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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Levy assume Fazenda e coloca inovação como fundamental para crescimento

A equipe econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff foi apresentada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Joaquim Levy assume o Ministério da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa será o responsável pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Alexandre Tombini foi mantido na presidência do Banco Central.

O “fortalecimento da economia” foi uma expressão citada pelo menos seis vezes durante os breves pronunciamentos e curta coletiva do grupo. Para tanto, o fomento à inovação para retomada da competitividade foi posto como fundamental pelo novo titular da Fazenda. Segundo Joaquim Levy, a política econômica deve ser voltada para este aspecto.

“A concorrência, o empreendedorismo e a inovação são indispensáveis para o crescimento da economia. O Ministério da Fazenda vai fazer todo o possível para alavancar essas três variáveis fundamentais”, afirmou Levy.

Por sua vez, Nelson Barbosa aposta na austeridade e no trabalho em conjunto com outros ministérios, estados e municípios para equilibrar as contas do governo. Até porque a meta de superávit primário se mostra ousada diante das recentes controvérsias no Congresso Nacional em relação à alteração do cálculo do indicador. Para 2015, o número estimado é de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos dois anos seguintes, sobe para 2% do PIB. Outro ponto abordado foi a questão da produtividade nacional.

“Temos que trabalhar em conjunto para fortalecer a economia. Além disso, temos que aumentar a taxa de investimentos e de produtividade da economia de um modo mais rápido”, disse Barbosa.

Fonte: http://www.anpei.org.br/ - com dados da Agência Gestão CT&I

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Novo ministro da C,T&I tem perfil técnico

O escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) é o físico Marco Antonio Raupp. A posse foi no dia 24/01/2012. Ele substituio Aloizio Mercadante, que agora é o novo ministro da Educação.

Sua escolha foi motivada pelo fato de ter experiência na gestão acadêmica e também ser um defensor da inovação tecnológica como meio para aumentar a competitividade da economia brasileira.

Graduado em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raupp é PhD em matemática pela Universidade de Chicago e livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Foi pesquisador titular do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Como docente, atuou no Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME/USP) e na Universidade de Brasília (UnB).

Já dirigiu várias instituições da área de C,T&I, a exemplo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do Inpe e do Instituto Politécnico da Universidade do Rio de Janeiro (IPRJ/Uerj). Nos últimos anos, trabalhou como diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, SP, e foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), atividades que encerrou em março de 2011 para assumir a presidência da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Entre os títulos que recebeu destacam-se o de Comendador pela Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, e de Grão-Cruz pela Ordem Nacional do Mérito Cientifico, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

NOTA Á IMPRENSA – Veja abaixo nota que Rauup divulgou para a imprensa referente a sua escolha para o MCTI:

“Recebo como uma distinção especial o convite da presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, num momento fundamental da sua evolução. Com 40 anos de militância nas atividades cientificas e tecnológicas, como pesquisador e gestor de instituições da área, considero uma honra e um enorme desafio a nova missão que me é confiada.

“Tenho absoluta consciência da exigência sem precedentes para que a ciência, a tecnologia e a inovação contribuam de forma essencial para o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

“Para dar cumprimento a essa missão, espero contar com a participação ativa das comunidades científica, tecnológica e empresarial, e com o apoio das equipes que compõem o Ministério.

“Também muito me honra suceder o ministro Aloizio Mercadante, a quem desejo a continuidade e o avanço do êxito alcançado pelo professor Fernando Haddad à frente do Ministério da Educação.”

Fonte: http://www.anpei.org.br

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Agenda do setor produtivo ainda não incorporou a inovação, afirma Antoniazzi.

Apesar de ter entrado definitivamente na agenda de governo brasileiro, a cultura da inovação – imprescindível para garantir a competitividade no mercado - ainda não está totalmente impregnada no setor produtivo. A preocupação é do vice-presidente da ABIPTI pela região Sul e presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec), o engenheiro Luiz Antonio Antoniazzi.

Os investimentos em inovação no Brasil são crescentes, porém muito tímidos e aquém da sua necessidade, destaca Antoniazzi. O país possui o 11° parque industrial do mundo e o 7° Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. No entanto, ocupa o 47° lugar no ranking da inovação tecnológica. O setor industrial investe cerca de 0,50 % do PIB Nacional, pouco ao considerar a Coreia do Sul, que investe 2,46 %; o Japão, 2,68 %; e os Estados Unidos da América (EUA), com 1,86%.

No Brasil, informa, quem mais investe é o Estado (0,57 % do PIB, incluindo os investimentos da Petrobras). Somente 2,7% da empresas brasileiras inovam e diferenciam seus produtos, entre 70 mil indústrias pesquisadas. Destas, em média, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) são de 0,7% do seu faturamento.

Na opinião de Antoniazzi, as empresas devem destinar, no mínimo, um percentual de 5% do faturamento para investir em PD&I de acordo com o seu perfil (alta, média alta, média baixa ou baixa tecnologia). Além disso, o setor industrial tem que ser mais ousado e usufruir dos produtos e processos gerados pelas entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (EPDIs). “Ainda é comum que empresa e indústria desenvolvam tecnologias isoladamente, sem o aproveitamento do conhecimento e da infraestrutura existentes em universidades, centros de pesquisas e institutos tecnológicos”.

Legislação

Com a promulgação da Lei da Inovação, a expectativa é facilitar a interação com o setor produtivo. Porém, as EPDIs ainda são muito burocratizadas e não possuem a agilidade esperada. Os entraves burocráticos causados pela Lei 8.666/93 têm sido o principal obstáculo para a pesquisa científica e tecnológica no país, uma vez que a legislação é anacrônica. “As regras colocam a pesquisa e a inovação como um produto na prateleira de um supermercado”, analisa.

Um novo código de ciência e tecnologia, acredita Antoniazzi, poderá reduzir a burocracia, mas é fundamental ter uma nova postura em relação à inovação tecnológica com a difusão de uma cultura de inovação, como tem ocorrido na Coreia do Sul nos últimos anos. “Sem recursos humanos capacitados não se faz pesquisa científica e nem tecnológica”.

Hoje, enumera, são formados no Brasil aproximadamente 47,1 mil engenheiros por ano, o que equivale a 1,95/10 mil habitantes. Na China são 13,4 e, na Coreia do Sul, 16,4. E não é por falta de vagas nas universidades - em 2008 foram oferecidas 249 mil no Brasil, mas foram preenchidas apenas 147 mil.

Commodities

Além disso, completa Antoniazzi, o Brasil é um país exportador de commodities e importador de tecnologia, uma incômoda realidade que vem desde o Brasil Colônia e que precisa mudar. O déficit tecnológico brasileiro é assustador se for levado em conta que no primeiro trimestre deste ano atingiu U$ 49.765 bilhões. A falta de uma política industrial fragilizou o processo da inovação ao longo das últimas décadas. “Este cenário não mudará enquanto o país copiar e reproduzir a tecnologia do concorrente sem agregar valor”, destaca.

