Mostrando postagens com marcador Futuro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futuro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Previsões da Gartner: 2013, 2014 … 2017

A consultora avançou com a habitual lista de previsões abrangendo não só as principais tendências para o próximo ano, como para os anos seguintes. A crescente adopção de tablets e smartphones encabeça o conjunto.

A Gartner revelou as principais tendências tecnológicas para 2013, incluídas num cenário de projecções para os próximos cinco anos. Para o próximo ano a consultora coloca a crescente adopção de dispositivos móveis, tablets e smartophones, em ambiente empresarial, no topo da lista. Associada a esta tendência, a emergência de cada vez mais lojas de aplicações empresariais ganhará também protagonismo.

Depois da forte adopção das plataformas de mobilidade fornecidas pela Apple, iPhone e iPad, os sistemas Android também estão a invadir o mundo empresarial. Com o lançamento do Windows 8, o segmento ganha novo dinamismo. Para a Gartner, a chegada do novo sistema operativo “aquece” o ambiente concorrencial, a dopção em grande escala será evitada até pelo menos 2015.

1 – Invasão dos dispositivos de mobilidade

No próximo ano, os smartphones vão ultrapassar os PC como dispositivo mais comum de acesso à Internet em todo o mundo. Será que isso significa que aparelhos móveis vão substituir os PC? Sim e não, diz a Gartner.

Alguns departamentos de TI só precisam de suportar dispositivos móveis para profissionais específicos cujas funções exigem mobilidade. Os outros permanecerão com os tradicionais computadores. Mas, acrescenta o Gartner, a proliferação de dispositivos móveis nas empresas indica o fim do Windows como plataforma empresarial única.

“Até 2015, o fornecimento de tablets vão representar cerca de 50% dos portáteis fornecidos e o Windows provavelmente ficará em terceiro lugar na preferência das pessoas, atrás do Android e do iOs, da Apple”, considera David Cearley, analista da Gartner. “Como resultado, a participação da Microsoft nas plataformas dos clientes (PC, tablet, smartphone) provavelmente será reduzida para 60% e pode cair para 50%.”

2 – Mudança de aplicações nativas para aplicações Web baseadas em HTML5

A Gartner alerta que as aplicações nativas não vão desaparecer. E “oferecerão sempre a melhor experiência ao usuário e recursos mais sofisticados”. Mas a consultora prevê uma migração para aplicações baseadas em HTML, conforme estas ganharem mais capacidades.

3 – As clouds pessoais substituem a noção de computador pessoal

A cloud computing vai albergar todos os aspectos da vida de uma pessoa, diz a Gartner. Por ser um modelo tão abrangente e capaz de suportar recursos infinitos “nenhuma plataforma, tecnologia ou fabricante vai dominá-lo”, indica a consultora. Isso também significa que os departamentos de TI terão de suportar quase tudo.

4 – Internet das coisas ganha visibilidade

Quase tudo tende a ligar-se à Internet, incluindo câmeras, microfones, realidade aumentada, edifícios e sensores embutidos em todos os lugares. Em muitos casos, ela já se faz presente. A Internet das Coisas vai conduzir ao surgimento de novos produtos e serviços, como por exemplo a seguros baseados na utilização daquilo que está segurado, e mesmo a novas políticas fiscais. Também levantará novas questões: um robot ligado a um ERP deverá ser considerado um utilizador, para efeitos de licença?

5 – Plataformas corretoras de cloud computing

Com o crescimento da adopção de cloud computing, torna-se cada fez mais pertinente que os departamentos de TI criem plataformas corretoras de serviços baseados nesse modelo – as denominadas Cloud Services Brokerages. Servirão como ponto central para gerir o acesso a serviços externos.

6 – Big Data mais estratégico

Os projectos de Big Data estão a tornar-se mais económicos para as empresas, graças, em parte, à queda do preço de servidores e CPU. O Big Data será ainda mais estratégico, acredita a Gartner: ou seja os utilizadores vão incorporar cada vez mais a análise de Big Data nas suas actividades. Haverá menos projectos isolados.

7 – Análise preditiva de acções

A análise preditiva sobre acções é, em alguns aspectos, um subconjunto da sexta tendência (Big Data mais estratégico). O processamento de baixo custo está a tornar possíveis “as análises e as simulações sobre cada acção realizada numa empresa”. A maioria das análises hoje centra-se na análise histórica. E o próximo passo é prever o que pode acontecer.

