, ou seja, empréstimos em condições altamente competitivas para o apoio às atividades inovadoras das empresas brasileiras. Os juros podem variar de 2,5 a 5% ao ano, com até 48 meses de carência e até 120 meses para pagar. A FINEP apoia variadas atividades relacionadas ao desenvolvimento tecnológico: desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços; aprimoramento de produtos, processos e serviços; e produção e comercialização pioneiras.

INOVACRED

Através desse programa, a FINEP está selecionando agentes financeiros (Bancos de Desenvolvimento, Agências Estaduais de Fomento e Bancos Estaduais Comerciais com carteira de desenvolvimento), descentralizando a atividade de crédito. O primeiro agente credenciado é o BADESUL. Cada agente terá recursos disponibilizados no valor de até R$ 30 milhões para o financiamento de empresas com receita operacional bruta de até R$ 90 milhões. A meta é, em cinco anos, financiar quase duas mil empresas inovadoras.

TECNOVA

O TECNOVA, lançado em setembro de 2012, conta com R$ 190 milhões (recursos da subvenção econômica) para aplicação em micro e pequenas empresas. Ele vai possibilitar o desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos que agreguem valor aos negócios e ampliem seus diferenciais competitivos. O Programa será operado por parceiros descentralizados em cada estado da Federação.

INOVA PETRO

Uma ação de integração de instrumentos e instituições já acontece no INOVA PETRO, programa que envolve recursos da FINEP (nas modalidades de crédito, subvenção econômica e cooperativo ICT-Empresa) e do BNDES, com apoio técnico da Petrobras. O primeiro edital do programa foi lançado em agosto de 2011. Após o encerramento de sua primeira etapa, foi recebida uma demanda de R$ 2,7 bilhões por meio de 37 cartas de manifestação de interesse.

TECNOLOGIA ASSISTIVA

Em novembro de 2012, a FINEP lançou uma chamada pública que vai financiar empresas brasileiras no desenvolvimento de produtos inovadores relacionados a esportes paralímpicos. A ideia é promover a inclusão social das pessoas com deficiência. Ao todo, serão destinados R$ 20 milhões em recursos não reembolsáveis da subvenção econômica.

SUBVENÇÃO

A FINEP irá apoiar com cerca de 150 milhões de reais em recursos não reembolsáveis projetos de empresas de qualquer porte nas áreas de Nanotecnologia, Biotecnologia, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), Construção Sustentável e Saneamento Ambiental.

Fonte: http://www.finep.gov.br

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pacote vai destinar R$ 30 bilhões à inovação

A presidente Dilma Rousseff deve anunciar até o fim do mês um conjunto de medidas que inclui uma linha de crédito subsidiado de quase R$ 30 bilhões para financiar investimentos das empresas em inovação e pesquisa. Os recursos serão direcionados a seis setores produtivos, até o fim de 2014.

No pacote, o governo também vai anunciar a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que será responsável pela intermediação das empresas com os institutos tecnológicos federais, e de um “Observatório da Inovação”, que vai acompanhar o avanço da pesquisa e desenvolvimento (P&D) no País.

Além disso, o governo deve estender às empresas optantes do programa Simples Nacional os benefícios tributários previstos na Lei do Bem, que reduz impostos para empresas que apliquem em P&D e registrem patentes.

A meta geral do novo pacote do governo é elevar, até o fim de 2014, os investimentos gerais (públicos e privados) do País em inovação para algo como 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, o investimento em inovação é de 1,4% do PIB.

Terão acesso aos quase R$ 30 bilhões em financiamento subsidiado os setores considerados “prioritários” no Plano Brasil Maior (a política industrial e de comércio exterior do governo Dilma): complexo industrial da saúde, etanol, petróleo e gás, defesa, tecnologia da informação (TI) e energias renováveis.

Estimativas internas do governo apontam, no entanto, que a linha vai superar a demanda das empresas. “O recado é simples: dinheiro para inovar não vai faltar”, disse uma fonte do Palácio do Planalto.

As linhas especiais de crédito serão oferecidas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que conta com um orçamento de quase R$ 6 bilhões para 2013, além de operar como agente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que entrará com a maior parte do dinheiro.

Serão oferecidas taxas de juros subsidiadas nos financiamentos às empresas, e parte do dinheiro será via subvenção econômica, ou seja, empréstimo a fundo perdido. Além dos recursos, as empresas desses setores passarão a contar com um parceiro para apoiar projetos de inovação, a Embrapii.

Chamada de “a Embrapa da indústria”, a nova empresa será uma organização social (OS), isto é, uma companhia pública que presta serviço ao governo por um contrato de gestão. A companhia vai fechar um contrato com o governo, onde serão estabelecidas metas de atendimento às companhias privadas. Em troca, o governo deve entrar com R$ 150 milhões no caixa da Embrapii, além de um posto no conselho de administração.

Na visão do governo, as empresas terão acesso à dinheiro subsidiado para aplicar em projetos de inovação e terão na Embrapii um auxiliar na modelagem dos projetos a serem financiados pela Finep. A nova empresa pública também vai “fazer a ponte” entre companhias e as pesquisas desenvolvidas nos institutos tecnológicos federais e universidades.