Para reverter o quadro, reforça o vice-presidente da ABIPTI, é necessário que todas as organizações envolvam seus setores com uma gestão voltada para a inovação. “O crescimento da indústria nacional, seja micro, pequena, média ou grande, deve acontecer por meio de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esta não acontece necessariamente com a introdução no mercado de novos produtos, mas também com melhorias que, ainda assim, caracterizam o produto ou processo como inovador”, lembra.

A melhor tecnologia não garante necessariamente uma inovação de sucesso no mercado, ressalta. O primeiro aspecto se dá no ambiente em que uma organização está inserida, levando-se em conta as características de sua cadeia produtiva, políticas governamentais de apoio e a intensidade da competição no mercado em que atua, entre outros pontos, como o organizacional e o tecnológico.

Petrobras

Há exemplos de grandes corporações que não avaliaram este contexto, lembra ele, como a Sony, que nos anos 1980 lançou o videocassete Betamax e, mais recentemente, a Toshiba, ao lançar o vídeo de alta definição, que perdeu espaço para o Blu-Ray, amargando um prejuízo de mais de U$ 2 bilhões.

Para Antoniazzi, a Petrobras é o exemplo mais emblemático que sintetiza tudo o que foi dito. Na cadeia do petróleo, gás, indústria naval e oceânica, a inovação está presente de forma contínua e consistente. “A atuação do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguel de Mello (Cenpes), unidade da Petrobras responsável pelas atividades de P&D e engenharia, somada à interação com universidades e instituições tecnológicas de todo o país, com pesados investimentos em pesquisa, deram à Petrobras o diferencial necessário para o alcance da competitividade internacional”.

Com uma política bem sucedida de implementar conteúdo local nas aquisições, completa Antoniazzi, a empresa passou a fomentar a inovação em toda a cadeia de fornecedores, além de disponibilizar suas patentes a eles. “Em 2011, a Petrobras investirá algo em torno de U$ 1.25 bilhão em pesquisa e desenvolvimento”, finaliza.

Fonte: http://www.abipti.org.br - por Cristiane Rosa

domingo, 18 de setembro de 2011

Inovação depende da integração empresa, governo e universidade.

Saiba como as universidades têm feito a lição de casa estimulando a criação desse tripé.

O conhecimento tem de ser transformado em riqueza ­ papel da empresa. "Cabe ao governo, articular esse processo de criação de valor para a sociedade", afirma Jorge Audy, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Segundo ele, a inovação envolve de forma integrada empresas, governo e universidades, sendo que cada um tem papel complementar. A academia é fundamental no processo de geração do conhecimento.

E as universidades têm feito a lição de casa. A Fiap, instituição de ensino em Gestão e Tecnologia da Informação, no ano passado preparou para o mercado cerca de 400 pessoas nos cursos de graduação.

"Além disso, aqui os professores atuam no mercado, pois é importante levar essa visão para os estudantes. E para estarmos em linha com o avanço tecnológico, realizamos palestras para os alunos com empresas que possam compartilhar o conhecimento", explica Nathalie Trutmann, diretora de Inovação da Fiap.

Nathalie afirma que a instituição incentiva, por meio de concursos e desafios, que os estudantes desenvolvam inovações com base nas necessidades da sociedade. Exemplo recente é o do empreendedor Augusto Cesar de Camargo Neto, vencedor do concurso Call to Innovation, promovido pela Fiap.

Ele apresentou uma nova aplicação para a tecnologia RFID. Com a fixação de pequenas tags RFID em celulares, os aparelhos ganham outras funções além das tradicionais. Ao pegar uma fila para preencher o cadastro na entrada de uma empresa, por exemplo, basta a pessoa aproximar o telefone do leitor para informar os dados.

A solução pode ser empregada ainda na área da saúde. Informações sobre doenças, alergias e medicações são cadastradas na tag e podem ser consultadas em caso de emergência.

Outra forma de impulsionar a inovação, acredita Inomar Mourão Gil Nunes, coordenador de Inovação e Internacionalização da Fumsoft ­ que atua na criação, capacitação, qualificação e fomento de organizações de software em Minas Gerais­, é criar condições adequadas para o desenvolvimento de produtos diferenciados. Neste ano, a Fumsoft vai intensificar ações para atingir esse objetivo. A instituição monta um centro de pesquisa para que empresas de Minas Gerais, onde está situada, possam criar tecnologias. "Universidades da região, como a PUC Minas e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vão ajudar nesse processo", diz.

"As atividades já existiam desde 2005, e ganharão força após a finalização do centro", aponta Nunes. Segundo ele, nos últimos cinco anos, a Fumsoft desenvolveu 24 projetos de inovação tecnológica. "Em captação de recursos com Finep, CNPq, Fapemig etc, foram mais de 9,5 milhões de reais. Esses projetos geraram faturamento bruto de quase 40 milhões de reais e criaram cerca de 90 empregos na região", lista.

A instituição conta ainda com um programa de incubação. "São 22 empresas graduadas aqui que estão no mercado e registram, cada uma, faturamento de 17 milhões de reais por ano."

A Unicamp não possui um centro de pesquisa e desenvolvimento, mas faz, por meio da Agência de Inovação Inova Unicamp, o papel de articulação entre a universidade e as empresas para viabilizar inovações. A Inova atua tanto na oferta de tecnologia já desenvolvida e patenteada na universidade como na procura de oportunidades de interesse das empresas.

"Buscamos aqui quais são as pesquisas com potencial de inovação e identificamos quais empresas querem prosseguir com o desenvolvimento para que ela seja colocada no mercado", pontua Roberto de Alencar Lotufo, diretor-executivo da Agência de Inovação Inova Unicamp. Por ano, a Inova realiza, em média, 50 pedidos de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Além disso, entre 2004 e 2010, a agência foi responsável pela articulação de 51 contratos de licenciamento de tecnologias com 44 empresas. De acordo com Lotufo, as companhias que mais registraram interesse são as que atuam nos setores de Saúde e Química.

Fruto dessa interação com o mercado é o contrato de licenciamento que a Unicamp estabeleceu em 2007 com a Contech Sistemas Químicos Integrados, com sede em Valinhos (SP), para viabilizar um produto que efetua o tratamento de efluentes industriais. Coube a partir de então à Contech a finalização do desenvolvimento e a comercialização da solução.

Sem apagão de projetos
Para identificar projetos alinhados às necessidades do mercado, Marinilza Bruno de Carvalho, coordenadora de Inovação do InovUERJ, que tem no DNA a capacidade de realizar a articulação da universidade com a sociedade, adotou uma estratégia inusitada.

"Como os projetos estão espalhados pela UERJ, criamos com eles um catálogo com base no Currículo Lattes dos docentes. Levantamos 4.158 mil projetos em diversas áreas, gravamos o conteúdo em mais de 5 mil pen drives e distribuímos para empresas e demais interessados", conta. Ela espera que essa iniciativa possa render frutos em breve e levar para a sociedade soluções de ponta. Em 2010, a universidade depositou 11 patentes e quer aumentar esse número.