8 – Computação “in-memory” A computação “in-memory”, diz a Gartner, pode ser transformacional. Ela permitirá que as actividades que demoram horas a serem executadas, levem minutos ou apenas segundos. Deverá tornar-se dominante no próximo ano ou dois: cada vez mais os utilizadores procuram fazer consultas em tempo real.

9 – Appliances virtuais ganham posição

Face à vantagens de segurança dos aparelhos físicos, a appliances virtuais não vão substituir as primeiras. Mas tendem a ganhar um lugar nas operações de TI.

10 – Lojas corporativas de aplicações

As lojas empresariais de aplicações vão transformar os departamentos de TI em gestores de mercado, proporcionando governação e até mesmo apoiando a “apptrepreneurs”, empreendedores de desenvolvimento ou sugestão de aplicações. Serão um repositório onde os utilizadores poderão encontrar tudo para melhorar o seu trabalho.

Em 2014

A contratação de recursos humanos para TI nos principais mercados ocidentais será dominada por empresas sedeadas na Ásia crescerá a dois dígitos apreciando crescimento de dois dígitos. Três dos cinco maiores fornecedores de smartphones será chinês, com a Huawei e a ZTE a aproveitarem a experiência alcançada no mercado chinês na venda de smartphones de baixo custo.

Directivas da União Europeia conduzirão a legislações para proteger empregos, reduzindo o offshoring em 20% até 2016.

Os dispositivos possuídos por empregados serão comprometidos por um malware numa proporção de mais do dobro daqueles cija propriedade é das organizações.

A consolidação do mercado deverá relegar para outro plano 20% dos 100 maiores prestadores de serviços de TI. Factores com a Cloud computing, Big Data, a mobilidade e as redes sociais, juntamente com incerteza na economia global, deverá acelerar a re-estruturação de uma mercado de quase um bilião de dólares no mercado de serviços de TI.

O investimento em software para relativo a pequenos dispositivos inteligentes de monitorização crescerá 25%.

Em 2015

A procura mundial de recursos humanos para Big Data deve atingir 4,4 milhões de empregos, mas apenas um terço das vagas serão preenchidas.

Perto de 90% das empresas deverão contornar a implantação do Windows 8 em grande escala.

40% das mil maiores organizações no mundo vão usar a “gamificação” como principal mecanismo para transformar as operações empresariais.

Em 2016

Os dispositivos electrónicos incorporados em sapatos, tatuagens e acessórios representarão uma indústria de dez mil milhões de dólares.

Em 2017

Cerca de 40% das informações de contactos deverão estar acessíveis no Facebook, devido a fugas associadas à crescente utilização de aplicações de colaboração em dispositivos móveis.

Fonte: Novembro de 2012 às 18:42:57 por computerworld - http://www.computerworld.com.pt

sábado, 20 de outubro de 2012

"O problema do Brasil é sempre olhar o próprio quintal"

Professor titular de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco, com doutorado em computação pela University of Kent at Canterbury, na Inglaterra, o paraibano Silvio Meira é um homem ligado no futuro.

Um pensador preocupado com as conexões entre economia, história, inovação e cultura. Foi com essa mentalidade que ele ajudou a fundar, no ano 2000, o Porto Digital, um polo tecnológico situado no centro antigo do Recife, que concentra cerca de 100 empresas de tecnologia. Sua atuação no Porto, cujo conselho preside, se dá também por meio do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), um núcleo privado de inovação que desenvolve projetos para empresas como Samsung, Motorola e Siemens. Nesta entrevista, Meira aponta aquilo que, a seu ver, o País deveria fazer para ocupar um lugar de protagonista na economia internacional. “O Brasil é grande demais para viver só de commodities”, diz. “Uma boa visão é definir, como meta, nos próximos 25 anos, ser um dos cinco maiores produtores de software.”

DINHEIRO – O ciclo de vida dos produtos de tecnologia é muito curto. Essa dinâmica não faz a indústria investir milhões em uma série de recursos inúteis? SILVIO MEIRA – A alucinação coletiva pela novidade é parte da humanidade desde que nos entendemos por gente. A história das facas e das espadas, que tem milhares de anos, é uma coleção de invenções malucas. Num cenário de aplicação do conhecimento, sempre haverá o que se pode chamar de combinação de curiosidade com confiança humana. Curiosidade sobre o que fazer aliada à confiança de que é possível tornar aquilo realidade. Agora, pense num mundo em que posso mandar fabricar quase qualquer coisa, bastando para isso ter os meios, como temos hoje. Isso nunca aconteceu antes.