As linhas gerais do pacote já foram fechadas pela presidente Dilma Rousseff e o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, em reunião há duas semanas. Mas os detalhes finais do pacote ainda passam pelas sessões de “espancamento” no Planalto e devem ficar prontos para serem anunciadas após o carnaval.

Fonte:http://www.anpei.org.br - Com informações do O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

TI Maior: indústria de software receberá aporte de R$ 500 milhões.

Recursos serão repassados nos próximos três anos. Investimento faz parte do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação, lançado pelo MCTI.

A indústria brasileira de software receberá um aporte de meio bilhão de reais nos próximos três anos do governo federal para aumentar a sua competitividade no mercado local e externo. O investimento faz parte do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação (TI Maior), lançado na manhã desta segunda-feira (20/08), em São Paulo, pelo ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp.

Esses recursos serão repassados por meio de editais públicos que começam a ser lançados a partir deste mês para incentivar a indústria de software. O capital vai financiar um ecossistema que está sendo criado pelo IT Maior para fomentar o setor, que abrange desde o desenvolvimento das soluções até a comercialização e exportação.

Entre os orgãos que vão liberar os recursos estão a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Resultado de mais de um ano de estudo juntamente com empresários do setor e entidades de classe, o IT Maior se baseia em um conjunto de ações para fortalecer esse segmento, que foi considerado pelo governo federal estratégico para a economia do Brasil.

Ao apresentar o programa para as lideranças do setor, o ministro Raupp, destacou que o software é uma tecnologia que está presente atualmente em quase todos os negócios, utilizado para processar diversas operações e criação de novos produtos.

“Sem software não há inovação”, destacou Raupp, mencionando que essa indústria movimentou 37 bilhões de reais em 2011 e que tem potencial para crescer. “Esse setor não pode ficar sem investimentos”, declarou o ministro, lembrando que as fabricantes de hardware e de semicondutores já haviam sido beneficiadas com programas de incentivos, mas que faltava algo específico para tornar esse segmento mais robusto.

“O programa não olha só para o desenvolvimento, mas para a oferta e demanda. Software é estratégico para o Brasil”, reforçou o ministro do MCTI, que espera que o IT Maior fomente a indústria brasileira e que os players locais consigam fazer frente aos produtos importados.

Pilares do IT Maior

Entre as ações previstas pelo IT Maior estão a consolidação de ecossistemas digitais; a certificação e a preferência nas compras governamentais para aplicativos com tecnologia naciona e a aceleração de empresas nascentes de base tecnológica com foco em software e serviços.

O novo programa vai incentivar também a instalação de centros de pesquisa globais e a capacitação de jovens para o mercado profissional.

O “TI Maior” é integrado à Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação 2012-2015, que prevê a elaboração de um programa específico para estimular o desenvolvimento do setor de software e TI.

Também está articulado a outras políticas públicas do governo federal, como a Estratégia Nacional de Defesa (END), o Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC2), o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o Programa Brasil Mais Saúde.

Segundo o MCTI, a iniciativa está alinhada ainda com o Plano Brasil Maior, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP), além dos Regimes Especiais, como o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS) e TV Digital (PATVD).

Fonte: http://computerworld.uol.com.br - Por EDILEUZA SOARES

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fundo de investimento do Vale do Silício chega ao Brasil em julho

O Sequoia Capital, fundo de investimentos do Vale do Silício, renomado por ter investido US$ 25 milhões para criar o Google, deve abrir um escritório no Brasil com o propósito de aplicar em startups na América do Sul. Um dos investidores- parceiro, David Velez, foi nomeado para comandar a subsidiária brasileira a partir de julho. Segundo pessoas próximas ao assunto ouvidas pelo The New York Times, a filial “muito provavelmente” será em São Paulo. Velez foi contratado no ano passado para buscar oportunidades de investimentos, mais especificamente no mercado latino-americano. O executivo trabalhou no Morgan Stanley.

Em fase final de elaboração do planejamento, o Sequoia agora está em busca de um sócio da área de pesquisa. Segundo disseram as fontes ao jornal americano, o plano estratégico foi montado há dois anos, quando o parceiro Doug Leone esteve no Brasil pela primeira vez em busca de investimentos.

Embora o Sequoia Capital ainda não tenha aplicado recursos em nenhuma startup de tecnologia no Brasil, o país é um importante mercado para a empresa. Um indicador disso foi o investimento recente em duas empresas da região – na uruguaia Scanntech, no valor de US$ 10 milhões, que desenvolve soluções para conectar fornecedores e varejistas na área alimentícia, e no argentino Despegar, que no Brasil opera sob o nome de Decolar.com, no qual aplicou US$ 50,8 milhões.

Fonte: http://www.tiinside.com.br

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Novo ministro da C,T&I tem perfil técnico

O escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) é o físico Marco Antonio Raupp. A posse foi no dia 24/01/2012. Ele substituio Aloizio Mercadante, que agora é o novo ministro da Educação.

Sua escolha foi motivada pelo fato de ter experiência na gestão acadêmica e também ser um defensor da inovação tecnológica como meio para aumentar a competitividade da economia brasileira.

Graduado em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raupp é PhD em matemática pela Universidade de Chicago e livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Foi pesquisador titular do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Como docente, atuou no Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME/USP) e na Universidade de Brasília (UnB).