"Aqui, nunca tivemos apagão de projetos e a parceria com empresas é muito forte. A Petrobras é um exemplo. A companhia quer construir um prédio na UERJ, em parceria com as áreas de Biologia e Bioquímica, para estar mais próxima da academia e desenvolver projetos nesses setores", afirma Marinilza.

Na UERJ, Marinilza diz que, muitas vezes, as empresas procuram a universidade para estabelecer contratos de desenvolvimento. "Os professores também são procurados. E outras vezes ainda vou pessoalmente até às organizações sugerir projetos. Há um contato constante", pontua.

A PUC-RS também possui forte parceria com companhias, assegura Audy. "Aqui tratamos todos os projetos com a mesma atenção e cuidado, sejam eles públicos ou privados, nacionais ou internacionais", assinala.

"Diversos projetos nas mais diversas áreas são feitos por aqui. O Parque Científico e Teconológico (Tecnopuc) é o maior parque hoje do Brasil. São mais de 4 mil pessoas e 80 empresas, como HP, Microsoft, Dell, Sonae, que atuam em um ambiente de pesquisa e inovação", afirma.

Como resultado desse trabalho, somente no ano passado, a PUC-RS depositou 75 patentes no Brasil e 36 internacionais e foram concedidos dois licenciamentos para um laboratório farmacêutico nacional. Além disso, 48 marcas e 11 software foram registrados. Projetos com agências públicas, como Finep, BNDES, Capes e CNPq também são desenvolvidos e passam a gerar riqueza e renda para a sociedade.

O resveratrol [molécula encontrada no suco de uva preta, vinho tinto e plantas], que foi licenciado pela Eurofarma, é um dos inventos da PUC-RS que será comercializado em 2013. Cinco laboratórios das Faculdades de Química e Biociências participam do desenvolvimento da patente. O produto será futuro medicamento para quem possui diabetes e doenças degenerativas.

O Centro de Estudos e Sistemas Avançados (C.E.S.A.R) [centro privado de inovação que cria produtos, serviços e empresas com Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs)] desenvolve produtos e serviços que cobrem todo o processo de geração de inovação para empresas e indústrias em setores como telecomunicações, eletroeletrônicos, automação comercial, financeiro, mídia, energia, saúde e agronegócios. Começou em uma sala pequena dentro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em 15 anos cresceu, mudou de casa e conta hoje com cerca de 400 funcionários.

Somente no ano passado o C.E.S.A.R. desenvolveu 113 projetos. Um deles envolveu a criação de 110 aplicativos que são comercializados na loja da Samsung. Entre eles o Timetable for Children [aplicativo para que os pais controlem e não esqueçam os compromissos dos filhos]. "Somente nele, 60 pessoas estiveram envolvidas", contabiliza Sérgio Cavalcante, superintendente do C.E.S.A.R.

Mesmo que esse quadro de interação universidade-empresa esteja mudando, Cavalcante aponta que ainda hoje algumas universidades preferem não trabalhar em projetos com empresas por acreditarem que essa ação fere a autonomia acadêmica.

Ele afirma que já ouviu esse discurso de algumas instituições. "Alguns confundem autonomia universitária com autoritarismo. A universidade tem o direito de recusar, no entanto, não deve fazer isso sem ao menos ouvir a proposta", diz.

Não é o que acontece, de acordo com Cavalcante, na Universidade Federal de Pernambuco, onde ele também atua como docente. "A instituição tem longo histórico de relacionamento com empresas e percebemos que as pesquisas e as aulas melhoraram, e a comunidade acadêmica passou a ter uma visão de problemas reais. Isso enriquece o aprendizado e a pesquisa", completa.

Artigos x patentes
Outro gargalo é a questão das patentes. "O País inova pouco e quando isso acontece não faz o registro por meio de patentes", sentencia Cavalcante.

Concorda com ele Luiz Joia, professor adjunto da Escola de Administração Pública de Empresas da FGV-RJ. "Crescemos na área de ciência e não na de tecnologia. Produzimos artigos, mas não os colocamos em prática. O notório fazer é mais importante do que o saber", opina.

A equação é emperrada pela validação. O engenheiro e consultor de inovação tecnológica da KPMG, Antonio Carlos Rocca, diz que ainda é preciso agilizar a validação de uma patente para que ela seja viabilizada mais rapidamente no mercado. "Hoje, esse processo consome de seis a oito anos, sendo que a cada cinco a tecnologia se renova. Para reverter esse quadro, é necessário acelerar o reconhecimento do direito e os pesquisadores tratarem o conhecimento como valor", avalia.

A Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) de 2008, realizada a cada três anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, de 1981 a 2001, o País teve um foco grande em publicações científicas. O crescimento foi de 450%, enquanto a média mundial registrou incremento de 77%.

Mas, do ponto de vista de patentes, a Coreia do Sul passou de 31, em 1981, para 3.472 mil em 2001 e o Brasil de 53 para 103, em igual período. "Embora patente não seja o principal indicador de inovação, reforça a visão de que o foco ainda é em publicações", pontua o superintendente do C.E.S.A.R.

Na opinião de Marinilza, do InovUERJ, é preciso "transformar ciência em tecnologia e antes disso identificar os problemas da sociedade para saber se a inovação que se pretende criar é adequada. Tem de estar vinculada a uma dificuldade real".

Para Nunes, não há ainda no País amplo investimento em pesquisa. "Mais de 70% das inovações por aqui são feitas na fase de protótipo e não de pesquisa. Além disso, grande parte dos doutores formados (cerca de 70%) fica na academia. Nos Estados Unidos e na Europa, a situação é inversa", afirma. "Não há nada de errado em o Brasil ser assim, só que é preciso aumentar a capacidade empresarial", completa.

Nunes aponta que o País ficou anos sem inovar. "Passamos por crises e um boom inflacionário a partir da década de 80. Muitos não faziam planejamento de longo prazo e a inovação ficou de lado, já que a taxa de risco é enorme. Você aposta 100% e em um prazo de cinco anos supera o montante investido", explica.

Foi durante esse período que o relacionamento empresa e universidade ficou esquecido, aponta. "Essa relação passou a ser restabelecida a partir de 2003 com o surgimento de legislações, como a Lei da Inovação, Lei do Bem e outras", conclui.

Fonte: Por Déborah Oliveira, da Computerworld - http://computerworld.uol.com.br

domingo, 4 de setembro de 2011

Petrobras investirá US$ 1 bi em P&D! BNDES investe no setor de PETRÓLEO E GÁS.

"A Petrobras está hoje entre as quatro maiores investidoras do mundo em inovação. Nosso investimento em pesquisa e desenvolvimento é de US$ 1 bilhão por ano, valor cinco vezes maior do que investíamos no início da década”. afirmou, o gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga, durante palestra sobre tecnologia promovida, nesta quinta (1/9), pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham).