DINHEIRO – Como isso se aplica ao mercado de tecnologia? MEIRA – Especificamente, no que se refere às plataformas digitais, é preciso observar que elas são muito padronizadas. Se quisermos mandar produzir um tablet na China com três câmeras na frente e uma atrás, nós fazemos. E fazemos com a qualidade que desejarmos, pelo preço que quisermos. Então, a padronização dos componentes para baixo elevou a expectativa para cima, pois é possível fazer praticamente qualquer coisa em qualquer lugar. Essa dinâmica proporciona a criação, por exemplo, de uma câmera com a qual posso fazer um chat. Ou um aspirador robotizado que faz não sei o quê, um software no seu carro integrado às redes sociais, etc. É a criatividade.

DINHEIRO –Qual seria o futuro de invenções como essas? MEIRA – Há um processo de seleção. As que vão passar no crivo são aquelas que tiverem volume de aceitação e, consequentemente, de produção capaz de justificar a atividade industrial e comercial por trás delas. Todo o resto vira curiosidade.

DINHEIRO – Nesse contexto, pensar globalmente é fundamental. O Brasil avançou em seu processo de internacionalização, especialmente na área de tecnologia? MEIRA – O Brasil é grande demais para viver de commodity. Pense no caso do Chile. Há 15 anos , não se encontrava uma garrafa de vinho chileno na Europa. Hoje, você entra numa adega europeia chique e encontra produtos do Chile, alguns deles com preço de vinho europeu. Estão tentando fazer isso em Petrolina, em Pernambuco. Há garrafas que saem de lá pelo preço de R$ 80. Petrolina já descobriu que uma coisa é vender uva, outra é comercializar um produto sofisticado. Não há muito vinho brasileiro de R$ 80. E o que é isso? É agregação de valor, de percepção, marca e também de uma quantidade gigantesca de tecnologia no processo industrial. Mas com o objetivo de produzir com qualidade, porque não adianta me dizer que um produto é bom se ele não o for. E é muito mais difícil agregar tudo isso num computador, que não passa de uma lata.

DINHEIRO – O que vai diferenciar um computador é o software, não? MEIRA – Sim. Portanto, a única chance que o Brasil tem do ponto de vista competitivo para as próximas duas décadas – já que, no passado, não habilitamos as cadeias de valor de hardware para a competição de classe mundial – é avançar em dois aspectos. Primeiro: habilitar a cadeia de valor de hardware para daqui a 20 anos, tempo necessário para que os sistemas hoje estabelecidos fraquejem no Japão, China, Taiwan e em outros lugares. O Brasil precisa buscar negócios que tenham alcance global. Mas o que temos aqui? Todas as ações de política industrial feitas no País, nas últimas décadas, na área de hardware foram na direção de substituição de importações, mas esse negócio não funciona em certos mercados.

DINHEIRO – Qual é a próxima onda na qual o Brasil deve embarcar? MEIRA – A tecnologia do grafeno é uma delas, assim como novos tipos de energia e bateria. Ultravioleta extrema, para fazer litografia de circuitos, também. O problema é que não estamos apostando em nenhuma dessas coisas. E ficamos naquela história: como há um megarrombo na balança comercial, decidimos fazer umas fabriquetas de circuito integrado aqui, de baixa complexidade, para controle industrial. Mas fazer isso só para o mercado nacional provavelmente não é um bom negócio.

DINHEIRO – Por quê? MEIRA – Isso teria então de ser feito com subsídio pesado do governo ou com uma fábrica estatal, o que também não é uma boa alternativa. Não é sustentável no longo prazo, porque está provado que os negócios intensivos em hardware exigem, para dar certo no longo prazo, uma vertente de pesquisa e desenvolvimento turbinado com inovação e alto investimento privado de risco. O que vai ser exigido lá na frente é a capacidade de criar, empreender e investir. Enquanto isso, há algumas situações injustificáveis. Cria-se, por exemplo, um megamecanismo de incentivo para trazer a “fabricação da Apple” para o Brasil, com o preço do aparelho exatamente igual ao do importado. Ou seja, obtém-se subsídio público, pago por todos os contribuintes, para jogar na margem de lucro da Apple.