Já dirigiu várias instituições da área de C,T&I, a exemplo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do Inpe e do Instituto Politécnico da Universidade do Rio de Janeiro (IPRJ/Uerj). Nos últimos anos, trabalhou como diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, SP, e foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), atividades que encerrou em março de 2011 para assumir a presidência da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Entre os títulos que recebeu destacam-se o de Comendador pela Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, e de Grão-Cruz pela Ordem Nacional do Mérito Cientifico, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

NOTA Á IMPRENSA – Veja abaixo nota que Rauup divulgou para a imprensa referente a sua escolha para o MCTI:

“Recebo como uma distinção especial o convite da presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, num momento fundamental da sua evolução. Com 40 anos de militância nas atividades cientificas e tecnológicas, como pesquisador e gestor de instituições da área, considero uma honra e um enorme desafio a nova missão que me é confiada.

“Tenho absoluta consciência da exigência sem precedentes para que a ciência, a tecnologia e a inovação contribuam de forma essencial para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

“Para dar cumprimento a essa missão, espero contar com a participação ativa das comunidades científica, tecnológica e empresarial, e com o apoio das equipes que compõem o Ministério.

“Também muito me honra suceder o ministro Aloizio Mercadante, a quem desejo a continuidade e o avanço do êxito alcançado pelo professor Fernando Haddad à frente do Ministério da Educação.”

Fonte: http://www.anpei.org.br

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Agenda do setor produtivo ainda não incorporou a inovação, afirma Antoniazzi.

Apesar de ter entrado definitivamente na agenda de governo brasileiro, a cultura da inovação – imprescindível para garantir a competitividade no mercado - ainda não está totalmente impregnada no setor produtivo. A preocupação é do vice-presidente da ABIPTI pela região Sul e presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec), o engenheiro Luiz Antonio Antoniazzi.

Os investimentos em inovação no Brasil são crescentes, porém muito tímidos e aquém da sua necessidade, destaca Antoniazzi. O país possui o 11° parque industrial do mundo e o 7° Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. No entanto, ocupa o 47° lugar no ranking da inovação tecnológica. O setor industrial investe cerca de 0,50 % do PIB Nacional, pouco ao considerar a Coreia do Sul, que investe 2,46 %; o Japão, 2,68 %; e os Estados Unidos da América (EUA), com 1,86%.

No Brasil, informa, quem mais investe é o Estado (0,57 % do PIB, incluindo os investimentos da Petrobras). Somente 2,7% da empresas brasileiras inovam e diferenciam seus produtos, entre 70 mil indústrias pesquisadas. Destas, em média, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) são de 0,7% do seu faturamento.

Na opinião de Antoniazzi, as empresas devem destinar, no mínimo, um percentual de 5% do faturamento para investir em PD&I de acordo com o seu perfil (alta, média alta, média baixa ou baixa tecnologia). Além disso, o setor industrial tem que ser mais ousado e usufruir dos produtos e processos gerados pelas entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (EPDIs). “Ainda é comum que empresa e indústria desenvolvam tecnologias isoladamente, sem o aproveitamento do conhecimento e da infraestrutura existentes em universidades, centros de pesquisas e institutos tecnológicos”.

Legislação

Com a promulgação da Lei da Inovação, a expectativa é facilitar a interação com o setor produtivo. Porém, as EPDIs ainda são muito burocratizadas e não possuem a agilidade esperada. Os entraves burocráticos causados pela Lei 8.666/93 têm sido o principal obstáculo para a pesquisa científica e tecnológica no país, uma vez que a legislação é anacrônica. “As regras colocam a pesquisa e a inovação como um produto na prateleira de um supermercado”, analisa.

Um novo código de ciência e tecnologia, acredita Antoniazzi, poderá reduzir a burocracia, mas é fundamental ter uma nova postura em relação à inovação tecnológica com a difusão de uma cultura de inovação, como tem ocorrido na Coreia do Sul nos últimos anos. “Sem recursos humanos capacitados não se faz pesquisa científica e nem tecnológica”.

Hoje, enumera, são formados no Brasil aproximadamente 47,1 mil engenheiros por ano, o que equivale a 1,95/10 mil habitantes. Na China são 13,4 e, na Coreia do Sul, 16,4. E não é por falta de vagas nas universidades - em 2008 foram oferecidas 249 mil no Brasil, mas foram preenchidas apenas 147 mil.

Commodities

Além disso, completa Antoniazzi, o Brasil é um país exportador de commodities e importador de tecnologia, uma incômoda realidade que vem desde o Brasil Colônia e que precisa mudar. O déficit tecnológico brasileiro é assustador se for levado em conta que no primeiro trimestre deste ano atingiu U$ 49.765 bilhões. A falta de uma política industrial fragilizou o processo da inovação ao longo das últimas décadas. “Este cenário não mudará enquanto o país copiar e reproduzir a tecnologia do concorrente sem agregar valor”, destaca.

Para reverter o quadro, reforça o vice-presidente da ABIPTI, é necessário que todas as organizações envolvam seus setores com uma gestão voltada para a inovação. “O crescimento da indústria nacional, seja micro, pequena, média ou grande, deve acontecer por meio de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esta não acontece necessariamente com a introdução no mercado de novos produtos, mas também com melhorias que, ainda assim, caracterizam o produto ou processo como inovador”, lembra.