Fraga citou os desafios tecnológicos que a Companhia terá que enfrentar para a exploração do pré-sal nos próximos anos. Informou ainda que a Petrobras investiu US$ 700 milhões na duplicação do seu centro de pesquisas: “Atualmente o Cenpes é o maior centro de pesquisas do hemisfério sul e um dos cinco maiores do mundo”, concluiu.

BNDES poderá participar do capital de companhias do setor de petróleo e gás.


O BNDES poderá ter participação acionária em empresas fornecedoras de materiais e equipamentos destinados à cadeia de petróleo e gás, inclusive em companhias de pequeno e médio porte. Essa participação se daria por meio do braço de investimentos do banco, o BNDESPar.

De acordo com o superintendente da Área de Insumos Básicos do banco, Rodrigo Bacellar, trata-se de postura já comum no banco para outras áreas da indústria. Ele informou que o BNDES poderá tanto facilitar o acesso à formação de dívida, como poderá entrar via renda variável nessas companhias.

Roberto Zurli, diretor do banco, acredita que, mesmo com a tradição do banco de financiar a cadeia de óleo e gás, ainda "é preciso evoluir", porque "talvez o maior gargalo no pré-sal seja o desenvolvimento dos fornecedores locais".

Os executivos do banco fizeram ontem uma apresentação para diversos executivos do setor sobre o Programa BNDES Petróleo e Gás, lançado dentro do Plano Brasil Maior, do governo federal. O objetivo é "facilitar o acesso a crédito a empresas de pequeno e médio porte", tanto o acesso direto, como via empresas-âncora.

O orçamento do programa é de R$ 4 bilhões, válido até 31 de dezembro de 2015. Além disso, de 2008 até hoje o banco montou uma carteira de R$ 44 bilhões contratados no setor de óleo e gás, dos quais R$ 40 bilhões já foram desembolsados.

O programa tem taxas de juros específicas, de acordo com o posicionamento da empresa dentro da cadeia produtiva. Todas as empresas terão um custo financeiro baseado na taxa de juros de longo prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano, mais uma taxa de risco de crédito, que varia de 0,46% a 2,54%. O que muda é a remuneração do BNDES.

Para a fase de implantação, ampliação e modernização, a parte referente ao banco é de 0,5% para médias, pequenas e microempresas e de 0,9% para grandes empresas. Já para empresas-âncora, o índice vai a 1,3%. Ou seja, o custo total dos empréstimos ficará entre 6,96% e 9,84% ao ano, com amortização de até dez anos. A participação do banco no financiamento pode ir de 80% a 90%.

Para os casos em que o financiamento for voltado ao fortalecimento da cadeia, os juros totais vão desde 7,36% até 9,84% ao ano. O prazo de amortização é de até dez anos e participação do banco fica, nesse caso, entre 60% e 80%. Quando o financiamento for para dar giro à produção de bens e prestação de serviços, os juros totais ficam entre 8,46% e 11,04% ao ano, com amortização em até cinco anos e participação do BNDES de 50% a 60%.

Quando o financiamento pedido for direcionado à inovação, serão usados recursos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com taxa de 5% para o capital inovador, de 7% para produção, e de 4% para tecnologia

Fonte: Baseado na Agência Petrobrás e Valor On Line

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FINEP vai destinar R$ 100 milhões para projetos ligados à Copa e Olimpíadas.

A FINEP vai liberar um orçamento de R$ 100 milhões para projetos de tecnologia da informação relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Os recursos serão aplicados na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) e irão privilegiar propostas que possam gerar tecnologia nacional inovadora e competitiva no mercado global.

Segundo o presidente da FINEP, Glauco Arbix, a iniciativa está inserida em uma proposta maior de governo voltada para os dois megaeventos que ocorrem no Brasil.
Virgílio Fernandes, Secretário de Política e Informática do MCT, disse que as exigências de alocação dos recursos estarão ligadas à ampliação da integração universidade-empresa, o uso de tecnologias de software em plataformas abertas e a participação de múltiplas empresas de várias regiões do país. Vamos aguardar!!!!

Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas 2016 & Tecnologia

Se as Olimpíadas de Vancouver 2010, são conhecidas como “first all IP-based Games” e as Olimpíadas de London 2012 como “Games for the Connected World”, os eventos da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e as Olimpíadas de 2016 na cidade do Rio de Janeiro serão os eventos dominados pela Mobilidade. Nesta época estaremos vivendo uma plena Revolução Digital comandada pela Telefonia Móvel e a Internet Móvel.

A Copa do Mundo de 2014 será caracterizada pelo compartilhamento e disseminação da informação através da tecnologia móvel que irá transformar nossa sociedade em uma rede global móvel. Este evento deverá levar vantagem plena de todas as oportunidades oferecidas pela Revolução Digital, Tecnologia de Informação e novas Mídias. Neste evento, de forma mais forte do que aconteceu na Alemanha em 2006, o conteúdo deverá ser disseminado em todas as mídias possíveis.

As futuras estratégias e formatos de realizações de eventos esportivos devem ser planejadas de acordo com a massificação das novas oportunidades de conectividade e as mudanças trazidas por esta Revolução Digital. O COI (IOC – International Olympic Committee) – responsável pela realização dos Jogos Olímpicos – já identificou a importância da Tecnologia Digital nos grandes eventos esportivos. Ao contrário do COI, a FIFA (Fédération Internationale de Football Association), na organização do evento de Copa do Mundo, ainda continua muito focada apenas na “figura” do Estádio como elemento central do evento, mas isto já esta mudando.

Apesar disto, o evento Copa do Mundo – maior evento de mídia do planeta – sempre esteve ligado à inovação tecnológica no que se refer a mídia. Em 1996, a Europa assistiu aos jogos ao vivo via transmitido por satélite. Em 1970, na Copa do México, o mundo viu a primeira transmissão dos jogos a cores. Em 1974, a transmissão chegou aqui no Brasil por telões em praças públicas.

Em 1998, a França emplacou a primeira transmissão digital em larga escala. Na Copa de 2002, no Japão e Coréia do Sul foi a vez da estréia do Wi-Fi nos estádios que permitiu que uma foto de um gol tirada em campo, fôsse para a Internet 2 minutos depois. Em 2006, na Alemanha, foi inaugurada a convergência das mídias eletrônicas como rádio, TV aberta e paga, Internet e um pouco de telefonia móvel. Este mundial foi também o primeiro totalmente gerado com imagens de alta definição (HD). Atualmente, a FIFA conta com a empresa HBS (Host Broadcast Services) para todo o gerenciamento de transmissão de uma Copa do Mundo.

Em 2014 no Brasil, poderá ser vez da telefonia móvel. Tudo está sinalizando desta forma. Nesta época, as redes 3G já estarão ultrapassadas e os turistas chegarão no Brasil com dispositivos 4G (provavelmente) com alta velocidade de transmissão. Atualmente já existe um grande interesse na implantação de redes 4G no mundo com, pelo menos, 45 commitments.