DINHEIRO – O sr. se refere ao projeto bilionário para a criação de novas fábricas da Foxconn no Brasil, não? MEIRA – É simplesmente uma falha estrutural do que são os investimentos nesses setores. O setor de hardware de alta sofisticação não é igual ao mercado de minério de ferro, de bauxita. Software é um mercado de conhecimento. É preciso criar certas commodities nessa área. E de que tipo? Educação de alta qualidade provida num número diverso o suficiente de lugares para haver uma quantidade de pessoas capazes de exprimir essa competência nos mercados internacionais. Só essa qualidade, porém, não funciona. A indústria de software, que é muito jovem, pois data do meio da década de 1970, só existe competentemente, salvo raríssimas exceções, quando o investimento empreendedor e a capacidade de tomada de risco são muito grandes. A única plataforma global de software que não é dos EUA é a SAP, da Alemanha. Não há outra, é um acaso ter havido isso lá. Isso só aconteceu porque um pessoal saiu da IBM alemã e pegou um vetor inteiro de competências da empresa, conseguindo assim se estruturar no mercado. Além de competência, contaram com o apoio de companhias alemãs espalhadas pelo mundo. Mas é a única plataforma. Todas as outras são americanas. E isso porque há toda uma cadeia de valor que passa pela formação de capital humano e sua conexão com o mercado, com os processos de investimentos e tomada de risco, fomento e forte subsídio governamental.

DINHEIRO – Pensar globalmente nunca foi uma característica brasileira. MEIRA – O maior problema do Brasil é justamente sempre olhar o próprio quintal. A solução é, obviamente, imitar o que os outros fazem – e muito bem –, que é perguntar: o que o mundo vai comprar? Em informática, tanto em hardware quanto em software e em serviços, esse pensamento é fundamental pelo seguinte: não há produtos locais de informática. Só os globais. À medida que o mundo se conecta com redes cada vez mais rápidas e de melhor qualidade, mais os produtos serão globais.

DINHEIRO – O que o Brasil deveria definir como prioridade para as próximas décadas, na área de tecnologia e inovação? MEIRA – Uma boa visão é definir como meta ser, nos próximos 25 anos, um dos cinco maiores fornecedores mundiais de software. Temos população, competência e mercado de partida para ter essa ambição. Pouco importa qual é o software, deixe as pessoas escolherem isso. Não há design governamental para software. Digo ainda mais: deveríamos ter, em dez anos, um, dois ou cinco provedores globais de software como serviço. O software está mudando completamente sua característica. Ele está se tornando um fluxo de dados e informações, que é bilhetado por uso. A eletricidade, por exemplo, é gerada aqui, mas não pode ser enviada para a Rússia, pois o custo de transmissão é muito alto. Já a “informaticidade”, que é a capacidade de transmitir, processar e controlar informação, pode ser feita no Recife e mandada para qualquer lugar do mundo.

DINHEIRO – Mas ainda há possibilidade de pleitear lugar de destaque no mercado de softwares, que já é dominado por titãs como Oracle, SAP e Amazon, entre outras? MEIRA – A história mostra que algumas das companhias que estão aí hoje podem estar vivendo o seu ocaso. Na prática, o Facebook tem cinco anos. Saiu do nada para ter um bilhão de usuários globais. O Facebook poderia ter sido feito em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil. Antes, o próprio Orkut, o Twitter, a Amazon Web Services poderiam ter saído de qualquer país. Estamos falando de empresas que têm cerca de cinco anos. Os data centers da Apple, que provêm grande quantidade de conectividade global, são todos movidos a carvão mineral e óleo diesel. São os data center mais sujos do mundo. Temos a oportunidade no Brasil, com dezenas de gigawatts de energia eólica disponíveis, de conectar data centers brasileiros para prover informação e serviços de software para o mundo. Tudo isso montado em fazendas eólicas do interior do Nordeste. E o Brasil é um dos melhores lugares para fazer isso, inclusive porque podemos prover green bits, ou bites verdes. A matriz brasileira de energia elétrica é limpa em mais de 85%.

Fonte: Silvio Meira, fundador do Porto Digital, do Recife - Entrevista Por Clayton MELO - http://www.istoedinheiro.com.br