A melhor tecnologia não garante necessariamente uma inovação de sucesso no mercado, ressalta. O primeiro aspecto se dá no ambiente em que uma organização está inserida, levando-se em conta as características de sua cadeia produtiva, políticas governamentais de apoio e a intensidade da competição no mercado em que atua, entre outros pontos, como o organizacional e o tecnológico.

Petrobras

Há exemplos de grandes corporações que não avaliaram este contexto, lembra ele, como a Sony, que nos anos 1980 lançou o videocassete Betamax e, mais recentemente, a Toshiba, ao lançar o vídeo de alta definição, que perdeu espaço para o Blu-Ray, amargando um prejuízo de mais de U$ 2 bilhões.

Para Antoniazzi, a Petrobras é o exemplo mais emblemático que sintetiza tudo o que foi dito. Na cadeia do petróleo, gás, indústria naval e oceânica, a inovação está presente de forma contínua e consistente. “A atuação do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguel de Mello (Cenpes), unidade da Petrobras responsável pelas atividades de P&D e engenharia, somada à interação com universidades e instituições tecnológicas de todo o país, com pesados investimentos em pesquisa, deram à Petrobras o diferencial necessário para o alcance da competitividade internacional”.

Com uma política bem sucedida de implementar conteúdo local nas aquisições, completa Antoniazzi, a empresa passou a fomentar a inovação em toda a cadeia de fornecedores, além de disponibilizar suas patentes a eles. “Em 2011, a Petrobras investirá algo em torno de U$ 1.25 bilhão em pesquisa e desenvolvimento”, finaliza.

Fonte: http://www.abipti.org.br - por Cristiane Rosa

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Invenção e inovação no Brasil.

A bicicleta apareceu pela primeira vez nos desenhos de Leonardo da Vinci no século 15. Mas a ideia somente foi patenteada em 1818. Apesar de funcionar, a bicicleta não se popularizou até que a percepção de insegurança fosse eliminada e que a produção em massa fosse viabilizada pela revolução industrial.

Invenção não é inovação. Invenção é o puro ato de criação de conhecimento. Inovação ocorre quando uma invenção causa um impacto positivo na vida das pessoas e atinge sucesso comercial. Inovação requer todo um ecossistema favorável para que possa emergir e florescer de forma sustentável. Observando diversos países do mundo. Notamos que o ecossistema de inovação inclui universidades, governo e empresas de diversos portes. Gerar pesquisas relevantes, formar núcleos de competência em áreas estratégicas, fomentar políticas agressivas de isenção fiscal e proporcionar um ambiente seguro para a criação de propriedade intelectual e implementação de startups são alguns dos itens indispensáveis para que esse ecossistema funcione e se desenvolva.

Israel trilhou este caminho com maestria e gerou um ecossistema de inovação vibrante e autossustentável: a Universidade de Jerusalém recebe anualmente US$ 1 bilhão por ano em royalties, oriundos das empresas ali instaladas. Israel investe 4,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Em 2009, Israel tinha 3.8 mil startups, ou uma empresa de tecnologia para cada 1.8 mil israelenses.

No Brasil, investimos 1,2% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento mais da metade do dinheiro oriundo de instituições públicas. O governo tem muitos programas e políticas de incentivo à inovação que incluem formação de recursos humanos (Programa RHAE, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), linhas de crédito (BNDES), incentivos (Lei da Inovação, Lei da Informática, Lei do Bem) e promoção de exportações (Apex-Brasil). Apesar das políticas existirem, acessar esses recursos ainda não é trivial.

Comparativamente a Israel e aos Estados Unidos, o setor privado brasileiro ainda não abraça inovação como prática necessária à competitividade. Poucas empresas consideram suporte a startups uma forma de investimento de alto retorno. Investimentos de private equity existem. Mas a prática ainda não é prevalente. O conhecimento é fundamental à inovação, mas não precisa necessariamente originar-se in-house. Investir em startups, firmar parcerias com universidades e colaborar com outras empresas inovadoras são maneiras de o setor privado contribuir para gerar inovação , lucro e benefícios para a sociedade e a economia brasileira.

A inovação necessita de todo um ecossistema favorável para emergir e florescer. É importante que tanto o setor público como o setor privado nacional abracem a inovação como urna alavanca para melhorar a competitividade. Gerar empregos e renda, e criar indústrias capazes de afetar positivamente o futuro do país.

Fonte: http://www.tiinside.com.br

domingo, 20 de novembro de 2011

Dilma anuncia investimento de R$ 150 milhões da FINEP para tecnologias assistivas.

No dia 17/11, a presidenta Dilma Rousseff anunciou o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, conhecido também como Viver sem Limite. Em consonância com as diretrizes do governo federal, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) vai destinar R$ 150 milhões de seu orçamento a projetos inovadores que tenham como foco a inclusão de pessoas com deficiência. Até o fim deste ano, será lançada a primeira chamada pública, no valor de R$ 20 milhões em recursos não reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos). O foco é a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias assistivas por meio de parcerias entre universidades e centros de pesquisa.

Outros R$ 10 milhões estão reservados para futuras chamadas públicas. Já R$ 90 milhões serão concedidos em forma de crédito a empresas que queiram criar produtos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que aumentem a autonomia e a qualidade de vida de idosos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Os R$ 30 milhões restantes ficarão disponíveis para subvenção de inovações. Os recursos serão executados até 2014.