As facilidades modernas de comunicações disponibilizadas para a comunicação em banda larga digital devem ser confiáveis, flexíveis, expansíveis, reusáveis, e adaptáveis à novas tecnologias. Devem ser escolhidas tecnologias padronizadas que atendam às necessidades do evento esportivo, como também, suportem as tecnologias utilizadas em diferentes países.

Suporte Estratégico de Novas Tecnologias

Para satisfazer aos requisitos de uma Copa do Mundo, a integração tecnológica e a introdução de novas tecnologias devem ser promovidas de forma a aumentar os objetivos da aplicação de altas (e novas) tecnologias no evento esportivo. Devido a abrangência geográfica nacional da Copa do Mundo de 2014, o trabalho na identificação de novas aplicações e tecnologias poderia ser coordenado de forma centralizada com o objetivo de ser aplicado em toda a Copa do Mundo brasileira. Os Jogos Olímpicos Beijing 2008 na China teve um projeto dedicado unicamente a buscar a inovação em alta tecnologia para seus Jogos chamado “Beijing 2-4-8 Major Innovation Project“.

Aumentar a utilização de alta tecnologia em projetos de Copa do Mundo é fundamental em áreas como transporte, proteção ambiental, energia limpa, estádios e facilidades, TI e telecomunicações, segurança, controle de doping, e as cerimônias de abertura e fechamento da Copa. Em eventos esportivos recentes, os organizadores têm apostado na aplicação de tecnologias 3S (i.e., sistema de sensoriamento remoto, GIS e GPS), transporte inteligente, utilização aquecimento limpo, micro-satélites, nanotecnologia, e bio-chips, entre outras.

Desenvolvimento de Sistemas Modernos de TIC

Desde dos Jogos Olímpicos de 2008, o grande desafio de TIC na realização de eventos de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos é focar em um programa de um “Evento Digital” e construir uma infraestrutura de telecomunicações e de sistema de rede, para criar um ambiente favorável de TI e proporcionar excelentes serviços de informação sobre o evento esportivo. O planejamento da infraestrutura de informação e comunicações deve levar em conta as facilidades de forma unificada, para utilizar recursos de transmissão de um a forma racional, garantindo o cabeamento óptico e elétrico das redes de comunicações na Copa do Mundo.

A construção do Sistema de Informação para a Copa do Mundo 2014 deve atender aos requisitos da FIFA no que se refere aos sistemas de gerenciamento e sistemas de informação. Os Sistemas de previsão e monitoração de tempo podem ser reforçados para proporcionar informações de previsão e monitoração de tempo disponíveis e mais seguras em um evento do porte da Copa do Mundo. É importante também disponibilizar serviços de e-Commerce cobrindo a venda de tickets, turismo, propaganda, shopping entre outros.

A tecnologia de Smart Card também deverá utilizada para permitir aos fãs dos jogos que efetuem pagamentos com segurança, como também, deve ser implantada uma rede de pagamentos via cartões de crédito. Adicionalmente, deverão ser feitos esforços para levantar o nível de inteligência dos estádios e facilidades para que sejam oferecidos diversos outros serviços de informação. Atualmente, com a disseminação do Wi-Fi no mundo, é ponto importante a disponibilização desta interface nestes locais.

Deverá ser estimulada a aplicação de tecnologias sofisticadas e avançadas e o estímulo de projetos básicos para o desenvolvimento de tecnologias chave. Também deve ser estimulada a utilização de tecnologia de ponta de sistemas esportivos de grande escala, equipamentos esportivos digitais, equipamentos de mídia digital, entre outros.

No setor de estádios temos atualmente o que existe de melhor no mundo. A tônica atualmente é a utilização de redes convergentes, oferecendo uma série de serviços end-to-end, os quais incluem VoIP e Wireless LAN nos estádios entre outras tecnologias.

Com a surpreendente evolução da telefonia móvel no mundo onde alguns países já estão comprometidos com a Tecnologia 4G, a tecnologia móvel vai ser um componente extremamente diferencial na realização dos eventos esportivos futuros como a Copa do Mundo de 2014. Recentemente o Gartner Group identificou as 10 tendências da telefonia móvel para 2012. Entre elas destacam algumas que poderiam ser utilizadas em um evento esportivo do porte da Copa do Mundo, a saber: Money Transfer, Location Based Services, Mobile Payment, Near-Field Communications e, Mobile Advertising.
Na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, o Comitê Organizador tentou apostar na telefonia móvel mas a utilização não “decolou”. Atualmente, a tecnologia está bem mais madura, e já pode contar com o sucesso da massificação da tecnologia 3G e na disseminação dos smartphones por causa do estrondoso sucesso do iPhone. Isto sem falar no boom da banda larga móvel!

Os Jogos Olímpicos de Beijing 2008 tiveram uma cobertura de mídia via Internet sem precedentes incluindo uma significante cobertura através de aparelhos celulares. Grandes organizações de mídia como a NBC americana e a BBC inglesa ofereceram serviços dia e noite de Internet Móvel, Alertas Mobile e cobertura de Mobile Video. Motivado pelo grande sucesso e maturidade da telefonia móvel, o Comitê dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 está querendo apropriar-se do slogan “The Mobile Games” implantando serviços móveis como o e-Commerce e e-Ticketing.

Finalmente, com o sucesso das aplicações de Social Networking na telefonia móvel é possível a sua utilização para aglutinar os fãs de diferentes nacionalidades na Copa do Mundo de 2014.

Atualmente, por exemplo, o Facebook pode ser ferramenta completa de Comunicações Unificadas mais um Repositório Multimídia que pode ser carregado no bolso em um handset agregando informações como: Atualizações de Status, Mensagens, Chamadas VoIP, Compartilhamento de Vídeos/Músicas/Fotos/Estórias, Chat, Jogos Eletrônicos e Wall Posts. Imagine a possibilidade de ter uma grande portal através do Facebook agregando os fãs da Copa do Mundo de 2014?

Fonte: com base no http://www.brasilinovacao.com.br

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

FINEP tem mais R$ 2 bilhões para crédito em 2011.

A nova política industrial brasileira – Brasil Maior – cujo lançamento ocorreu na terça-feira (2/8) pela presidenta Dilma Rousseff, vai permitir um acréscimo de R$ 2 bilhões no orçamento da FINEP para 2011. Os novos recursos, que serão aplicados, na forma de crédito, em projetos inovadores de empresas, são provenientes do Programa de Sustentação do Investimento (PSI 3), gerido pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social).

Durante a solenidade de lançamento da nova política industrial, foi anunciado também que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) vai mudar de nome. A partir de agora, a pasta ocupada por Aloizio Mercadante vai se chamar Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O novo reforço financeiro da FINEP é resultado da execução recorde (90 dias) do primeiro empréstimo tomado junto ao PSI – R$ 1,75 bi – a partir de negociação direta entre a presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Os recursos serão aplicados pela FINEP em cerca de 80 projetos de inovação em áreas consideradas prioritárias, como energia, saúde, TICs (tecnologia da informação e comunicação), aeroespacial, novos materiais, defesa, sustentabilidade ambiental e biodiversidade.