De acordo com o Censo Demográfico de 2000, 14,5% da população brasileira – ou seja – 24,5 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência. Os idosos representam cerca de 8%, somando 14,5 milhões. O Plano Nacional envolve, além do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, os Ministérios da Saúde e da Educação.

Fonte: http://www.finep.gov.br

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Berço de inovação e empreendedores!

Ary Plonski, da Anprotec: “É preciso ter uma ideia clara do que é inovação, que sempre requer mudança tecnológica, mercadológica e organizacional combinadas”

Em uma entrevista pela CRN BRASIL, Quase no final de uma conversa, o professor Ary Plonski cita a frase do matemático e astrônomo grego Arquimedes: “Dêem-me um alavanca e um ponto de apoio, que moverei o mundo”. A analogia é forte e tem vínculo intrínseco ao cenário de empreendedorismo e inovação no Brasil atual. O bate-papo com o presidente da Anprotec (Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) estendeu-se por mais de uma hora em uma sala na faculdade de administração e economia da Universidade de São Paulo e percorreu temas que foram muito além de incubadoras e parques tecnológicos, como pode ser conferido a seguir.

CRN Brasil – Como está o cenário de incubadoras e parques tecnológicos no Brasil?

Ary Plonski – Vem evoluindo positivamente por quatro razões, sendo duas de natureza geral e duas de natureza específica. As gerais são a elevada taxa de empreendedorismo no País, sendo que a relação entre os que empreendem por oportunidade e necessidade evolui favoravelmente para o primeiro grupo. O segundo elemento de contexto positivo em termos gerais é o fato de que inovação entrou para a agenda nacional. A ideia contaminou, no sentido positivo da palavra, a sociedade brasileira. Essas são duas questões de fundo.

CRN Brasil – E com relação a questões específicas?


Plonski – Uma é que o próprio resultado dos movimentos anima outras pessoas. Quando você tem bons exemplos, mais gente vai querer fruir essa mesma oportunidade. Os resultados estimulam o avanço. O quarto elemento dessa composição é que o tema do empreendedorismo está cada vez mais presente, por exemplo, no ambiente acadêmico. Antes, isso era uma coisa distante e, agora, há incubadoras e cursos sobre o tema em faculdades.

CRN Brasil – O contexto nos parques tecnológicos segue a mesma lógica?

Plonski – Há outras variáveis específicas e aí elas são bastante diversas e variam de acordo com o tipo de parque. Se pegarmos como exemplo o Rio de Janeiro, uma das variáveis é a atratividade para instalação de centros de P&D de companhias internacionais, IBMs e GEs da vida, pela proximidade de instituições de ensino de excelência, como a (Universidade) Federal do RJ e, também, pela vizinhança com um centro de pesquisa da Petrobrás, que é uma gigantesca plataforma de interesse para quem atua na área de pesquisa. Mas isso é apenas um exemplo para dizer que cada parque em uma localidade terá um conjunto de motivadores específicos.

CRN Brasil – A proliferação dos parques tecnológicas parece um movimento recente por aqui.

Plonski – O modelo não, mas a proliferação deles, sim. Uma estatística do último censo que fizemos (dezembro de 2008) indica 74 iniciativas que se autodenominam parques tecnológicos em operação, implantação ou projeto. Do total, dois terços eram iniciativas de poucos anos antes do estudo.

CRN Brasil – O que desencadeou isso?

Plonski – Em primeiro lugar, o avanço da inovação. Além disso, há um esforço para avaliar a nova competitividade dos territórios. O que tornava as cidades, regiões e estados competitivos historicamente eram recursos naturais e coisas desse do tipo. Agora, é preciso compreender os novos fatores de competitividade. Os resultados dos que investiram antes em parques tecnológicos mostraram resultados muito bons. Mas deixa eu inverter a entrevista e te perguntar: qual a principal fonte de geração econômica e de impostos de Florianópolis?

CRN Brasil – Sem pensar muito e de uma forma bastante superficial eu diria que é o turismo, mas analisando o contexto de nossa conversa, vou arriscar que é software.

Plonski – 100% das pessoas falariam que é o turismo. Mas números da prefeitura a partir de 2007 diziam que a contribuição das empresas de software dentro de Florianópolis, estando no parque tecnológico ou graduadas nas duas incubadoras da cidade, representam o dobro do turismo. Esse é um exemplo da nova competitividade dos territórios. Não que o turismo não seja uma âncora importante, mas que há novos fatores e oportunidades. Você não despreza as fontes tradicionais, mas busca outras formas de alavancar negócios.

CRN Brasil – Nos anos 90 houve uma explosão no número de incubadoras no País.


Plonski – A partir de 1994, com o Plano Real. Até então, com uma inflação incontrolável, o horizonte de tempo era muito curto. Numa sexta-feira, pensava-se o que fazer com o dinheiro até, no máximo, a segunda-feira seguinte. Com certa estabilidade, era possível arriscar compromissos maiores e olhando mais para frente.

CRN Brasil – É impressão ou começam a aparecer algumas incubadoras de cunho privado no Brasil?

Plonski – Tem algumas, não muitas. Recentemente a Telefônica abriu uma incubadora em um projeto que se chama Wayra. Eles tão seguindo essa iniciativa em diversos países.