Com a meta de execução alcançada, a FINEP obteve da presidenta sinal verde para a viabilização de mais um financiamento, o que acaba de ser autorizado. A nova concessão de crédito para que a FINEP aplique em projetos inovadores eleva o orçamento total de 2011 da Financiadora para cerca de R$ 8 bilhões, incluindo recursos não-reembolsáveis do FNDCT, utilizados para apoio à pesquisa em universidades e instituições de ciência e tecnologia.

As taxas dos empréstimos da FINEP via PSI 3 serão de 4% a 5% a.a. Com orçamento total de R$ 75 bilhões, o programa será estendido até dezembro de 2012.

Para o presidente da FINEP, Glauco Arbix, o expressivo aumento de recursos para a inovação precisa estar colado com o crescimento do padrão de qualidade dos projetos. “Para isso, as análises devem ter foco em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia sem perder de vista o componente inovador”, afirma Arbix.

“Inovar para competir. Competir para crescer”


Com o slogan “Inovar para competir. Competir para crescer”, o Plano Brasil Maior prevê uma série de ações iniciais que vão desde a desoneração das exportações, com a criação do Reintegra, até a regulamentação da Lei de Compras Governamentais, passando pelo fortalecimento da defesa comercial e pela criação de regimes especiais setoriais, com redução de impostos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Por que o brasileiro não cria algo como o Facebook?

O diretor geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica conta por que o Brasil ainda não é um player internacional em inovação.

Por Amanda Camasmie

Em meio à esfera intelectual de Harvard, uma das mais conceituadas universidades do mundo, um jovem decide criar uma nova forma de se comunicar com os outros estudantes. A novidade começa a fazer sucesso entre os alunos e rapidamente se expande para fora do campus, se tornando uma das novas febres virtuais. De olho no potencial da nova rede, um grande empresário decide investir no projeto. Em pouco tempo nascia o Facebook, a maior rede social do mundo, com mais de 750 milhões de usuários. E por que grandes ideias como o Facebook dificilmente nascem em solo brasileiro? O sucesso do Facebook se deve a uma boa ideia que recebeu investimento. Alguém quis assumir o risco. No Brasil não há esse ambiente de estímulo ao empreendedorismo, afirma Roberto Nicolsky, diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec).

Doutor em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Física pela Universidade de São Paulo (USP), Nicolsky conta aqui por que o Brasil ainda não está preparado para se tornar um player internacional em inovação.

Por que o brasileiro não tem grandes ideias como o Google, o Facebook e a Microsoft?
O Bill Gates (ex-CEO e fundador da Microsoft) quando fez a sua empresa foi a um banco e recebeu dinheiro. Quem pode fazer isso aqui no Brasil? O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) só empresta se você tiver patrimônio. Aqui, um estudante como Bill Gates não teria chance. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, depois que desenvolveu um pouco melhor sua ideia também recebeu ajuda. Com o Google foi a mesma coisa. Não há no Brasil esse estímulo ao empreendedorismo, por isso o país nunca lidera essas iniciativas. Mesmo assim, ainda tivemos algumas boas ideias, como o site de buscas Cadê, depois vendido ao Yahoo. Os empresários que conseguiram sucesso aqui só deram certo porque já tinham dinheiro para desenvolver a tecnologia.

E quais são as outras dificuldades do Brasil para inovar em tecnologia?

Uma das principais dificuldades é a falta de incentivo governamental. Quando uma empresa inova, ela está aumentando o seu faturamento e a maior beneficiada é a carga tributária, que é de 37%. A empresa, por sua vez, se tiver um lucro de 8% já pode ficar feliz. Precisamos de políticas públicas ousadas, de um governo que compartilhe com a indústria o risco da inovação, para que ela tenha confiança em se lançar mais em um processo contínuo de agregação de inovações. Não é uma inovação aqui ou outra ali adiante. Precisa ser um fluxo contínuo. Não podemos deixar que os concorrentes se tornem mais competitivos do que a própria indústria. O artigo 8º da Organização Mundial do Comércio (OMC) permite que o governo compartilhe até 75% em inovação. Países como a Índia e o Japão tiveram sucesso nesse “compartilhamento”, e o Brasil continua sem grandes investimentos nessa área. Temos um déficit tecnológico.

E qual é o tamanho do nosso déficit tecnológico?

Em 2010, a conta bateu o recorde de US$ 85 bilhões negativos, ou seja, são 33% a mais do que em 2008. E o que significa isso? Que a nossa competitividade tecnológica está baixa no comércio exterior. Neste ano, o nosso déficit deve ultrapassar a casa dos US$ 100 bilhões. Você pode ver o quanto o Brasil está jogando dinheiro fora em tempo real, no site Deficitometro Tecnológico, a soma já está em mais de 83 bilhões de reais.

Então quais são as alternativas para as empresas?
Enquanto o governo não fizer um investimento ousado e der um apoio à inovação tecnológica das empresas continuará difícil. As empresas só inovam de acordo com as suas possibilidades, evitando um mal maior. Isso não está sendo suficiente. Antes você só tinha automóveis nacionais. A competição entre os produtos nacionais e importados está ficando destruidora para a indústria nacional. O Brasil não fabrica mais celular porque não encontra mais componentes. Isso também se aplica a televisores e tocadores de CD e DVD. As nossas fábricas só montam os produtos. Os componentes são todos importados.

Somos então apenas “apertadores de parafuso”?

Exatamente. Nós não fabricamos nada, tudo vem de fora. Nós apenas fazemos a montagem. Outra questão é que quando você compra uma máquina chinesa, você não comprou apenas uma máquina, você fez uma opção tecnológica. É mais barato sempre comprar uma chinesa. O brasileiro resiste quanto pode, mas há um limite para essa resistência. O país está em um processo de desindustrialização pela perda de conteúdo tecnológico em sua produção. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresce em média 3,5% ao ano, o setor tecnológico cresce cerca de 2% ao ano. Portanto, o setor está perdendo conteúdo, importância econômica dentro do PIB. No século passado, o Brasil teve seu crescimento todo puxado pela indústria, hoje ele exporta cada vez mais commodities e está perdendo consistência na sua indústria. Do ponto de vista estrutural, nós retrocedemos. E o resultado disso é que estamos nos voltando a um perfil de economia dependente do preço externo. Temos dezenas de competidores que fazem a mesma coisa que o Brasil. Não sou contra as commodities, sou contra só se preocupar com elas e abandonar o apetite industrial. É exatamente o contrário do que fizeram a Índia e a China.

E a medida provisória que isenta os tablets como o iPad de impostos? Isso é suficiente para o desenvolvimento do aparelho no país, para avançarmos na inovação?
Vai ser a mesma coisa. Eles vão trazer os componentes da China e montar aqui. Até a etiqueta “Made in Brazil” vem de fora. Precisamos voltar a fabricar. Há 15 anos o Brasil deixou de fazer isso.

O que mudou para pararmos de fabricar?