CRN Brasil – Que vantagem tem uma empresa do porte da Telefônica de lançar uma incubadora?

Plonski – Minha percepção é que eles querem três coisas: criar um ecossistema de negócios inovadores nos quais poderão ter ou não interesse em alguns projetos que serão desenvolvidos lá, ou algo que tenha relação com sua atividade dentro de um ecossistema vibrante no qual eles consigam alguma sinergia. A segunda razão, na minha interpretação, seria uma forma excelente de a empresa estar próxima a jovens talentos e a terceira, acho, é alguma coisa positiva para a imagem da companhia em segmentos importantes. É uma iniciativa nova e aposta.

CRN Brasil – Há uma tendência de incubadoras privadas?

Plonski – São poucos casos ainda. Houve uma tendência em que apareceram algumas aceleradoras de negócio e muitas não deram certo.

CRN Brasil – A Anprotec tem alguma cartilha para empresas que eventualmente queiram seguir o mesmo caminho?

Plonski – Acho que ainda não temos maturidade para fazer uma cartilha, mas creio que o nosso papel é abrir espaço para que esses casos sejam apresentados e divulgados. Esperamos acompanhar essas iniciativas e torcemos para que outras empresas se inspirem, principalmente aquelas que já possuem uma sensibilidade para o tema.

CRN Brasil – O que vem por aí quando o assunto é incubadoras e parques tecnológicos?

Plonski – Há muito pela frente e as coisas mudam. Acho que, no caso de parques, há um movimento que passou por três fases, começando com o pioneirismo de algumas iniciativas que já completam 15 ou 20 anos; há um segundo momento, que foi de proliferação e, agora, o que sugerimos é um período de sistematização, ou seja, embora cada parque seja único, existem questões e desafios comuns. A lógica que trabalhamos é a de parque de terceira geração, que só faz sentido se estiver inserido em uma plataforma ou estratégia de desenvolvimento nessa nova fonte de competitividade.

Em incubadoras, o que trabalhamos muito é um programa chamado CERNE (Centro de Referência para Novos Empreendimentos), que faz com que elas, sistematicamente, se voltem mais para fora. Seu papel não é apenas cuidar das empresas incubadas, mas ser um núcleo de apoio ao empreendedorismo e inovação na sua cidade e microrregião. A tendência é a atuação como núcleo de desenvolvimento regional, no sentido mais elástico do termo e voltado para fora. O programa se inspira bastante em modelo de fora do País.

CRN Brasil – Que inspiração é essa?

Plonski – Na Europa, por exemplo, tem um modelo mais bonito e que nos inspiramos bastante que é o implantado em Barcelona, chamado 22@, que consegue, ao mesmo tempo, estimular empreendedores na região desde temas mais gerais, até questões mais específicas, que é incubar algumas dessas ideias. Até porque, em uma incubadora você vai poder atender um número limitado de empresas. Então, como mudar a escala, se não posso colocar toda hora mil novos empreendimentos no processo? É preciso prestar outro tipo de serviços para a sociedade.

CRN Brasil – Na sua visão, como o Brasil se posiciona no cenário mundial de inovação?

Plonski – A pergunta que sempre se faz é: sabemos que o Brasil é um país criativo. Em geral, não se discute isso; mas, somos um país inovador? A questão tem a ver com o entendimento mais claro do que se tem de inovação, que é um termo muito confundido com outros, como por exemplo, invenção. Uma frase bastante comum é “o Brasil publica tantos artigos científicos etc, mas o número de patentes vai mal. Conclusão: o Brasil não inova”. Como professor, daria nota zero aos que pensam assim. Patente é de invenção e não inovação, que são coisas distintas. É preciso ter uma ideia clara do que é inovação, que sempre requer mudança tecnológica, mercadológica e organizacional combinadas.

A pergunta é: somos um país inovador? Temos algumas condições de inovação presentes, tais como criatividade, inventividade mesmo sem patente, etc. Existem outras condições em que, geralmente, somos um pouco mais limitados, como a capacidade de gerir mudança (tecnológica, mercadológica e organizacional) de forma integrada, que é o que faz a inovação acontecer. Isso significa não só ter um novo conhecimento, mas empacotá-lo, precificá-lo, fazer os registros e vendê-lo. Entender que se trata de um conceito que traz implementação novos produtos, serviços ou processos na sociedade. Em suma, em alguns componentes estamos bem e, em outros, não tão bem assim.

CRN Brasil – O empresariado brasileiro tem conseguido trabalhar onde está mal e potencializar o que faz de bom?

Plonski – Há muitas ações sendo feitas para que isso ocorra. Você ouve críticas de que o empresário brasileiro não é inovador. Pode ser. Mas, para que ele fique mais tempo no mercado, tem que ser um herói por passar pelas maluquices pelas quais o Brasil passou, de enfrentar uma inflação exorbitante e toda a dificuldade de ser um empresário honesto e trabalhar direito. Isso não é uma coisa trivial. Claro que gostaríamos que inovasse mais, mas, vamos trabalhar para criar uma nova geração de empresários que tenha a inovação no DNA. Precisamos capacitar em questões como gestão. Não é necessário mostrar porque inovação é importante. Preciso dar condições para que a ideia se transforme em negócios, isso sim. Nosso papel é um pouco isso, ajudar a criar uma nova geração de empreendedores, para que a meninada saia e, ao invés de pensar em ser funcionário público, crie o próprio negócio. Empregabilidade não é apenas você trabalhar em uma grande companhia, mas criar seu próprio negócio.

CRN Brasil – A pergunta para tirar zero: esse negócio de registro de patente, então, não reflete o quão inovador é o Brasil?

Plonski – São coisas diferentes. Trabalhamos com as empresas incubadas a questão da propriedade intelectual e isso, em certos segmentos, é muito importante, como o farmacêutico, por exemplo. Em outros, não é relevante.

CRN Brasil – Em TI é importante essa questão da patente
?

Plonski – É menos, lembrando que a velocidade de novidades nesse mercado é grande. Peguemos o ciclo de vida de um produto de TI e verá que dura pouco tempo. Há poucos produtos com mais de dez anos. Tem o Windows, mas é difícil lembrar de muitos exemplos. No Brasil, leva-se de 9 a 11 anos para se conseguir uma patente, mas mesmo que fosse possível em três anos, talvez não fosse o tempo hábil necessário. Há uma certa fetichização das patentes, porque é fácil de contar. Não quero dizer que a propriedade intelectual no Brasil é brilhante, mas há um certo exagero. A patente dá uma ideia, mas tá cheio de patentes por aí que não valem nada.

CRN Brasil – Muita gente critica o ambiente empreendedor nacional. Há motivos pra isso?

Plonski – Há uns casos onde o ecossistema traz alguns elementos de inovação dramaticamente mais favoráveis do que no Brasil. Um deles é o cenário de capital de risco (venture capital). E ele é menor aqui ainda por várias razões: não tem mercado de saída, mas há coisas sendo feitas que vão desde a criação de grupos de investidores anjo, para pegar o pessoal do começo até outras ações. A BM&FBovespa entrou como associada à Anprotec, por exemplo, porque procura seus novos clientes. Claro que não é agora que vai mudar, mas, daqui a pouco, talvez tenhamos uma nova Bematech, que foi um negócio que nasceu incubado. Queremos ajudar a criar novas Bematechs, para que elas entrem no mercado. Há um conjunto de fatores subjetivos também. Fazer crítica é um esporte nacional. Em geral – e uma coisa que me incomoda – é que a culpa é sempre do outro. A empresa diz que a universidade não quer nada; a universidade diz que a empresa não se interessa por inovação e os dois dizem que o governo é incompetente. Tem um pouco disso. A questão é – e trabalhamos para isso – para criar exemplos positivos.

CRN Brasil – Há, ainda, aquele velho chavão que diz que se o Bill Gates fosse brasileiro, a Microsoft seria uma empresa de garagem.

Plonski – Vamos partir da premissa de que esse argumento é correto. Como, apesar disso, a Bematech chegou onde está? Vamos olhar esse caso e ver como “apesar disso” esses exemplos podem ocorrer e trabalhar para diminuir as dificuldades, não para encontrar nas adversidades argumentos para não fazer nada.

CRN Brasil – Até que ponto o setor de TI e Telecom está conectado ao ambiente de incubadoras?

Plonski – Ainda, a principal categoria econômica das empresas graduadas é de tecnologia da informação. Há algumas razões para isso. Uma delas é porque TI é um coração de mãe… cabe muita coisa.

CRN Brasil – Deve mudar alguma coisa quando falamos em capital empreendedor (venture, seed e angel capital)?

Plonski – Quem olhar no conjunto verá que os interesses estão nos andares superiores, ou seja, no private equity. Mais abaixo, tem ocorrido iniciativas como a da Finep, estimulando a fazer esse tipo de ações para outros patamares de investimento. Isso vai aumentar. Por exemplo, neste momento, existem apresentações ao BNDES para criar um fundo de apoio a pequenas e médias empresas de tecnologias limpas. Lembrando o velho Arquimedes “me deem uma alavanca e um ponto de apoio, que moverei o mundo”. Não que tenhamos exclusividade nessa questão, mas diria que, para mover o Brasil no campo da inovação, é necessário alavancas, que são recursos, e pontos de apoio, que podem ser essas 420 incubadoras e parques tecnológicos.


Fonte: http://crn.itweb.com.br

domingo, 23 de outubro de 2011

Venture Capital é tema do próximo Debate FINEP.

A experiência da FINEP com investimentos de venture capital no apoio a empresas inovadoras no Brasil será o tema do próximo Debate FINEP, que acontece no dia 25 de outubro, às 10 horas, no Espaço Cultural FINEP. O debate contará com a presença de Álvaro Gonçalves, Diretor Executivo do Grupo Stratus e ex-Presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital – ABVCAP, e de Patrícia Freitas, Superintendente da Área de Investimento da FINEP. A abertura será feita pelo presidente da Financiadora, Glauco Arbix, e mediada pelo presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital – ABVCAP, Sidney Chameh.

O investimento de venture capital é amplamente reconhecido como um dos mais poderosos instrumentos de apoio às empresas inovadoras. Em muitos países, essa modalidade de investimento vem tendo papel fundamental na consolidação de setores intensivos em conhecimento, estimulando a criação e o crescimento de empresas que trazem ao mercado os resultados do trabalho de universidades e institutos de pesquisa. Apple, Google e a brasileira Lupatech são alguns exemplos de empresas que contaram com o apoio decisivo do venture capital em suas trajetórias de crescimento.