O mundo mudou. Agora estamos na era da globalização. A situação da indústria foi completamente revertida. Hoje se reduz as alíquotas, se flexibiliza o câmbio e se eleva a taxa de juros para atrair o dólar. Nesse novo cenário, o governo deveria ter baixado as alíquotas, mas precisaria ter tornado as indústrias brasileiras mais competitivas, compartilhando o risco da inovação.

Mas como fugir da dependência do governo? Precisamos depender dele para inovar?
Ninguém é e nem deve ser depende do governo. Ele só participa do risco tecnológico e deve apenas adiantar o recurso para fazer a inovação. Uma empresa que inova continuamente investe 5% do seu faturamento em inovação. Se o governo transferir à empresa 100% do que ela vai gastar em inovação, ele se beneficiaria com 37% do resultado. O governo só precisa compreender isso, assim como os governos de outros países como Japão, Coreia, China e Índia. Depois que a empresa vence essa resistência e começa a inovar, ela nem precisa mais do governo. A própria Petrobras não precisa. Ela gera lucro e aplica parte desse lucro. O governo ajuda a romper essa dificuldade de passar de um estado de inovação defensiva para a ofensiva, em que a empresa passa a ser um player proativo, atuante. O que o estado vai fazer é continuar fomentando isso através do compartilhamento do risco em coisas mais ousadas. Pegue como exemplo os EUA, a maior economia do mundo. Lá, o estado financia o desenvolvimento tecnológico da indústria, mas não 100%. É um investimento de 30% em tecnologia e dessa porcentagem, um terço vai para as universidades. O restante dos recursos é aplicado no compartilhamento com a indústria em projetos mais arrojados, como desenvolver um novo avião.

O Brasil já produziu alta tecnologia? O que precisamos fazer para desenvolver essa produção?
Em alguns setores desenvolvemos alta tecnologia, como é o caso de perfuração. A Petrobras, que é uma empresa de alta competência tecnológica, faz isso bem. Como ela é do Estado, o governo investiu nela, compartilhando o risco. A Petrobras cresceu e aprendeu. Outro exemplo é a Embraer. Ela tem pleno domínio tecnológico de seus produtos. Mas as políticas públicas também precisam ser feitas para atender a empresas médias. E é por isso que muitas delas quebraram - por fazer tentativas ousadas. A Metal Leve é um exemplo. Ela tentou se tornar um grande player internacional em tecnologia de autopeças e falhou. O controle acionário teve de ser passado à alemã Mahle. Você pode contar algumas histórias de sucesso, mas para cada uma delas, há dezenas de insucessos.

E não podemos fazer inovações a um baixo custo?

O custo pode não ser alto, mas para fazer isso continuamente é preciso infraestrutura, maquinário etc. Tudo isso exige investimento. E há outra questão: se esse empresário, ao longo do tempo, não introduzir as inovações do seu concorrente, ele perderá mercado. É uma postura defensiva e o que precisamos agora ser é ofensivos.

O que é, afinal, inovação tecnológica?
É tudo aquilo que você agrega ao produto no seu processo de fabricação. Ou seja, é o que se desenvolve para melhorá-lo. Não é uma invenção genial. Pense no celular. Os antigos aparelhos tinham o teclado exposto. Alguém percebeu que as teclas poderiam ser ativadas acidentalmente e criou-se o flip. Outro percebeu que os comandos poderiam ser feitos na própria tela, então foi desenvolvido o touchscreen (tela sensível ao toque). Um celular de geração 3G tem milhares de inovações agregadas. São pequenas coisas que vão se somando e quando você percebe, ele se tornou um produto inovador. Voltando à questão do custo, ele não é tão alto, mas para fazer isso continuamente é preciso infraestrutura.

O senhor citou a necessidade de infraestrutura. Uma alternativa não seria fazer parcerias com centros de pesquisa?

A empresa precisa ser a protagonista. A inovação se faz atendendo à demanda dos clientes, do mercado. Se eu fabrico um celular e vejo que meus concorrentes lançaram algo inovador, preciso providenciar isso para o meu celular. Ou seja, a companhia precisa inovar, pois é ela que está acompanhando o mercado. Se os especialistas da empresa não tiverem a capacitação tecnológica em determinada etapa do processo, é nesse momento que os pesquisadores e universidades devem ser procurados. O Brasil faz o inverso, ele quer que a universidade desenvolva as ideias e isso está errado. Só pela sorte ela vai acertar o que o consumidor quer. Eu fiz muito isso quando trabalhei em uma fabrica de máquinas e ferramentas. Quando eu precisava, recorria ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que fica na Universidade de São Paulo (USP), e utilizava materiais que eu não tinha. Seria um grande prejuízo parar minha produção de ferramentas para testar uma maneira diferente de desenvolver algo, quando eles já tinham isso facilmente à mão.

Quanto as empresas precisam investir em tecnologia?
Se ela quiser fazer uma inovação ofensiva, ou seja, se diferenciar no mercado, deve aplicar a partir de 5% do seu faturamento. Mas depende do segmento, essa regra seria interessante para farmácia ou eletrônica, por exemplo. Se a companhia tem 8% de lucro e aplica 4% em inovação, ela aumenta em muito seu risco. Se ela for mal sucedida, pode quebrar. É preciso estar disposto a assumir o risco e contar com um pouco de sorte também.

Sem considerar todas as dificuldades para inovar, pode-se dizer que as empresas estão fazendo algo errado?

Elas poderiam ousar um pouco mais. Mas é difícil se aventurar muito. As empresas querem preservar a manutenção, o patrimônio e o ativo. Querem a segurança máxima e o lucro possível dentro disso. Então, sem a ajuda do governo, o percentual em inovação é relativamente pequeno. Mas podem tentar mobilizar parceiros institucionais, como o IPP ou o SENAI, por exemplo.

Qual é o caminho para o Brasil, então? O correto é que sejamos autosuficientes?
Uma maneira de ganhar tempo é aprendermos com alguém e depois desenvolvermos nossa própria tecnologia. Na década de 90, um chinês me disse certa vez que aprenderia com os alemães a fazer trens e depois os faria sozinho. Hoje, a China tem mais trilhos e trem-bala do que todo os outros países somados, são mais de 6 mil km de trilhos. A Índia produzia a metade do Brasil em patentes. Criou então a lei de Desenvolvimento Tecnológico 1995, e três anos depois já ultrapassava o Brasil. Hoje, esse país cresce 20% anualmente em patentes, produzindo até dez vezes mais que o Brasil.

Quanto o governo precisaria investir para mudarmos o cenário brasileiro?

O governo teria de liberar os R$ 3 bilhões que não investe em tecnologia. Se fizesse o mesmo que está oferecendo ao Pão de Açúcar seria uma revolução no Brasil. Se o governo colocar algo como 0,2% do PIB já seria suficiente para a revolução tecnológica. Hoje o país sofre um déficit tecnológico porque tira mais do setor produtivo do que oferece em troca. O governo retira de imposto cerca de 3 bilhões de reais e devolve, em média, 14% desse valor. Mas ele retira do imposto das próprias empresas e não do montante que deveria ser destinado ao segmento.