No venture capital, investidores – desde pessoas físicas até fundos de investimento formalmente constituídos – buscam adquirir participação societária em empresas que tenham perspectivas extraordinárias de crescimento e rentabilidade, agregando a essas empresas benefícios como uma maior profissionalização da gestão, estímulo a práticas de governança corporativa, abertura de canais estratégicos de comercialização e o compartilhamento de decisões estratégicas.

No Debate FINEP, Patrícia Freitas apresentará um panorama dos investimentos da FINEP em venture capital – desde seed capital até private equity –, abordando suas principais atividades e resultados até o momento, buscando contextualizar o apoio a fundos de venture capital como política central de investimento público e privado em empresas inovadoras.

Desde a criação do Inovar, iniciativa da FINEP voltada para essa área, já foram aprovados 26 fundos, dos quais 19 estão em operação, cinco em fase de captação e um completamente desinvestido em 2008. Ao todo, a FINEP, por intermédio dessas medidas, já efetuou investimentos em mais de 80 empresas inovadoras. O Inovar já comprometeu cerca de R$ 4 bilhões em fundos.

Álvaro Gonçalves apresentará a experiência do Fundo Stratus GC – aprovado através do 1o Chamada Inovar Fundos da FINEP – abordando seu processo de captação, a tese de investimento, o papel do gestor de fundos no crescimento das empresas investidas, os resultados do fundo e visão da Stratus sobre inovação como investimento viável e lucrativo.

Após o investimento em oito empresas inovadoras e já tendo feito seis desinvestimentos (venda das companhias), o Fundo Stratus GC I, no qual a FINEP aportou R$ 4,8 milhões por intermédio do Inovar Fundos, retornou até agora mais de R$ 10 milhões para a Financiadora. A previsão é de que o retorno final aumente quando o Fundo receber os saldos referentes às vendas já realizadas, e quando os desinvestimentos nas duas últimas empresas da carteira, Senior Solution e Neovia, acontecerem.

A série Debate FINEP foi criada com o objetivo de estabelecer um espaço aberto e permanente de discussão entre a Financiadora de Estudos e Projetos e a sociedade, para subsidiar a construção de ações de apoio à inovação de forma democrática, transparente e eficiente. Participam dos debates interlocutores internos e externos à FINEP, que contribuam para o acúmulo de conhecimento sobre políticas de fomento a C,T&I - Ciência, Tecnologia e Inovação.

Serviço

Debate FINEP - "A experiência da FINEP com investimentos de venture capital no apoio a empresas inovadoras"
Data: 25 de outubro de 2011
Horário: 10 horas ao meio-dia
Local: Espaço Cultural FINEP - Praia do Flamengo, 200, pilotis, Rio de Janeiro.
Entrada franca. Não é necessário realizar inscrição prévia.
Informações: debate@finep.gov.br


Fonte: http://www.finep.gov.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Criatec, fundo do BNDES para micro e pequenas empresas inovadoras, encerra em novembro período de investimento.

O Criatec, fundo para micro e pequenas empresas inovadoras desenvolvido pelo BNDES, encerra no próximo mês de novembro seu período de investimento. Até lá, todas as metas estabelecidas para os quatro primeiros anos terão sido alcançadas e, com isso, pelo menos 36 empresas nascentes de variados setores e regiões do País terão acessado o capital semente.

Em conformidade com o planejamento original, a partir do próximo mês terá início o ciclo de desinvestimento, com duração prevista até novembro de 2017. Nessa fase, a preocupação dos gestores do Criatec se deslocará da prospecção de empresas para a aceleração dos negócios.

O patrimônio comprometido do Fundo é de R$ 100 milhões, 80% subscritos pelo BNDES e 20% pelo BNB, sendo que, por estratégia de construção do portfólio, parcela desses recursos (R$ 20 milhões) foi reservada para a efetivação de novos aportes em empresas já investidas. Assim, além do aporte inicial de até R$ 1,5 milhão, as companhias que estiverem com desempenho acima da média poderão receber, na fase de aceleração, novos investimentos até o teto de R$ 3,5 milhões.

Capital semente – O Criatec é uma bem-sucedida iniciativa do BNDES envolvendo capital semente. A atuação do Banco nesse nicho é fundamental, tendo em vista a preferência dos investidores privados por fundos de menor risco, como os de venture capital e private equity.

Diversos fatores explicam o êxito da iniciativa em sua primeira etapa. A bem desenhada estrutura de governança é um deles. A administração foi entregue a um gestor nacional, o consórcio Antera-Inseed, que, por contrato, selecionou gestores regionais nos Estados de atuação do fundo: Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e Pará.

Tais gestores foram selecionados nos próprios sistemas locais de inovação. A estratégia de construção do portfólio, por sua vez, seguiu diretrizes bastante claras no sentido de garantir a distribuição do investimento em termos regionais, setoriais e por estágio de crescimento das empresas.

Para atender a essa última exigência, as companhias foram classificadas em quatro categorias: prova de conceito (sem faturamento), decolagem (faturamento anual de até R$ 1,5 milhão), expansão (faturamento anual entre R$ 1,5 e R$ 4,5 milhões) e late seed (faturamento anual entre R$ 4,5 e 6 milhões).

Fonte: http://www.bndes.gov.br