E se o governo seguir por esse caminho, em quanto tempo poderíamos ver uma diferença?
Se o governo fizer esse investimento, daqui três anos já veremos diferenças substanciais. Nós temos uma estrutura melhor do que a da China, então podemos crescer. Só precisamos de um Estado que queira compartilhar o risco tecnológico e de indústrias que queiram inovar.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Investimentos em inovação a vista!

Brasil ainda convive com déficits comerciais em setores sensíveis que podem comprometer o desempenho da sua economia, diz ministro da Ciência e Tecnologia

Da Agência Sebrae de Notícias

O Brasil tem um grande potencial e precisa investir urgentemente em conhecimento científico e inovação enquanto eixo estruturante do desenvolvimento econômico para garantir o seu futuro enquanto nação desenvolvida. Advertência nesse sentido foi feita pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, após reconhecer que o Brasil ainda convive com déficits comerciais em setores sensíveis que podem comprometer o desempenho da sua economia nos próximos anos, tendo em vista a necessidade de competitividade global do país.

O ministro, que participou da abertura nesta segunda-feira (20), da XI Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, enfatizou a necessidade de o país criar uma cultura da inovação e ser um competidor global no âmbito das economias desenvolvidas e liderar os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), onde há nações emergentes que investem fortemente em pesquisa e desenvolvimento, a exemplo de China e Índia.
Mercadante lembra que o país já evoluiu muito nesse ambiente nos últimos anos, mas não pode acomodar, enfatizou. “É preciso ampliar os investimentos privados nessa área, se realmente quisermos liderar a economia do conhecimento e ganhar competitividade.”

Segundo Mercadante, o Brasil ainda enfrenta déficits comerciais em setores como bens de capital, tecnologia da informação e da comunicação, químicos e fármacos, além dos desafios para o equilíbrio das contas externas. “Precisamos que nossos jovens queiram ser cientistas, pesquisadores e não apenas participar e vencer um BBB”, sentenciou o ministro, em alusão ao reality show de grande audiência na televisão brasileira, destacando a necessidade de mudança de paradigma cultural.

Com o olhar no cenário global, Mercadante listou, entre as ações governamentais mais recentes, a criação da rede Sibratec, com pesquisadores focados em desenvolvimento de novas tecnologias, e o investimento de R$ 69,8 milhões em extensão tecnológica. Destacou também que o governo federal fortaleceu a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para ser o banco da inovação, estabeleceu parcerias privadas para capital semente e ampliou os investimentos públicos e privados em parques e incubadoras de bases tecnológicas, além de dobrar o número de pesquisadores bolsistas altamente qualificados.

“É importante mudar o marco regulatório de investimento direto, agilizar o processo de registro de patentes e fortalecer o sistema de inovação”, afirmou. O ministro voltou a defender a criação da Embrapa da indústria, bem como aprimorar os incentivos ficais, e um novo programa de comunicação para popularização da ciência, tecnologia e inovação. Para Mercadante, o Brasil precisa ser mais empreendedor, pesquisador, inovador e ter cientistas com um projeto de vida em sintonia com projeto estratégico de país. “Inovação tem risco, mas é preciso estar disposto a dar incentivo fiscal e financiamento. É preciso apostar no risco para sermos a nação que queremos ser”, concluiu.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tendências de Investimento em INOVAÇÃO

Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) crescem a cada ano no Brasil. Dados parciais do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) apontam para resultados ainda mais positivos para os próximos anos.

Com o retorno a posições estratégicas no governo de alguns de seus mais destacados defensores, o foco na inovação volta a ganhar força e deve ser destaque da segunda versão da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Mirando a competitividade, a chamada PDP2 terá como uma das principais metas a elevação do gasto privado anual em pesquisa e desenvolvimento para algo entre 0,9% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014. Em valores atuais, algo em torno de R$ 37 bilhões. Hoje o porcentual é de apenas 0,5%. Para isto, será utilizado vários mecanismos, desde da LEI DO BEM, Lei da Inovação a programas por meio de agências de fomento a inovação e ao empreendedorismo.

Inovar versus modernizar

Modernizar é comprar equipamentos e adquirir instrumentos. Inovar é apostar em pesquisa, contratar ou se associar a produtores de conhecimento, ciência e tecnologia.

O Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), criado pelo Decreto 6.259 de 20 de novembro de 2007, é um dos elementos que auxilia nessa trajetória, ao melhorar a organização da oferta de conhecimentos, principalmente baseado nas demandas, aumentando a sinergia das ações destinadas ao apoio às empresas.

Neste sentido, o MCT investe na capacitação de mais de 400 laboratórios de calibração, ensaios e análises que ofertarão às empresas serviços de avaliação da conformidade. A intenção é oferecer o apoio necessário para garantir produtos brasileiros com selo de qualidade e condições de competir no mercado nacional e internacional.

Extensão tecnológica

Outra frente de ação, no âmbito do Sibratec, está presente em 22 estados com a implementação das redes estaduais de extensão tecnológica que são destinadas a solucionar pequenos gargalos na gestão tecnológica, projeto, desenvolvimento e produção das micros, pequenas e médias empresas. O sistema viabiliza o contato com institutos de tecnologia, centros de pesquisa e universidades, que possam prestar atendimentos tecnológicos por valores razoavelmente limitados, de até R$ 30 mil.

O Sibratec constrói uma ponte entre a academia (a excelência da pós-graduação) e o setor produtivo para facilitar a transferência do conhecimento. Foram organizadas 14 redes de centros de inovação em todo o País, em várias áreas do conhecimento que propiciam às empresas desenvolver projetos cooperativos inovativos. O Sibratec/Finep aportará até 95% do valor desses projetos, de acordo com o porte da empresa.

Inovação recente


Apesar do crescimento verificado nos últimos anos, a tradição inovadora é recente no Brasil e precisa avançar ainda mais para garantir o crescimento sustentável no futuro. Ele justifica que o processo de transferência do conhecimento é frágil. O País é responsável por 2,4% da produção científica mundial, mas responde apenas por 0,2% do registro de patentes em todo o mundo.

Não é correto dizer que o Brasil investe pouco em pesquisa e inovação porque a dinâmica é acentuada e favorável. O que podemos dizer é que o hábito, a prática, a tradição da inovação no País, especialmente nas empresas, ainda é bastante recente, em especial no segmento industrial.

Tendências

A contratação de CEOs mais voltados para a área de inovação é, segundo uma pesquisa Amcham em parceria com a Fundação Dom Cabral, a principal tendência em relação à inovação nas empresas.

Os presidentes-executivos terão o papel de inserir a inovação na cultura da companhia e criar um ambiente adequado para isso. Mais parcerias com universidades e empresas são a segunda tendência mais apontada pelos pesquisados, que também acreditam que o mercado terá mais investimentos em tecnologias e ferramentas nessa área. O aumento dos investimentos em inovação vem logo atrás na lista das principais tendências, de acordo com os participantes do levantamento.